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domingo, 11 de fevereiro de 2018

Goodbye Bala




Pouco mais de dois anos e doze mil quilómetros depois, chegou hoje o dia de entregar a Bala ao seu novo dono. 

De todas as que tive, esta foi a minha scooter mais fotogénica. E quem me conhece sabe que esse é um aspecto que valorizo.

Mas não o único. 

A separação foi preparada com tempo, pois desde o Verão que a vinha usando cada vez menos, ultrapassada principalmente pelo sentido prático e utilitário da X8 no meu quotidiano lisboeta.

Desde aí, praticamente só saía da garagem para eventos do Vespa Clube de Lisboa, como a Prova do Litro de 2017. Já estava a preparar-me para ir nela no início de Março à Serra da Estrela, onde me levou em 2016.

O período de tempo em que esteve na minha garagem foi relativamente curto, mas, com excepção destes últimos meses, foi bastante intenso.

Recordo em especial uma viagem a solo num fim de semana chuvoso à Serra da Freita em 2016, a participação no Lés a Lés do mesmo ano e, por último, uma gloriosa viagem à Galiza e às Astúrias, em 2017.

Esta viagem a Espanha tocou-me de forma única, como penso que marcou os meus amigos que nela participaram. A Bala foi companheira de luxo nessa aventura. Proporcionou-nos momentos épicos e será sempre lembrada com o carinho que merece.

Não gosto de olhar demasiado para trás. E de ir acumulando scooters.

Ir comprando e vendendo permite-me sobretudo olhar para a frente, que é o que prefiro fazer.

E escrever o próximo capítulo da história.  





















domingo, 8 de outubro de 2017

Trafaria (em)Bala



Feita a ponte de cinco para seis de Outubro, apeteceu-me fazer a ponte de norte para sul, manhã muito cedo. 

Acabei por passar e ficar pela Trafaria, onde já não ia há mais de uma década. Curioso porque a minha percepção não é de distância, mas de proximidade quase diária. É que tenho uma representação da Trafaria no meu gabinete de trabalho há muito, e é um quadro de que gosto.   

A Bala levou-me e tem estado ao serviço há duas semanas. Este foi o primeiro dia em que teve liberdade para espairecer fora da capital, cerca de cem quilómetros. Da brisa do Rio Tejo anormalmente seca para esta altura do ano, às ruas empedradas da Trafaria, e de volta a Lisboa, com passagem em Camarate onde me perdi no Bairro de Angola em busca de uma oficina recomendada pelo Manel para resolver um problema no variador da X8.

Enquanto estava a subir o garrafão para a ponte vindo da Costa, depois de fazer a via rápida, vinha a pensar quão touring esta scooter é. E porque razão a Piaggio nunca fez uma PX a quatro tempos. Esta era a PX que a Piaggio devia ter feito. Afinada como está, é uma delícia.

Dias como este fazem-me duvidar se faz mesmo sentido vendê-la.




quarta-feira, 28 de junho de 2017

Um Foguete Entre Pinheiros








Já ouviram falar do Scooter Trophy ? Eu pensava que era aquela competição incrível com scooters clássicas em Marrocos, que já teve várias designações, e em que tem participado o Vasco Rodrigues, conhecido vespista do Norte.

No final da semana passada o Duarte, Foguete de Mangualde, liga-me a dizer que no dia seguinte ia participar num outro Scooter Trophy, em Viana do Castelo.

Confesso que nem sabia que tal evento iria ter lugar. Passada a fase da incredulidade, perguntei-lhe com que scooter ia, tendo-me respondido que participaria numa das suas LML, a 150 a 4T, na Classe Série ! Ou seja, uma scooter igual à Azeitona, apenas com pneus de tacos e aligeirada de balons e guarda lamas, com o patrocínio da Motocentral. E que na mesma classe também participaria uma preciosa Lambretta SX 200. Que obviamente ele terá de imediato tentado comprar (!)

Os princípios por que se rege a prova são próximos dos usados na prova de Marrocos, com navegação por waypoints, e algumas nuances na dureza do percurso a distinguir a Classe Pro da Classe Série. Para aferir o nível de dificuldade e dureza para a Classe Série, o Duarte situou a prova em território próximo dos troços mais duros do Lés a Lés tradicional, nada que seja inalcançável a uma scooter de série, com alguma calma e adaptações mínimas.   

A julgar pelas imagens que me enviou e pelo entusiasmo e descrição de aventuras em estradões e pó, seguramente terá valido a pena a experiência.

E a LML aguentou o tratamento.

De série.

Grande foguete.










(imagens: organização do Scooter Trophy Portugal)

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Um Prato, Dois Pratos











Parece incrível que o episódio de Reguengos tenha sido a primeira vez em que, saindo de casa de scooter, voltei de reboque para casa.

Só pensei realmente nisso uns dias depois de ter regressado.

Para alguém como eu, que tem uma abordagem às ferramentas quase exclusivamente fotográfica, e de respeito e admiração por quem as sabe manejar, é um verdadeiro milagre que tenha vindo até aqui, passando por alguns lugares verdadeiramente inóspitos, sem que tivesse tido a necessidade de erguer a bandeira branca da paz, vencido pela adversidade mecânica.


Acho que tenho tido sorte.


Neste caso em concreto, até estava na estrada com o Paulo, que para além de bom amigo, alia destreza e capacidade em doses mais do que suficientes para resolver na berma noventa por cento das crises de feitio de uma LML. Se fosse uma Vespa PX essa estatística subiria para noventa e oito.

Depois de chegar à Oldscooter, o Manel teve que validar o diagnóstico feito por telefone, e substituir o prato de bonines.


Para que conste, parece que o prato é uma peça que revela algumas fragilidades, e é aconselhável levar um de reserva em viagens mais afoitas, para as quais a LML não foi pensada. Quem segue este espaço sabe que eu normalmente uso a LML exactamente para funções para as quais ela não foi inicialmente concebida: viajar. E isso também não é culpa dos indianos. É só parvoíce minha. 

O novo prato não é o original e, segundo o Ricardo da Oldscooter, tem um aspecto bastante menos indiano, o que pode significar alguma confiança adicional. O prato que vêem na imagem está a ser reparado, ficando de reserva para novas aventuras. No início de Março irá já à Serra da Estrela. Seria bom sinal ficar esquecido no porta luvas do Sport Billy.



segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Prato Alentej... Indiano





O plano era tentador. Aproveitar um fim de semana com a família no estrangeiro, pegar na Bala e na máquina fotográfica e rumar ao Alentejo, passando a noite em Mértola. Queria ir às Minas de S. Domingos e fotografar com calma. O resto seria um bónus. Uma viagem em modo expresso até Évora ou Reguengos para almoçar, e a partir da Barragem da Amieira queria seguir o road book do Lés a Lés de 2015 para sul, até Mértola.  

Partilhei o meu plano com o Paulo Simões Coelho, que rapidamente aderiu.

Na semana anterior a Bala fez uma birra. Sem que percebesse muito bem porquê, não queria pegar. Pegou depois de empurrão, numa espécie de amuo passageiro. Nos dias seguintes tentei despistar o problema, andando com ela várias vezes, mas o comportamento era normal, como se nada se tivesse passado antes. 

Montei o leitor de road book, imprimi de novo parte da segunda etapa do Lés de 2015 e arranquei cedo no sábado. Ainda antes das nove horas estava no Príncipe Real ao encontro do Paulo. A cidade ainda dormia, o nosso tradicional café no quiosque na praça ficou, por isso, adiado.     

Dia lindo, embora muito frio. Até Évora fomos num ritmo vivo, com a Bala a imprimir a cadência e a Luíza (PX Quattrini), mais rápida, sempre com alguma margem para ultrapassagens. A meio da reserva a Bala engasgou-se, acompanhada de um sonoro ratér. Já tinha acontecido à saída de casa com a bóia do combustível sensivelmente na mesma posição, parecia um problema de alimentação, eventualmente algum lixo no depósito. Recuperou, sem chegar a parar. Continuámos e já sonhávamos com um belo prato alentejano em Reguengos quando, logo depois da velha e bonita ponte do Albardão, sobre o Rio Dejebe, um afluente do Guadiana, a Bala morreu.

Pouco passava do meio dia e meia, e até estávamos adiantados em relação ao programa relaxado que tínhamos previsto. Pensámos que talvez fosse a questão do combustível e enchemos com o jerry de dois litros, para o depósito sair da reserva. Nada. Tinha motor de arranque, mas nada mais.




A partir daí o Paulo foi buscar as ferramentas. A primeira que usámos foi o telefone, a minha ferramenta preferida. O incansável Manel, a alma da Oldscooter, foi dando as instruções ao Paulo. Faísca na vela era coisa que não tínhamos, portanto o Paulo foi executando o périplo no circuito, para descobrir onde é que estava a falha. Depois de um par de chamadas e execução metódica de instruções, conclui-se que o prato de bobines queimou. Impossível de executar a reparação na estrada, sem ferramenta adequada, e sem um prato substituto.

A partir daqui restava o reboque e o penoso regresso a casa de táxi. O Paulo continuou a jornada, pois tinha a família no hotel em Mértola, ao fim do dia. Ainda ponderei regressar de Bianca, mas quando cheguei a casa já era noite e não estava com estofo para fazer quase trezentos quilómetros de seguida, ao frio e sobretudo de noite, quando tinha dormido pouco mais de quatro horas.



No dia seguinte, e depois de onze horas de sono, destapei a Bianca e fui dar uma volta para tomar o pequeno almoço. O contraste entre as duas scooters é tão gritante. Tudo é mais suave na GTS e ao mesmo tempo há reservas de força e potência incomparáveis. Prática, maior e mais confortável. O ideal para viajar. Tão perfeita e fadada para a função que... dá vontade de usar a Bala.




sábado, 20 de fevereiro de 2016

Um Longo Inverno





Nas últimas semanas tenho dedicado muito pouco do meu tempo às duas rodas a motor. Razão mais do que suficiente para me abster de escrevinhar novas entradas no blog. Este facto não significa que não haja alguns projectos em andamento neste sector. Bem como outros, até com bom potencial, que nasceram e entretanto... morreram.

No primeiro caso esteve a primeira ida da Bala, a minha LML 221, à Oldscooter para a revisão dos três mil quilómetros. Como se antevia, a Bala suscitou alguma curiosidade entre a equipa, que queria saber até que ponto o kit Polini e os seus periféricos se comportavam quando instalados numa LML 200 4T. As reacções foram em linha com o que eu esperava. É um tractor em força, mas falta-lhe alegria na parte final da gama de rotações, e a velocidade máxima também não impressiona. Claro que num motor com estas características é normal que tenhamos que fazer escolhas. Afinal, isto não é um VTEC ! A verdade é que, para já, estou bastante confortável com este set up mais touring, sem grandes alaridos nem velocidades de radar. De resto, a revisão correu sem supresas para uma scooter com tão imberbe quilometragem. Óleo e filtro, acrescidos da afinação de válvulas, que de acordo com o Manel (e o manual), é essencial a cada revisão. 





Enquanto a Oldscooter tratava da Bala, desloquei-me em Lisboa durante o dia na própria P125 do Manel. É uma máquina com várias camadas de patine (literalmente) e estranhamente aditiva de guiar. Mas não em ambiente urbano, por culpa de uma embraiagem com molas cuja força rivaliza com algumas máquinas de musculação. Exactamente ao contrário da Bala. Esta P125 monta um T5 com uns segredos bem guardados. E é uma fisga quando lhe instigamos a rotação certa. Desde que seja alta. Para estrada aberta, antevejo que seja o que eu gosto de chamar um motor de chocolate: delicioso. Mas por vezes algo enjoativo, quando usado em doses exageradas.




Está também à porta o primeiro evento do ano, e um dos mais acarinhados no Vespa Clube de Lisboa: a Serra da Estrela. Já estamos na fase em que o tempo se conta em semanas, esperemos que continue a nevar no cume até lá. O ideal mesmo é que neve até às vésperas, para podermos andar lá em cima com estrada desimpedida, idealmente seca, e paredes de neve em volta da estrada, acima das nossas cabeças.

Ora, para as agruras meteorológicas da Serra, que scooter será a ideal ? Piaggio MP3. Foi mesmo uma das primeiras que estive a algumas horas de trazer para a garagem, não fosse um comprador mais afoito se ter antecipado à negociação muito avançada que tinha em curso com o vendedor. Há muito que gostava de ter uma MP3, em bom rigor desde que experimentei uma das primeiras em 2007, logo quando saíram. Essas 250, hoje com alguns quilómetros, começam agora a aparecer a preços mais convidativos. Era um negócio demasiado bom para resistir e constituiria uma adição interessante ao line up actual. A ideia seria gozá-la durante uns tempos e até já estava pré-autorizada pelo desorganizador-mor, o Ernesto, para fazer o Lés a Lés este ano. Que pena. Esta foi mesmo por muito pouco. 
  



Imagem nº 4 - Vespa Clube de Lisboa
Imagem nº 5 - Piaggio


domingo, 31 de janeiro de 2016

Décimo Sétimo Dia (II)





Regresso às imagens da primeira saída do ano para completar um álbum dedicado a esta tarde na estrada. Vinte e quatro imagens nos dois posts, um clássico rolo de duas dúzias de chapas. No tempo da película, em que cada disparo do obturador tinha uma consequência na carteira, havia quase sempre um desafio auto imposto: um rolo tinha que saber contar uma história. Mais curta (24) ou mais longa (36), mas sempre uma coerência estrutural. Em alternativa, um enquadramento de histórias com um fio condutor comum. 

O digital ceifou um pouco esta regra disciplinadora. Em compensação, hoje temos uma liberdade de experimentação que não tínhamos. E a verdade é que ainda temos a película, para quem gosta de fazer as coisas com outro sabor, e obter as recompensas que só a química e o trabalho manual sabe dar. 

Vejo aqui um paralelo: entre a Vespa GTS, a Nikon SLR digital. E a LML, a Nikon 35mm de película.    
































sábado, 23 de janeiro de 2016

Décimo Sétimo Dia




E ao décimo sétimo dia dei a primeira volta do ano. Frio e alguma chuva tímida levaram-me até às praias desertas da região Oeste. Uma atrás da outra, antes de chegar a Peniche.

Gosto de ver estes grandes espaços vazios. Uma praia só para mim. Seja uma praia, um teatro, um estádio, uma fábrica. Convidam a alguma introspecção, ou a imaginar cenários com os olhos fechados de plateias cheias. E silêncios.

É só um dos motivos por que me agrada andar de scooter no inverno. Com o equipamento certo o frio está fora do nosso corpo. Em tudo o que vemos mas distante de nós. Ao alcance da mão. 

A Bala é uma companhia perfeita neste cenário frio. Deixa-se levar e fotografar, mostra-se em sintonia com a paisagem. Melhor até do que a LML verde anterior, pelo contraste do negro. 

Dobrou agora os três mil quilómetros e a apreciação global corresponde à melhor expectativa. Divertida quanto baste, as modificações que tem fazem-na mais cheia em baixos e médios regimes para uma condução fácil e progressiva, sem espalhafato. O ruído é mais do que razoável, sendo embora mais encorpado que o original. O pior defeito é a autonomia, que com a conjugação de um depósito tão pequeno com as vitaminas Polini concorrem para pouco mais de cem quilómetros até à reserva.  

Numa recta longa e sem trânsito nem vento empranchei e consegui ver no velocímetro cento e quinze. Pareceu-me que ainda tinha mais para dar.  O pior é a leveza da frente nessas condições. Pouco recomendável se não quisermos injecções involuntárias de adrenalina.