quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Garage




segunda-feira, 4 de setembro de 2017

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

The Lost Lambretta





Há uns anos já que o site norte americano Petrolicious faz parte de um lote restrito das minhas visitas diárias obrigatórias. 

Habitualmente é um site que faz sonhar com objectos e experiências totalmente fora de orçamento para o comum dos mortais, com fotografias incríveis e  videos e histórias ainda melhores, mas nem sempre a delícia tem que ser inacessível.

Neste caso a história retrata de uma forma bela as rugas dos sessenta anos de uma Lambretta que passou por três gerações, com um período de nevoeiro espesso pelo meio.

Aliás, o percurso da Lambretta fez-me lembrar imediatamente a Heinkel Tourist do meu bom amigo Rui Tavares -  também ele um Lambrettisti -, com quem é fácil e legítimo estabelecer o paralelo.

"Let´s look at a traila".  


domingo, 27 de agosto de 2017

XisCarro




Primeiros mil quilómetros e um pouco mais de um mês de X8. Um mês dedicado ao carinho e atenção.

Logo ao segundo dia a válvula do pneu traseiro desapareceu em plena autoestrada perto de Leiria, o que causou algum frisson e só por sorte não teve outras consequências. Provavelmente por alguma deterioração das jantes e alguma teoria peregrina do anterior proprietário, a X8 montava câmeras de ar nos pneus tubeless, o que já foi corrigido. Atrás, também com um pneu novo inventado a um sábado à tarde - obrigado, Marrazes ! -, e à frente já em Lisboa, com o Francisco na Motocenter, retirando a câmera e recuperando e equilibrando a jante. Pastilhas novas à frente e atrás da EBC, novo óleo de travões e a scooter ficou apta a circular com segurança.

Essencial era também uma correia do variador Dayco e novos roletes Piaggio, para além de óleo e filtro, com a preciosa ajuda do Mike. Não sei como a correia que lá estava não partiu tal era o desgaste.

Começa gradualmente a comportar-se como uma 200 com alguma dignidade. 

Estou agora a reparar em alguns pormenores de desenho da X8. A ergonomia é incrível.  A distância de todos os comandos, o guiador, os espelhos, as cotas e ângulos do banco e skis são perfeitos para mim, quer em estrada, quer na cidade. 

E o design da scooter é realmente intrigante. A Piaggio quis que esta fosse uma das suas primeiras scooters executivas e foi procurar inspiração ao design automóvel. As linhas suaves, os cromados (plásticos), a óptica larga e o farolim de cobra, e um detalhe que só está presente na primeira série, que é a tampa do porta bagagens em preto. Quando comecei a olhar para o modelo via muito poucas com este pormenor e estranhei. Fui investigar e descobri numa nota de imprensa da época, que a ideia era aproximar a X8 ao conceito de uma sport wagon !

E realmente, não me lembro de nenhuma scooter na época com um porta bagagens com porta com comunicação directa ao espaço debaixo do assento. E ainda com espaço para uma roda doze atrás.

Mesmo sem chave na ignição, se o porta bagagens estiver aberto acende-se uma luz vermelha de porta bagagens no painel. Exactamente como num... automóvel.  

Estes italianos.  
  

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Sei Giorni



Quase não se tem falado da linha 2017 da Vespa GTS(V). E há bons motivos para isso. Não há propriamente novidades de monta, a não ser pequenas adaptações para cumprimento de normas de segurança e emissões Euro IV.  

Durante 2016 discutiu-se se valeria a pena correr aos stands para comprar exemplares pré-Euro IV, mas depois de feitos alguns testes com as GTS(V) 2017, parece que as diferenças não são significativas em termos de impacto no rendimento.

E que razão haveria para comprar uma GTS(V) em 2017 ?

A resposta parece ser a Sei Giorni.



Calma, eu explico.

Eu sei que a Piaggio é uma empresa perversa e cruel quando se trata da marca que há mais tempo habita o seu portfólio motociclístico. 

Há razões sérias para duvidar que, por exemplo, os trezentos exemplares que se prometem construir da Sei Giorni poderão ser, afinal, mais. Já vimos isso acontecer.  

Há motivos razoáveis para nos sentirmos irritados com o marketing patético da Piaggio, que sempre que lança uma versão GT, GTS ou GTV nova diz, invariavelmente, que é a Vespa mais potente de sempre ! A sério ?

E esta versão não tem, na verdade, nada que se pareça com aptidões fora de estrada. Pelo menos mais do que uma normal GTS(V). 

O que atrai então ? O verde tradicional mas numa versão mate, o esquema de cores e a decoração em conjugação racer qb com o layout da GTV com o faro basso. Eu sei que é faz de conta. Mas gosto. Aliás, tirando o inacreditavelmente  horrível farolim traseiro, não tenho objeções de maior. Podem entregar aqui à porta.

Não vi o preço em lado nenhum, mas aposto que será pornográfico.

Em 2013, na 2ª Regularidade Moderna do Vespa Clube de Lisboa, a minha GTS já tinha lançado as bases do número de competição do lado esquerdo do avental, em formato GTS.

Copiões.    







Imagens nº 1 e 2: Piaggio Group

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Piaggio X8 200 - Regresso a um Sofá





Depois de um ano e meio com a Bala (LML 200), a minha segunda LML consecutiva, o regresso a uma scooter sofá parece não ser uma ideia totalmente destituída de sentido.

Qualquer scooter de mudanças manuais para usar na cidade é uma excentricidade. Diverte quando estamos em modo tolo e irrita quando a razão nos visita o espírito. O sentido prático do devaneio é igual a zero, em especial porque hoje existem dezenas de opções competentes no mercado de scooters automáticas

Como desvantagem da LML também se podem apontar as pequenas rodas de dez polegadas que, contribuindo embora para a maneabilidade excepcional, tornam qualquer irregularidade média na cidade uma onda do Canhão da Nazaré, e qualquer buraco uma cratera. Circular a dois e com pesada bagagem escolar a bordo é aventura diária garantida. Sem dúvida divertido, mas um pouco cansativo. 

A favor a LML conta com uma brecagem de cobra, que permite que a scooter passe em qualquer buraco de agulha, muito útil em ruas estreitas ou muito condicionadas. O efeito sorriso automático (ou feel good factor) também é assegurado, ao lado da disponibilidade para as respostas às abordagens de rua ao estilo bonito restauro. Ir de Vespa é sempre um desbloqueador de conversa.

Os tempos e as conjunturas vão mudando. E com essa mudança vem também o impulso para outras e novas experiências, crónicas no meu caso de scooterite.

A conjugação do regresso a Lisboa com as necessidades de transporte diário em scooter durante as quatro estações do ano, e a vontade de ter uma scooter mais anónima e menos apetecível fez-me repensar a estratégia.

No mercado de usados pensei em várias scooters plásticas. Numa Piaggio X7 ou numa Sym Citycom 300, de roda maior e já suficientemente desvalorizadas para poder encontrar um negócio equilibrado, com uma scooter direita, não demasiado velha e gasta.

Nenhum negócio disponível apareceu - também não procurei assim tanto tempo - até que no radar surgiu uma Piaggio X8 200.

Não estava nas minhas cogitações iniciais, mas a verdade é que, ao verificar a minha check list, quase nenhum item ficou por preencher, e desses em que a X8 fica coxa, nenhum era verdadeiramente impeditivo.

Tem um motor de boa memória, pois é exactamente o mesmo da minha antiga Vespa GT 200, e apresenta uma configuração de scooter executiva. Tem muito espaço de arrumação - alberga com facilidade, por exemplo, raquetes de ténis, ou tacos de golf curtos ! - , protecção de vento e chuva com o ecrã alto, e é muito mais curta e alta de assento do que a Nave, a minha antiga e baixíssima Honda CN 250. É também bastante mais curta e leve (!) do que, por exemplo, uma Sym GTS 125, e com menor distância entre eixos. Tem rodas doze e catorze, um bom compromisso para a cidade, sem demasiadas concessões ao comportamento em estrada.

Com treze anos no activo, a X8 há muito que deixou de exigir um cheque inicial pesado, como quando era nova.

No papel, parece, pois, ser uma aposta - por uma vez ! - racional. 

Daqui por uns meses, veremos como a ZÉzinha suporta o duro teste da realidade.  


















quinta-feira, 20 de julho de 2017

Galizastúrias (VI)





Fecha-se agora o ciclo de posts dedicados à viagem à Galiza e Astúrias. Não foi propriamente um roteiro, e também a preguiça não me permitiu trazer dicas úteis para uma viagem por estas regiões. O que vos posso dizer é que não vale a pena elaborarem um plano rígido. Se viajarem sempre pelo recorte da costa de Vigo para norte, e prosseguirem pela Costa da Morte até Ribadeo, descendo depois para sul acompanhando o Rio Navia, não vão ficar desiludidos. São centenas de quilómetros de rias, pequenas praias desertas, bosques, e uma curiosa ligação entre serra e mar. E quando abandonarem a costa, o azul dará lugar ao verde que inunda a paisagem natural das Astúrias. Boa viagem.

Talvez se feche também outro ciclo, o da Bala.

Embora goste muito da scooter, e esteja próxima de preencher grande parte dos meus critérios para ser "one motorbike to do it all", a verdade é que temos tido alguma dificuldade em fiabilizar alguns aspectos, curiosamente mais ligados ao kit e às transformações daí decorrentes, do que a uma LML 200 totalmente original. Provavelmente este Galizastúrias 2017 terá sido a última grande viagem da Bala.   




     

















segunda-feira, 10 de julho de 2017

Galizastúrias (V)







Cada um dá o que tem. A fotografia também pode ser uma contribuição.

Sabendo que ia viajar para fora da zona de conforto de máquinas pensadas para deslocações urbanas, é claro que as hipóteses de algo correr mal do ponto de vista mecânico aumentam exponencialmente. É a utilização intensiva de uma scooter pequena, com calor, muitas horas diárias, com centenas de quilómetros em curtos espaços de tempo.


Gerir os equilíbrios de uma equipa também passa por descobrir o que é que podemos dar aos outros que estão connosco, que eles também valorizem. No meu caso concreto, a capacidade analítica para identificação e resolução de problemas mecânicos e, sobretudo, a execução da reparação adequada são aspectos em que não cumpro os mínimos.

Em si mesmo isso não é impeditivo de viajar sozinho, em contextos mais ou menos aventureiros. Já o tenho feito. Mas condiciona. É verdade que muitas vezes abre janelas para outras experiências. Mas, no limite, posso ser obrigado a interromper ou atrasar uma viagem, de tal forma que a arruino. 

São essas capacidades - entre muitas outras, claro - que qualquer um dos membros da equipa de amigos têm para dar e vender. O Rui e o Paulo divertem-se genuinamente a analisar em conjunto as causas e as possíveis implicações de qualquer problema que surja nestas curiosas e vetustas máquinas à beira da estrada. E sujam as mãos até resolverem. O Miguel ouve os mestres com atenção e participa activamente nos comités de crise informais, com deferência mas também com sentido crítico. E executa sem medo.

E eu ?

Fotografo.

Exactamente aquilo que os meus amigos não querem ou não sabem fazer.

E valorizam.












































quarta-feira, 5 de julho de 2017

Galizastúrias (IV)




Para além do gozo que dá manejar e controlar um aparelho fotográfico, dos mais simples aos mais complexos, há muitas outras recompensas que a fotografia pode proporcionar.  

Uma das vantagens óbvias da fotografia que é muito percepcionada é a possibilidade de podermos estender a viagem para além do período de tempo em que estamos fisicamente a viajar.  

O facto de podermos revisitar, ainda que passivamente e sem interacção, pessoas e situações, mas especialmente lugares, cria um reforço de memória que nos ajuda a empurrar informação e sensações para aquela zona do nosso disco rígido que falha menos.

É um factor que eu valorizo na fotografia, até porque tenho uma memória fraca. E não é irrelevante saber que posso, de alguma forma, ajudar a iluminar essas zonas da memória de modo a que informação que gostava de guardar passe a fazer parte de mim, e me saia com naturalidade, mesmo quando não tenho outros recursos a ajudar. Só porque quero e consigo lembrar-me. 

Acredito que a fotografia também tem um papel aqui.















quarta-feira, 28 de junho de 2017

Um Foguete Entre Pinheiros








Já ouviram falar do Scooter Trophy ? Eu pensava que era aquela competição incrível com scooters clássicas em Marrocos, que já teve várias designações, e em que tem participado o Vasco Rodrigues, conhecido vespista do Norte.

No final da semana passada o Duarte, Foguete de Mangualde, liga-me a dizer que no dia seguinte ia participar num outro Scooter Trophy, em Viana do Castelo.

Confesso que nem sabia que tal evento iria ter lugar. Passada a fase da incredulidade, perguntei-lhe com que scooter ia, tendo-me respondido que participaria numa das suas LML, a 150 a 4T, na Classe Série ! Ou seja, uma scooter igual à Azeitona, apenas com pneus de tacos e aligeirada de balons e guarda lamas, com o patrocínio da Motocentral. E que na mesma classe também participaria uma preciosa Lambretta SX 200. Que obviamente ele terá de imediato tentado comprar (!)

Os princípios por que se rege a prova são próximos dos usados na prova de Marrocos, com navegação por waypoints, e algumas nuances na dureza do percurso a distinguir a Classe Pro da Classe Série. Para aferir o nível de dificuldade e dureza para a Classe Série, o Duarte situou a prova em território próximo dos troços mais duros do Lés a Lés tradicional, nada que seja inalcançável a uma scooter de série, com alguma calma e adaptações mínimas.   

A julgar pelas imagens que me enviou e pelo entusiasmo e descrição de aventuras em estradões e pó, seguramente terá valido a pena a experiência.

E a LML aguentou o tratamento.

De série.

Grande foguete.










(imagens: organização do Scooter Trophy Portugal)