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quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Uma Heinkel de 1965 para o Lés a Lés






Este texto corresponde à versão longa que o Paulo Simões Coelho escreveu para a Topos & Clássicos de Agosto de 2015. A versão que seguiu para a revista para publicação era mais curta, portanto esta é a primeira vez que o texto original longo é publicado. A leitura da odisseia do Paulo serve não só para fechar com chave de ouro o ano de 2015, mas também como inspiração para os projectos de restauros e viagens de 2016 nas vossas scooters.   


Foi na madrugada da segunda etapa - cerca de 4 anos depois de a ter comprado - que a Heinkel deixou de ser “o restauro” e se transformou na minha scooter. 

Frescos da dormida em Castelo Branco, descíamos a bom ritmo as curvas que levam à barragem de Vila Velha de Ródão quando me dei conta que tinha parado de monitorizar a moto e estava só a gozar a condução, a vista e o fresco da manhã. 

Algures nesse troço que eu tão bem conhecia, desligou-se aquela atenção constante e intensa que procurava distinguir, de entre o manancial de sensações produzidas por qualquer moto em movimento, o primeiro pré-aviso de um problema.

Começava a entranhar a moto e, 2.500kms depois de ter fechado e montado o motor pela primeira vez, tinha começado a acreditar nela: já não precisava de a vigiar a cada segundo como um namorado nervoso que procura os indícios do abandono que tanto teme.

De um problema à espera de acontecer, a Heinkel tinha passado a ser uma scooter confortável, com uma passada larga e uma imperturbabilidade imperial em curva. Foi nesse tombar de uma curva para a próxima ao ritmo da estrada, e na companhia dos que compreendem essa libertação em movimento, que me permiti reconhecer que tinha acabado bem o restauro da máquina que me transportava.

O caminho que me levou até Ródão começou com a compra algo impulsiva de uma Heinkel que estava restaurada de chapa mas bastante cansada de mecânica. Há anos que tomava conta das minhas motos, culminando na “preparação” (na sala de jantar de nossa casa…) do motor da Vespa PX que me acompanha desde sempre. Fruto desse projecto, a PX – Luíza de seu nome - renasceu como uma PX “GT” muito razoável, e veio a acrescentar 2 Lés-a-Lés à sua variada carreira de quase 30 anos nas minhas mãos.

Comparado com projectos anteriores, a Heinkel foi um passo muito maior, quase maior do que as pernas que o deram, mas eu queria mesmo compreender, com as mãos e não só com a cabeça, um motor tradicional a 4 tempos. Por alguma razão decidi que enquanto não soubesse recuperar e manter cames, balancetes, válvulas, platinados e tudo o que os rodeava não me poderia considerar competente como mecânico amador.













O rejuvenescimento da Heinkel avançou sempre por soluços intensos intervalados por longos interregnos, consoante a intensidade do trabalho que paga as peças, e a minha própria energia. No 1º ano, por exemplo, não aconteceu grande coisa à parte gastar dinheiro a acumular peças. Mais tarde, quando ganhei um bom espaço onde trabalhar, houve um ciclo mais intenso de desmontagem geral que acabou com tudo “arquivado” em tupperwares com notas mais ou menos claras e muitas fotografias de pequenos bocados de metal.

“Cortei-me” a começar pelo motor, e refiz primeiro toda a electricidade no quadro nu. Sabia ainda menos de electricidade do que daquele motor, mas a resistência a começar foi menor. É claro que, quando mais tarde vim a pôr o motor no sítio, a montagem eléctrica estorvou um pouco.
 
A reconstrução do motor tão pouco seguiu um ritmo regular. A desmontagem e rectificações necessárias foram relativamente rápidas. Já a parte de baixo do motor só foi fechada após um longo período de estudo para ganhar balanço. O conjunto da caixa de velocidades e mecanismo de selecção era a complexidade máxima que tinha tocado até então. Passei dias a olhar para aquilo, a separar e juntar os carretos; semanas a pensar no conjunto. Quando se tem os desenhos e o manual, o grosso da informação está lá. O problema é quando nos pomos a pensar “e aquilo que não está no manual?”.

De certa forma, o desafio principal do restauro é mais uma questão de persistência, um exercício mental e psicológico, do que de destreza ou habilidade mecânica. É preciso escolher e, sobretudo manter ao longo do tempo, um nível de exigência na qualidade. A seguir é “só” encontrar em nós resistência à frustração quando algo corre mal e temos um martelo à mão. (Ou uma ferramenta com cabo longo, ou um daqueles produtos mágicos que colam tudo, vedam tudo, arranjam tudo…).

Afinal de contas, apertar e desapertar, separar e juntar, ler e seguir as instruções ou especificações do manual eu sabia fazer. Foram sempre as dúvidas que gastavam o tempo: este encaixe é para martelar com força? Ou aqueço? Repasso estas roscas gastas com o macho ou é demasiado arriscado? Esta montagem é para lubrificar ou é a seco? Com ou sem freio? etc., etc...

Aliás, é só quando se aperta a última porca de um conjunto qualquer que começam as dúvidas sérias, as que nos deixam parados dias, semanas... Será que pus as anilhas pela ordem certa? Apertei bem aquela porca vital que agora está fechada lá dentro? Não me lembro! Abro para verificar? Mas depois tenho de refazer tudo! Decide!

E depois temos as tarefas que nos são novas. A remontagem da culassa foi um marco épico, por exemplo, porque eu nunca tinha rodado válvulas. Li tudo o que encontrei e, sim, o YouTube tem dúzias de videos a mostrar como se faz mas não é a mesma coisa que já ter feito. Um dia, finalmente comecei e fiz tudo como nos livros. Quando as montei na culassa e testei, percebi que não fizera o suficiente: não vedavam. Desmonta e repete.

Há muito “desmonta e repete” quando nunca se fez. Há o montar para descobrir e ensaiar o encaixe das coisas e a sequência pela qual se juntam. A seguir, desmontar e verificar. Se tudo parecer bem, tem de se remontar mas agora “como deve ser”. É depois da montagem “definitiva”, e não na verificação anterior, que entra o Murphy e se descobre um erro. Nos piores casos, descobre-se quando já se montou mais um conjunto qualquer por cima. “Desmonta os dois e repete...”

Para finais de Novembro, ainda hoje não sei bem como, percebi que me tinha comprometido com a equipa do costume em como faria o próximo Lés de Heinkel. O Rui Tavares traria a dele e seria a primeira vez que duas Heinkels participavam na prova. Convinha bastante que elas chegassem ao fim se queríamos mesmo demonstrar (a nós próprios? aos restantes 1.138 participantes?) que fazer o Lés com motos com menos de 50 anos de idade e mais de 10 cavalos é para meninos...

O motor ainda estava por fechar em cima da bancada e só tinha 3 meses para acabar se queria testar, rodar e resolver tudo antes de Junho. Daí para a frente, foi intenso e constante, já não havia tempo para ter dúvidas.

Ouvi a voz da Heinkel pela 1ª vez a 1 de Março. Faltava “só” rodar e afinar a moto mas a embraiagem estava pesadíssima, quase impossível embraiar e passar as mudanças. Infelizmente, passar as mudanças é “o” desafio notório das Heinkels que requerem muito treino no comando das velocidades, mesmo quando está tudo bem.

“Desmonta e repete”: lá tirei o motor e reabri para chegar à embraiagem e verificar a montagem seguindo os conselhos e diagnósticos telefónicos do Rui e do Ribeiro, “o mago das Heinkels” da Motocentral. Sem a teimosia e conhecimentos, e as frequentes doses alternadas de pressão, consolo, descascas, encorajamento e apoio destes dois, a scooter ainda hoje estaria em bocados numa estante da minha oficina.

Havia mais para “melhorar” na Primavera: o travão traseiro mal se podia apelidar de abrandador; a peça que comanda o semfim da bicha do conta-quilómetros partiu duas vezes; havia 2 anilhas a mais no apoio da frente do motor que ocupavam indevidamente 2 milímetros de espaço e faziam com que este batesse no quadro quando passávamos por buracos maiores; a luz dos mínimos e do conta-quilómetros...

Em Abril, a Heinkel andava e até já tinha umas centenas de quilómetros, mas para fazer o Lés-a-Lés é preciso mais do que “estar a andar”. Tem de estar tudo bem assente, acamado, ajustado, afinado, apertado, rodado, estável, sólido... Tomei uma das melhores decisões do projecto: levei-a para a Póvoa do Varzim para que o Ribeiro pudesse inspeccionar o meu trabalho, corrigir e resolver o que faltasse. Funcionou; disseram que era pouca coisa que era só preciso saber um pouco mais, ter experiência e conhecimento de segredos das Heinkels. Aprendi tanto com eles…

Voltei a rolar para Lisboa num sábado com bom tempo. Vim lento mas feliz com a homogeneidade geral da condução (finalmente!), e porque já não era necessário ter o braço do Tarzan Taborda para embraiar. Comecei a rodagem a sério, e tudo correu bem quase até ao fim quando, já curto de tempo, fui e vim à Beira - 600kms em 2 dias. No regresso, por alturas de Vila Franca, o dínamo começou a falhar na carga das baterias. Faltavam 3 semanas para o Lés e eu a trabalhar dias compridos.

Estava tão perto de alinhar à partida que não consegui desistir. No sábado seguinte repeti a peregrinação ao Ribeiro. Lá saiu uma vez mais o motor, e mais uma vez o mago operou a sua magia: enterrado nas entranhas de um dos suportes das escovas do dínamo descobriu-se um papel isolador rasgado, o suficiente para permitir a massa onde ela não deve acontecer.

Já não havia tempo para voltar para Lisboa. A scooter ficou no Porto à guarda do Rui, e foi a casa dele que a vim buscar para seguirmos com a equipa até ao palanque da partida.


Paulo Simões Coelho
Lisboa, Julho 2015

















Fotografias nº 1, 5, 12: Paulo Ministro
Fotografias nº 2, 3 e 4: Paulo Simões Coelho

domingo, 2 de agosto de 2015

Lés a Lés 2015 (IV)





Mais imagens reveladas da aventura. Embora estivessem no lote das seleccionáveis, estas não saíram na revista Topos & Clássicos de Agosto.



























quarta-feira, 29 de julho de 2015

Lés a Lés 2015 (III)






Tendo participado nas últimas oito edições, sinto sempre que o Portugal de Lés a Lés é um evento que tem mais de cinco dias. Desfruta-se das mais variadas formas, a mais intensa e evidente das quais na estrada, durante os dias do evento. Mas não só aí. Em certo sentido, o Lés não é um acontecimento, é quase um processo que se desenvolve ao longo do ano. No pré-evento, com a contagem decrescente para a partida, a escolha e preparação das máquinas, a troca de emails em cadeia entre os membros das equipas próximas. E no pós-evento, com a partilha de fotografias que cada um vai registando, os vídeos, as histórias. Algumas perdem-se na tradição oral e nos lugares menos iluminados da memória. Outras passam ao virtual dos ecrãs, ou às páginas de papel da velha imprensa.


É também por isso que, quase como um asceta, gosto de ir libertando postais numa cadência mais lenta, como se estivesse a saborear a revelação de "rolos de doze" da hoje moribunda Kodak, em vez de descarregar um moderno saco de ficheiros numa vertigem.


A partir desta semana, vão também poder aceder em qualquer tradicional quiosque ou papelaria ao número de Agosto de 2015 da revista Topos & Clássicos, onde podem ler dois artigos sobre a experiência deste ano no Lés a Lés. Um deste vosso escriba, acompanhado de fotografias, e outro do Paulo Simões Coelho, que escreve sobre as expectativas, ansiedades, dilemas e recompensas de um recomeço para a sua Heinkel de 1965. A não perder.  































quinta-feira, 9 de julho de 2015

Lés a Lés 2015 (II)





Enquanto a reportagem não é publicada na Topos & Clássicos, e para compensar a espera, revelo mais uns postais sortidos do meu arquivo do Lés a Lés 2015. 






















Quem também nos fotografou e publicou uma imagem de página inteira foi a revista MotoJornal, no seu sumário da edição de 24 de Junho de 2015, número 1361. Contam-se talvez pelos dedos de duas mãos os exemplares da revista que eu terei comprado nos últimos quinze anos. Mas esta tem lugar garantido no meu arquivo. 





domingo, 14 de junho de 2015

Lés a Lés 2015







A 17ª edição do Portugal de Lés a Lés viu a Scuderia Sereníssima, pela primeira vez, com o número um nos escudos. À Heinkel do Rui Tavares, que já tem dois Lés no curriculum (2008 e 2009) juntou-se agora a estreia da minha LML. Na verdade, foi a LML que arrastou a Heinkel para a edição deste ano, porque a Lambretta 190 de 2014 seria demasiado rápida. Aproveitou-se ainda a remontagem da outra Heinkel, a do Paulo Simões Coelho, para termos um trio teoricamente equilibrado em performance, tudo abaixo dos dez cavalos de potência. Para completar a equipa nº 2, convocou-se novamente o Miguel Lázaro, tripulando uma moderna Sym GTS 125. Este ano tínhamos o regresso do foguete de Mangualde, o Duarte Marques, que levou a sua Vespa PX 200, acompanhado da LML 200 do estreante Paulo Castanheira, ambos perfilados na equipa 4. 


O pequeno filme que aqui apresento é uma abordagem simples e pouco elaborada de alguns registos em video que fui fazendo na minha câmera SJ4000. Não é uma linguagem em que eu me sinta particularmente à vontade, nem o video pretende ser completo, é apenas uma visão que talvez corresponda a um processo de aprendizagem e de adaptação meu a este formato que tem quase tudo de novo para mim. 


A história deste Lés a Lés será escrita com mais desenvolvimento, e a seu tempo, no formato de papel, numa revista dedicada a esta temática dos clássicos. 


sábado, 4 de abril de 2015

Uma Heinkel e Um Desafio





Uma Heinkel não se vê todos os dias. Uma Heinkel ressuscitada para a vida pelas mãos do seu proprietário, cuja profissão nada tem a ver com mecânica, é ainda mais raro. 

O Paulo, o metódico homem do capacete laranja que aparece amiúde neste blog, gosta de desafios e este é só mais um. 

Há umas semanas celebrámos com um cappuccino no Príncipe Real os primeiros quilómetros da segunda encarnação da sua Heinkel Tourist A2. Refeita mecanicamente e quase em exclusivo pelas mãos dele, com a ajuda de livros, dicas de amigos e especialistas, conhecimento, versatilidade e muita paciência. 

Depois do desafio do restauro mecânico, vai seguir-se o de tentar apresentar-se e concluir o Lés a Lés deste ano com a Heinkel, em substituição da sua conhecida Vespa P177. Falta-lhe ainda terminar a rodagem, sobreviver a uma embraiagem pesada como um elefante, e realizar um número suficiente de quilómetros para ganhar confiança na fiabilidade da máquina para enfrentar a empreitada.

Depois de superado este extenso caderno de exigências, veremos se ele estará disponível para aceitar um último desafio: escrever sobre a experiência neste mesmo espaço.


segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Heinkel em Montjuic





Montjuic é o parque, a montanha mágica de onde se vê a velha Barcelona e o mar. Já foi aldeia olímpica, mas também circuito. Nos anos setenta, correu-se aqui  o GP de Fórmula 1, cuja última edição teve lugar em 1975, ensombrada por um fatal acidente. As corridas de motos duraram mais onze anos, e também elas não resistiram à conjugação trágica de um circuito rapidíssimo e traiçoeiro com sérias limitações de segurança.

As 24 Horas de Montjuic em moto eram a prova motorizada mais popular em Barcelona. Correram-se entre 1955 e 1986, com vasta difusão, e chegaram a integrar o Campeonato da Europa e do Mundo de Resistência.





Nos primeiros anos corria-se maioritariamente com motos ágeis, de cilindradadas baixas, até 250cc. Incluindo scooters ! José Maria Alguersuari correu em Montjuic na sua Lambretta TV175 de todos os dias, e em 1961 participaram nas 24 Horas duas Heinkel Tourist 103 A1, com 175cc. Terminaram em 10º e 12º da classificação. É precisamente uma delas, a de Albert Pfuhl e Roland Muller, que corresponde à Tourist número vinte e seis que fechou o top ten na montanha mágica nessa edição.





Há um par de anos voltei a Montjuic e fiz quase todo o circuito a pé. Era um circuito incrível, repleto de desafios, com relevos naturais e uma chama intensa. Para pilotos com coragem olímpica.


Imagens: Peprovira e Exposição do Museu da Moto de Barcelona

sábado, 16 de maio de 2009

Karlsruhe Express



Há scooters assim. Que parecem conciliar apenas o melhor de conceitos antagónicos, sem se notarem as suas insuficiências. São simultaneamente conservadoras e avançadas, porque exemplarmente construídas e fruto da melhor engenharia de inspiração aeronáutica. Estranhas porque de design inusual, mas belas porque de personalidade vincada. Confortáveis para viajar mas também rápidas se nos empenharmos numa estrada de montanha.


Entre 1953 e 1965 produziram-se na Alemanha, em Karlsruhe, em quantidades significativamente inferiores aos modelos de topo das rivais Lambretta e Vespa. Os preços altos e a qualidade inquestionável valeram-lhe o epíteto de “Rolls Royce das scooters”.


Para tentar perceber se este rótulo é merecido experimentei a Heinkel Tourist 103 A1 do Rui Tavares, exemplar de 1960.


Entre Arganil e o Piódão a estrada é retorcida como um carrossel, mas a vista é soberba. Sem nenhuma explicação prévia ou conselho, vejo-me aos comandos de uma preciosidade com quase meio século e três gerações de estrada.


A caixa, como boa scooter manual, obedece às ordens da rotação sobre o eixo da manete esquerda. Primeira para cima. Arranco com pouca suavidade, por evidente falta de simbiose com a máquina. Afinal mal nos conhecemos. Esperava um motor pouco rotativo, com um binário forte a baixo e médio regime, e os 175cc do motor dão-me exactamente isso. As três primeiras relações de caixa são próximas, mas a quarta é claramente mais longa, o que se agradece se queremos rolar com pouca ou nenhuma inclinação em subida, mas torna a última marcha quase retórica se precisamos de vencer pendentes acentuadas. Os travões acalmam-me, o que atesta a sua qualidade.


À medida que a estrada se contorce e as colinas se sucedem, vou ganhando confiança e aumento um pouco o ritmo. Viajamos num grupo de talvez uma dezena de scooters, estou a atrasá-los. A caixa continua a parecer-me difícil e, para o meu padrão, pouco precisa. O Rui vai atrás de mim na minha Helix, e tenta explicar-me pelo rádio como fazer: “deixa-a descer a rotação, e só depois engrenas a relação seguinte”. Obrigado, Rui, e desculpa lá…


A partir daqui a taxa de “pregos” reduziu-se para níveis quase razoáveis, e passei a gozar o passeio surpreendido por uma agilidade inesperada, cortesia de um ângulo de direcção muito fechado, e um centro de gravidade invulgar numa scooter, graças ao motor central. Pude então perceber o quão acertada é a fama das Heinkel: conjugam o luxo de uma scooter com o corportamento de uma moto.