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quarta-feira, 30 de agosto de 2017

The Lost Lambretta





Há uns anos já que o site norte americano Petrolicious faz parte de um lote restrito das minhas visitas diárias obrigatórias. 

Habitualmente é um site que faz sonhar com objectos e experiências totalmente fora de orçamento para o comum dos mortais, com fotografias incríveis e  videos e histórias ainda melhores, mas nem sempre a delícia tem que ser inacessível.

Neste caso a história retrata de uma forma bela as rugas dos sessenta anos de uma Lambretta que passou por três gerações, com um período de nevoeiro espesso pelo meio.

Aliás, o percurso da Lambretta fez-me lembrar imediatamente a Heinkel Tourist do meu bom amigo Rui Tavares -  também ele um Lambrettisti -, com quem é fácil e legítimo estabelecer o paralelo.

"Let´s look at a traila".  


domingo, 1 de maio de 2016

Espaço e Uma Golden Special





No contexto dos entusiastas de scooters antigas encontram-se múltiplas abordagens ao fenómeno da relação com a máquina. Desde o coleccionismo eclético até ao temático. Do comprador compulsivo ao scooterista de um amor só. São inúmeros os níveis de gradação. Contrariamente ao que muita gente possa pensar, não é tão incomum assim encontrar quem acumule mais de dez scooters. Ou até quem coleccione número idêntico, mas em caixotes, e na verdade não tenha nenhuma em condições de circulação. 

Ao contrário do que acontece com a generalidade dos coleccionadores de veículos motorizados com mais de uma dezena de clássicos, com as scooters não é obrigatório ter contas bancárias no Panamá em nome de empresas com nomes estranhos. Claro que ajudará, mas no mundo das scooters podemos ter, sem vender um rim, vários veículos que para além de especiais aos nossos olhos, são também relativamente raros.

O espaço diminuto que ocupam é uma vantagem mas também um perigo. É que não causa espanto ver-se um scooterista mais impulsivo ir comprando sem vender. Porém, e em geral, a acumulação e consequente redução do espaço demora bastante mais se compararmos com as consequências de vírus idêntico nas quatro rodas. 

Tudo isto significa que, pese embora seja sempre necessário algum capital e condições logísticas mínimas, a scooter é talvez o mais acessível dos brinquedos motorizados antigos a que se pode chegar, com verdadeiro risco de sobredosagem.  

Não obstante, a minha história com as clássicas antigas é - julgo que felizmente - relativamente distante. Pelo menos ao ponto de nunca ter estado suficientemente perto de perder a cabeça por uma. Ainda estão vivos os meus traumas de infância motivados pela fraca fiabilidade de motores a dois tempos nos karts. E o cheiro a dois tempos na roupa nunca foi perfume que me agradasse. Tudo razões que têm sido uma preciosa barreira à aquisição de antigas.  

Depois, nas Vespa por exemplo, nunca me imaginei a comprar uma antiga, com excepção da Rally 200. Nas Lambretta já não é bem assim, já que qualquer boa DL ou SX me deixa em modo de alerta. Mas seguro. Pelo menos até agora.

Porém, há uns meses vi com alguma atenção a incrível Li Golden Special que acompanha este post. Embora não seja raro encontrar uma Lambretta rápida e reluzente, o nível de acabamento e detalhe empregues na Li Golden Special do Rui Carvalho está num outro patamar. Difícil de resistir.

Se racionalizar por dois minutos, concluo que provavelmente iria arranjar uma companhia para a Bianca. O que, convenhamos, não só não fará grande sentido, como criaria uma dispensável crise de autoestima na rainha.

Tudo isto é verdade. Porém, já passou quase um ano sobre as duas fotografias que fiz desta Golden em particular. E continuo, com alguma frequência, a ocupar espaço a comprá-la na minha cabeça.

Começo a sentir-me inseguro.




quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Scomadi





Depois de anos de desenvolvimento, e de notícias que vão chegando a conta gotas, com sucessivas versões de protótipos no modelo 300 Turismo Leggera, recebi hoje na caixa de correio  um email da Scomadi a dar-me novas sobre a sua representação ibérica, com vários concessionários em Espanha e, para já, um concessionário em Lisboa.
 
Já é sabido há algum tempo que serão disponibilizadas versões de 50cc (na imagem), 125cc, e de 300cc, todas automáticas, mas com inspiração nas DL que a Lambretta produziu no final da década de 60 e início de 70.
 
Há muita expectativa em especial em relação ao que o modelo 300, com o motor Piaggio da GTS, conseguirá oferecer.
 
A Lambretta é uma religião parecida com o Sebastianismo: muitos anseiam por que volte. O problema é que tem havido, ao longo dos tempos, demasiados alarmes falsos por entre o nevoeiro. E nunca apareceu um Sebastião que se aproximasse do original.A Scomadi tem vantagem perante as demais: não usa o nome Lambretta, embora o carregue de outras formas.

Ainda não vi nenhuma Scomadi ao vivo. E estou curioso. Porém, receio que a minha expectativa seja demasiado alta. Não conheço o plano de negócios da Scomadi, mas parece-me que não faz sentido produzir uma scooter com este fardo que não seja de qualidade de construção e de engenharia acima de uma Vespa GTS 300. Posso estar enganado, mas talvez seja mais fácil vendê-la se for realmente um produto de topo, com um preço a condizer, diferenciado, com rigor de materiais acima de qualquer suspeita, e quase hand made. Do que fazer uma scooter em massa no Oriente com controlo de qualidade inconsistente, um produto inferior à Vespa GTS 300, vendendo-a por preço semelhante a esta. Eu não teria dúvidas onde pôr o meu dinheiro.

Não quero antecipar o futuro desta nova investida até porque, como disse, não vi nenhuma ainda. Mas seria bom que as Scomadi viessem para ficar e pelas melhores razões. Fiquem atentos.

Imagem: Scomadi    


 

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Lés a Lés 2013 - Regresso das Lambrettas





O destaque da edição de 2013 do Portugal de Lés a Lés já era a simples inscrição de quatro Lambrettas. Todas se apresentaram galhardamente no palanque em Fafe. Após mais de mil e quinhentos quilómetros de asfalto, terra, água e xisto, chegaram as quatro (!) a Aljezur. Este post é uma vénia às incríveis máquinas do senhor Innocenti e aos seus pilotos: Luís Totti, Bruno Canha, Duarte Marques, Narciso Faria, e Rui Carvalho.





















sábado, 23 de fevereiro de 2013

A Lambretta do Essex




Essex, Reino Unido, início da década de 1960. Uma Lambretta TV conduzida por uma jovem mulher de saias, casaco e sapatos de salto, com um pára brisas alto a denunciar um uso utilitário.


A TV é, tal como a vejo, uma das Lambretta mais femininas, cheia de linhas suaves e curvas, onde não se encontram traços tensos. É a antítese de uma scooter agressiva no design, como são, por exemplo, as SX e as DL.


É curioso como hoje em dia as Lambretta são conotadas como scooters para andar de faca nos dentes, rápidas e quase viris, em contraponto às Vespa, mais redondas e amigáveis. Relaxadas. A fotografia relembra-nos que nem sempre foi assim, já que o uso no quotidiano e sem exclusão de género está mais do que sugerido na indumentária desta condutora.


Esta imagem tem origem numa página oficial da British Petroleum, fazendo alusão ao Energol, a designação do lubrificante mineral destinado aos motores a dois tempos usado na época. A mistura seria feita previamente na bomba, à antiga, sem recurso aos actuais copos de medição, indispensáveis para qualquer Lambrettista no século XXI.


Outra diferença para os tempos modernos parece ser o ritmo calmo que a cena inspira. Talvez seja meramente aparente, mas o simples facto de ter um funcionário a abastecer e a receber - actividades que ainda demoram uns minutos - e não apenas a passar o cartão magnético para efectuar o pagamento na caixa, como hoje, convida a uma maior interacção entre os intervenientes. Uma certa humanização desaparecida na pressa quase sempre inútil dos nossos  dias.


Tudo na fotografia é, portanto, anacrónico. Embora pareça vagamente familiar: a bomba BP zoom, o hoje raro funcionário no abastecimento vestido de bata branca, o estilo invulgar do capacete. E uma Lambretta utilitária.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Motogiro D´Itália



Entre os tradicionais ciprestes que ladeiam a estrada de terra na Toscana, a Lambretta inclina-se a bom ângulo, descrevendo uma trajectória optimista por dentro, bem consentânea com o ritmo acelerado de uma prova de regularidade.

De autor desconhecido, esta imagem aparenta ser profissional. Pela antiguidade, pelo enquadramento, e pela marca inscrita no canto inferior esquerdo, com alusão à prova.     

Quando vejo uma imagem como esta retorno sempre à ideia de recuperar para o presente o espírito das provas de regularidade desta época. É uma semente que gostava de lançar à terra fértil do Vespa Clube de Lisboa.



sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Ecos de Milão (III) - Lambretta

 
Devo dizer que a minha admiração pelas Lambrettas clássicas é relativamente recente. Mas tem vindo a agigantar-se perigosamente no meu espírito. Já me tem acontecido pecar em pensamento, imaginando uma DL 150 num lugar de garagem que me pertença. Tenho conseguido controlar à distância este maléfico desejo com o papão técnico. É conhecida a minha inaptidão para sujar as mãos em óleo, só comparável à minha exígua capacidade para lidar com os mistérios do humor de uma clássica.
 
 


Seguramente não estava a pensar numa DL 150 quando encarei o stand Lambretta na EICMA. E tenho que confessar que fiquei algo inquieto quando vi ao vivo o modelo exposto. A primeira sensação é familiar, porque já me habituei a vê-la em fotografias de salões anteriores. Mas é daquelas scooters que é realmente estranha. Parece tosca, e provavelmente é. Mas – paradoxalmente, talvez - o desenho é bom, mesmo sendo declaradamente retro. Não se sente original, mas agrada, embora sem deslumbrar.




 
Do que menos gostei foi da sensação a plástico. Não há nada de errado com o plástico, aliás essa é a pele mais comum à esmagadora maioria das scooters hoje. Mas nesta scooter em particular o plástico parece sublinhar-se em todos os componentes. Há pormenores bonitos, mas o material acaba por destacar-se a bold. Tresanda a plástico.





 
Conversamos com o responsável pelo stand e fazemos algumas perguntas. Ficamos a saber que o motor será SYM, de 125 e 150cc, refrigerado a ar, a quatro tempos e de transmissão automática. As rodas serão de doze polegadas e atrás estará um travão de tambor a ajudar a missão do disco frontal. Garantem-nos ainda que em Itália se proporá a sua venda por um preço em torno dos três mil euros, algures no primeiro quartel de 2011. Será ?... Voltei a pensar na DL.


 

sábado, 17 de outubro de 2009

Culto da Vibração - Lambretta SX 200

 


 


 

 


 


Comecemos por uma declaração de interesses: a Lambretta SX 200 é uma scooter que me hipnotiza. Desde o ano passado, quando para ela olhei pela primeira vez com a atenção que merece. Até já dei por mim a imaginar-me na Itália dos anos 60, a espremer aquela inesgotável terceira velocidade, entre os carvalhos, na bela estrada de serra que liga Bologna a Firenze…


Imagino-a frenética, com apetite pela rotação, orgânica, vibrante. E branca com estofo vermelho. Tal como este exemplar que o incansável Paulo Salgado colocou, com fé, nas minhas mãos, trazendo-a de propósito de Guimarães para o Tamanco – obrigado, Paulo!


Em Janeiro de 1966, quando a SX 200 viu a luz do dia, não havia no catálogo da rival Vespa um modelo directamente concorrente no degrau das duas centenas de centímetros cúbicos. Sim, podia comprar-se uma rápida 180SS (´64-´68), mas ainda estávamos longe da mais completa Rally 200 (´72-´79).


Como todas as Lambrettas tardias, é muito mais do que uma Vespa fininha. Esta Special X 200 (também existiu uma versão 150) era o topo da gama Innocenti, com sensíveis e contínuas melhorias mecânicas face à experiência anterior com as TV e Li, mesmo durante a sua curta produção de três anos. É uma scooter com muita atenção nos detalhes. Embora conjugue com harmonia a simplicidade e a sofisticação, não deixa de ostentar com vaidade alguns pormenores exclusivos e arrebatadores que ajudam a vincar-lhe a personalidade. De entre eles, salta à vista a grande seta estilizada no balon lateral, um prenúncio da sensação de movimento para que nos transporta quando para ela olhamos de perfil. Se seguirmos a scooter com o olhar, do início do banco até ao farolim traseiro, respiramos velocidade! E ainda está parada à minha espera…


Exortado a sentar-me no duríssimo banco rubro, convenço-me a parar de a contemplar estática. Como boa clássica que é, estranhou logo a minha ausência de intimidade ao rodar o motor com o kick starter. Balon fora. Um rápido acerto de carburação pelas mãos certas e o dois tempos ganha vida num som estridente que arrepia. A vibração que o bicho transmite em cima do frágil descanso é um aviso que levo a sério.


Contava com uma embraiagem dura e difícil, mas encontrei o inverso. O arranque é surpreendentemente suave, se assim quisermos que seja. A selecção das relações de caixa no punho esquerdo também resulta fácil e fluida, muito mais do que, por exemplo, na Heinkel Tourist 103A1. Apesar disso, a SX não foi feita para ser guiada a 30 quilómetros/hora. Não que o motor se sinta anémico, embora também não seja redondo. Mas se o levarmos assim por algum tempo irá mostrar-se irascível, com soluços e solavancos que prometem sufocá-lo se não lhe enchermos o Dell´Orto com néctar.


Assim que a estrada se me depara livre experimento pegar algum fogo à peça, explorando outros territórios sensoriais. Estico a segunda e o empurrão obriga-me a agarrar com decisão os dois punhos. Clank, terceira. O som do dois tempos é inebriante, a agulha do velocímetro italiano salta, em esticões alucinados, entre os 60 e os 110kms/h, a scooter vibra como uma cana de pesca com isco mordido. A terceira é longa… Ainda vou em terceira. Ainda está a subir regime, mas começo a temer pelo grupo térmico e clank!, quarta! Ainda não vejo o fim da longa recta, o motor grita-me ao ouvido e ainda está a reclamar mais ar, mais gasolina, mais velocidade. Nesta altura juro que me enganei a ler a ficha técnica, não pode ter só 11cv às 6200rpm. Entretanto vem-me ao espírito que a SX tem travões de tambor. Como serão eles a esta velocidade ? Pois, são bastante macios, em total contraste com a agressividade do motor. Na realidade, são abrandadores. Confesso que também não me adaptei convenientemente ao travão traseiro, demasiado à esquerda na plataforma e “fora de pé”. Felizmente que a caixa é intuitiva no trato e o travão-motor uma delícia, bem ao meu gosto, livre de inércia. O amortecimento é também muito brando à frente e apenas regular atrás, embora se possa considerar suficiente se atendermos ao contexto histórico. Em curva não perde a compostura, desde que não seja necessário o recurso ao travão frontal. Os pneus contemporâneos montados nesta SX ajudam – e muito - a disfarçar as naturais insuficiências neste capítulo.


Em suma, é uma scooter pouco comum, belíssima, de forte temperamento e de divertimento garantido na estrada, um valor seguro. Apesar disso (ou talvez por isso…) é muitíssimo provável que nenhum dos 20.783 exemplares construídos da Special X 200 venha a figurar na minha garagem, probabilidade que lamento. A raridade deste modelo e a sua procura no mercado casam com uma cotação alta, e a sua manutenção também é exigente no contexto das scooters clássicas. Estas são características que reputo como suficientes para me manter afastado da corrida. Não, não terei uma. Mas… vibrei numa!