A vontade de ter uma scooter clássica é um estado de alma que vai e vem, mas que raramente confesso. Sim, uma scooter a dois tempos. Ainda me falta passar pela experiência de ter uma clássica a dois tempos.
Suspeito que dentro de poucos anos vamos redefinir totalmente o nosso conceito de scooter clássica. Mas da última vez que pensei nisso, a minha primeira Vespa, a ET2 a dois tempos, não encaixava nessa categoria.
Sucede que, sorrateiramente, com pezinhos
de lã, a revolução que modificará para sempre esta realidade está em marcha.
Por um lado, as motorizações eléctricas
vão ganhando espaço. Um exemplo prático são as scooters Ecooltra que já chegaram a Lisboa em força e em forma de enxame, e que são práticas em certos contextos, acompanhadas pelo conceito de scooter sharing.
Os motores a combustão têm os dias contados. Alguns países da Europa já estão a banir, para um futuro próximo, máquinas com estas motorizações nas cidades. Não sei se já repararam, mas qualquer novo modelo automóvel desportivo lançado hoje que não tenha motorização híbrida, é automaticamente catalogado como o último da sua linhagem, um automóvel moderno à antiga. “O próximo será eléctrico”.
Os motores a combustão têm os dias contados. Alguns países da Europa já estão a banir, para um futuro próximo, máquinas com estas motorizações nas cidades. Não sei se já repararam, mas qualquer novo modelo automóvel desportivo lançado hoje que não tenha motorização híbrida, é automaticamente catalogado como o último da sua linhagem, um automóvel moderno à antiga. “O próximo será eléctrico”.
Por outro lado, e muito mais
assustador: os automóveis autónomos. O pesadelo de qualquer entusiasta da condução. E a indústria
parece que não fala de outra coisa.
O que é que isto representa para as motos ?
O que é que isto representa para as motos ?
Há quem diga que as motos serão
as primeiras a desaparecer, por serem naturalmente incompatíveis com a condução
autónoma. Algumas teorias apontam para que os automóveis movidos a
combustão ou até os eléctricos poderão tornar-se, em poucos anos, uma excentricidade na paisagem, pois serão
simplesmente incomportáveis financeiramente face ao preço exorbitante dos
seguros e dos custos de funcionamento.
Por outro lado, uma outra
corrente defende que o mundo não é nem nunca será o lugar idealizado nas
fantasias dos filmes de ficção científica, quase esterilizado, habitado por seres com
as mesmas motivações, que gostam dos mesmos espaços e objectos, e onde não haja
margem para o imprevisto. É difícil imaginar as nossas vidas estereotipadas dessa maneira.
Fica também por saber o que acontecerá, por exemplo, às bicicletas. Vão desaparecer? Não creio. Mas as perguntas para o carro autónomo versus cálculo de risco são inúmeras. Como reagir face à imprevisibilidade? Um peão na estrada, um cão, um acontecimento fora do programa ?
Não sei.
Sei que estas questões me levam de
volta ao tema inicial: devo comprar aquela Lambretta?
Ou será uma peça de museu antes mesmo de me doerem as costas só de me sentar nela ?


