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sábado, 29 de agosto de 2009

Cadilláctica Extravagância



Continuando a sobrevoar latitudes nipónicas, recordo aqui mais um projecto que talvez não tenha tido o impacto que merecia.


Trata-se da Yamaha Maxam 3000. É um protótipo datado de 2005 e deve o seu nome à recentemente aqui falada Morphous/Maxam.

A “3000” é uma Maxam diferente, vestida de gala e esticada para uns pornográficos três metros de comprimento.

A ideia central deste projecto foi elevar ao expoente máximo o conceito de luxo numa scooter "long & low".

Como se pode observar do seu perfil, aqui não há compromissos. Repare-se, por exemplo, na quase invisibilidade das rodas, protegidas pelo vestido de noite. A mecânica só lá está para servir aveludadamente os passageiros. Até o condutor aqui pode parecer um passageiro no sentido passivo do termo.

Pormenores como a profusão de materiais nobres, a cuidada pele em cor clara, o guiador largo e de efeito quase semi-circular, a longa e flexível traseira ou a utilização de verdadeiros pára-choques cromados à moda de Chicago tornam-na excêntrica e única.

Aliás, em bom rigor, o que havia de novo (e ainda há) nesta Maxam 3000 não era só a sua capacidade de ser e sentir-se suave, longa e baixa como um Cadillac. A verdadeira diferença era que finalmente uma scooter se parecia com um.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

As Scooters da Kaguya


 




 


Sempre lamentei que os japoneses não comercializassem fora do Japão muitas das suas fervilhantes ideias motorizadas. Desde os pequenos automóveis de 660c.c., verdadeiros pocket-rockets, até a algumas criações de duas rodas arrojadas em vários segmentos, especialmente na classe rainha no Japão, as 400cc, e também, como não podia deixar de ser, no sector das scooters.

Como é tradição nos construtores asiáticos, as justificações para este tipo de restrição geográfica não abundam, pelo que os entusiastas espalhados pelo mundo limitam-se a exercitar a sua imaginação com fotografias e fichas técnicas de máquinas apenas ao alcance dos consumidores nipónicos.

No domínio das scooters “espaciais”, a Honda CN Helix (1985) tem sido unanimemente considerada como a pioneira. Contudo, e apesar de uma quase inacreditável e bem sucedida carreira de 22 anos de produção - se atendermos à especificidade do conceito - o facto é que não teve sucessão. A sua herança mais conhecida é, justamente, a de ter inaugurado um novo separador nos catálogos de duas rodas, as maxi-scooters.

Curiosamente, em 2007, ano em que fechou a linha de montagem da CN Helix, o Japão lançava no espaço a sua famosa sonda de órbita lunar Kaguya.
Porém, dois anos antes da Kaguya, a Yamaha iniciou a comercialização no mercado japonês de um outro objecto espacial, uma scooter a que deu o nome de Maxam, e que vendeu mais tarde no mercado norte-americano sob a designação Morphous. A Maxam/Morphous é uma scooter de 250cc longa, baixa, espaçosa, sofisticada e de traço futurista. Inspirado na Helix, o projecto privilegiava a ergonomia e o conforto dos ocupantes, mas cedeu clara e pontualmente ao design em pormenores como o corte do pequeno ecrã. Muitos clientes substituíram-no por soluções aftermarket que melhoravam a protecção aerodinâmica, mas destruíam o poder das suas linhas. É claramente um caso de design que quebra a convenção.

Infelizmente, a Morphous não esteve disponível no mercado europeu e já saiu do catálogo nos EUA. Chegou a vender-se simultaneamente com a Honda Helix, sendo que esta, incompreensivelmente, até era ligeiramente mais cara do que a Morphous (!). Se tivermos em conta que a Helix esteve praticamente inalterada desde 1985 até 2007 podemos ter uma ideia da inconsciência da Honda. Ou do valor que um ícone pode ter no mercado… Os números de vendas da Morphous nos EUA foram marginais, apesar de não faltarem registos de clientes que juram não se desfazer da sua.

No Salão de Tóquio de 2007 a Suzuki desvendou um protótipo ainda mais arrojado do que a Morphous, a Gemma. Mais recentemente, em meados de 2008, o projecto teve luz verde para produção mas, mais uma vez, apenas no país dos Samurais. O design é desconcertante. Um perfil de jet-ski faz-nos até duvidar da sua inspiração aeroespacial. O prolongamento do braço traseiro e do escape são detalhes quase de street-fighter. Se quisermos ser justos, não será difícil imaginar que estão lá os genes do que será uma scooter-cruiser baixa e longa do século vinte e…dois. Para servir esta peça de quase alta costura a Suzuki escolheu a base mecânica da Burgman 250 e está à venda actualmente no mercado doméstico, tal como a Maxam.

Aparentemente todos estão empenhados na sucessão do mito Helix. Todos…excepto a Honda.