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quinta-feira, 6 de abril de 2017

Ocupado a Guiar a Bala




A visível acalmia nas entradas deste blog tem sido ditada quase exclusivamente por bons motivos. Entre eles está o facto de, ao fim de mais de uma década de scooterismo de fim de semana, ter passado a fazer uso diário destes engenhos. Demasiado ocupado a conduzir a Bala pela cidade de Lisboa, estou ainda a gozar uma espécie de êxtase de mobilidade, misturada com uma certa desintoxicação automobilizada. Vou quase em quinze dias em que entrei no automóvel uma única vez.

Não contente com este novo posicionamento geo-estratégico, amanhã estou de partida para uma prova nova no calendário, o Road Miles.

O Road Miles Centro 2017 - Roadbook Challenge é uma prova não competitiva de algum modo inspirada no Lés a Lés, mas exclusivamente em asfalto, com navegação por road book, e centro nevrálgico em Tomar. Estão previstos dois percursos secretos pelos quais se pode optar, com diferentes extensões: trezentas ou quinhentas milhas.

Como ainda estamos no início de Abril, com dias relativamente curtos, e a máquina de serviço será a Bala, juntamente com a Vespa do Paulo Simões Coelho e a Lambretta do Duarte, optámos pelo percurso mais curto, de praticamente quinhentos quilómetros. Pareceu-nos claramente optimista acreditar que seria exequível, sem um esforço a roçar o épico, fazer mais de oitocentos quilómetros de curvas laboriosas num único dia, de scooter.

O facto de o formato da prova ser muito compacto, consumindo apenas três dias incompletos - já que apenas começa na sexta-feira à noite, e no domingo de manhã já estamos de regresso a casa - é uma vantagem enorme perante o novo formato do Lés a Lés, com quatro dias de prova e a mesma distância de sempre, o que na prática significa seis dias reservados para ir, participar e regressar.

Foi também por essa razão que tomámos a decisão de não ir ao Lés a Lés em 2017. Motivou-me algum cansaço natural em nove participações seguidas, mas principalmente o aumento de dias acompanhado pela manutenção da quilometragem total. Esta conjugação vai diminuir muito a distância diária a percorrer, com consequências também na diminuição do endurance e dificuldade da prova. Este factor sempre foi, para mim, uma das principais motivações do Lés. E a organização, este ano, decidiu escolher um caminho mais relaxado - o que se compreende - , mas que não se enquadra tão bem nas minhas preferências como até aqui. Veremos se voltamos em 2018, para os vinte anos do Lés a Lés.


sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Graffiti Lisboeta (IV)





Um graffiti simples, mas que tem mais significado por estar pintado sobre um muro de hospital.


domingo, 29 de março de 2015

Graffiti Lisboeta (IV)






Jogo de sombras. Atrás delas carregam-se expressões. Talvez angústia, medo, revolta, serenidade. Ou loucura. O negro das sombras é o filtro. A luz frontal ficou reservada para iluminar o que não é complexo na imagem: o escudo da LML.



terça-feira, 18 de agosto de 2009

Em Busca do Pó da Velha Lisboa - VCL55



Já mais de um par de vezes me sucedeu estar a viajar, longe daqui, e sentir vontade de comprar um bom guia turístico da minha cidade, Lisboa. Porque a sei merecedora de todos os epítetos que habitualmente lhe são atribuídos: é bela, única, de uma luz inconfundível - sou particularmente arrebatado pela luz lisboeta. E porque à medida que o tempo passa e vai crescendo o meu conhecimento sobre ela, vou escancarando ainda mais a minha ignorância, maior do que gostaria de confessar aqui.


Vem isto a propósito da ideia que o Vespa Clube de Lisboa gizou para celebrar os seus 55 anos. Tradicionalmente assinala-se a efeméride com um passeio no feriado de 15 de Agosto, embora o clube tenha nascido em 14 de Agosto de 1954.

Este ano a proposta era a de pegar num percurso inicialmente pensado para passeio a pé, da Lisbon Walker, e adaptá-lo para utilização em Vespa. Pretendia-se desvendar alguns dos segredos e curiosidades que as mais recônditas ruas, praças, largos e travessas da capital tão bem sabem esconder das suas gentes abstraídas pela azáfama quotidiana. E combater aquela sensação estranha que frequentemente nos assalta ao descobrirmos algo que está sob o nosso nariz diariamente e que ainda não se nos tinha revelado.

Claro que andar de Vespa, em qualquer parte do mundo, é sempre um bom pretexto. Ninguém estranhou, por isso, ver serpentear entre os carris de eléctrico Vespas que vieram propositadamente de paragens mais longínquas, como Ílhavo ou até de… Madrid!

O horário era (muito) ambicioso, longo mas também condensado, combinando um concurso fotográfico com um labiríntico desafio histórico de perguntas e respostas. Desde os bairros mais típicos, como a Mouraria, onde foi possível trocar dois dedos de conversa com a jovem moradora da casa medieval mais antiga da cidade, no Largo da Achada. Até descobrir, nas laranjeiras das Escadas de S. Miguel, que foram os portugueses que trouxeram o fruto da Laranjina C para o velho continente. Ou visitar os mais institucionais Museus do Azulejo e o cosmopolita Museu do Design, onde tem lugar um exemplar da scooter de Pontedera. Ainda houve tempo para conhecer a novíssima Old Scooter, loja-oficina que já ganhou o estatuto de ponto de paragem obrigatório para o culto scooterístico.

Infelizmente a derrapagem no horário não me deixou cumprir grande parte da agenda vespertina, centrada sobre o eixo Bairro Alto-Chiado. Claro que o atraso não me impediu de rever amigos e enrolar o punho da GT no empedrado lisboeta. Mas deixou-me ainda com mais vontade de conhecer a cidade. Agora dêem-me licença: vou ali comprar o Lonely Planet …

sábado, 11 de abril de 2009

Regularidade Guimarães-Lisboa



Confesso-me adepto de tiradas longas em scooter. Quando digo longas não estou a falar de fazer Lisboa-Zurique. Mas aqueles passeios de quarenta quilómetros com uma bucha a meio caminho, tão típico dos numerosos encontros de scooters entre a Primavera e o Outono, sabem-me a muito pouco. Quando ouvi falar do Guimarães-Lisboa, prova de regularidade, a ideia pareceu-me tentadora. Falhei o primeiro, mas lancei o desafio ao meu bom amigo Júlio, que não foi nada difícil de convencer, para voltarmos a reunir a Scuderia Granturismo para o 2º Guimarães-Lisboa.

A prova previa a ligação em percurso secreto até entrega do road book, ligando Guimarães a Fátima, no sábado, e desta cidade até à capital, no domingo. O que nos obrigava a sair sexta-feira à noite de Lisboa, para chegar à cidade berço previsivelmente já de madrugada.


Apesar de um imponderável profissional de última hora, que nos obrigou a sair de Torres Vedras e não de Lisboa como previsto, o plano era simples: N8 até Leiria, N1 até estarmos cansados da nacional. Alternando o ritmo, ora rápido, ora contemplativo, chegámos à Mealhada às 21.45. Boa hora para abastecer o estômago. Seguimos pela N1 até Estarreja e chegámos à conclusão que era melhor opção acelerar a cadência, sob pena de ninguém nos guiar em Guimarães até à Penha.


Chegámos perto da uma da manhã, com um frio algo inesperado. Infelizmente o cenário no alojamento da Penha alternava entre o surreal e o trágico-cómico. Explicaram-nos que se tratava de uma solução de recurso, o que compreendemos. Claro que a organização tudo fez com boa vontade e muito empenho, mas é decididamente um ponto a rever em próximas edições. Noite (muito) mal dormida, especialmente quando já tínhamos 400kms em cima de um dia de trabalho e tudo o que esperávamos era um bom banho quente e um sono retemperador.


No sábado a saída da Penha estava agendada para as 8.30. Estão a ver um road-book tradicional? Esqueçam isso. Aqui impera a orientação mais intuitiva e a economia de palavras e referências. Aliás, viajei sempre sem road-book, o meu era o do Júlio.


Passagem rápida por Felgueiras e Amarante, saindo da terra de Amadeo de Sousa Cardozo em direcção a Mesão Frio, numa estrada que muitas vezes fiz nos saudosos Ralis de Portugal, a caminho dos troços da Aboboreira e Carvalho de Rei. Num deles vi com alguma nostalgia que o acesso ao início do troço já largou as cores da terra. Foi-se o rali, chegou o asfalto. No topo do planalto, cortada à direita em direcção a Baião. Poucos (quase nenhuns) fizeram este pedaço de estrada, passando por Baião, mas estava lá no Road-Book a Fundação Eça de Queirós. Contem com pelo menos uma hora de caminho. Bela estrada, com óptimas curvas a antecipar o cenário de sonho da descida até ao Peso da Régua.

Aqui, confesso que desliguei o "relógio". Parámos para contemplar a magnífica simbiose das vinhas abraçando o Douro nas suas margens. Não me canso desta terra. Quando aqui volto descubro sempre novos motivos de interesse. Vir de GT também permite relaxar, apurar os sentidos e revela-nos outras abordagens da paisagem, novos pontos de observação. Passámos pela Régua sem cuidar de procurar o controlo de passagem- tal era o atraso - e viemos a saber que até já estava fechado, pois encontrámos o Rui Tavares e seus colegas de equipa em Lamego, também com atraso idêntico.

A partir daqui seguimos em grupo e com a companhia do incansável Paulo Salgado e dos simpáticos socorristas de Felgueiras com a mítica ambulância de prova, a cumprir funções simultâneas: médica e de carro vassoura…


Paragem rápida em Castro Daire para um retempero de forças, arrancando em seguida para S.Pedro do Sul. Não me recordo da última vez que ali estive, mas deve ter sido há muitos anos, porque de nada me lembrava. O cansaço aqui pesou-me. Abria a viseira para refrescar nas zonas entre árvores, o piso era sofrível e as curvas muito repetitivas. Apanhámos o LTB e o Hugo que após uma soneca em estrada se juntaram até Anadia.


Antes ainda, tangente a Sever do Vouga. Impressionou-me observar, ainda que de passagem, as instalações fabris colossais, abandonadas há anos, de várias empresas cuja produção deve ter sido importante noutros tempos. Pela imponência das fábricas, Sever do Vouga deverá ter sido um pólo industrial dinâmico. Custa ver o abandono. Tive pena de não parar aqui para fotografar com calma, pois era um óptimo target. Anadia (ou Mealhada) e Leitão são palavras gémeas. Paragem para duas maravilhosas sandes do dito, acompanhadas pela auto-combustão da T5 do Rui Tavares, doutamente dominada pelo LTB. Aqui recuperámos algum ânimo para o troço final, passando por Ansião e Ourém, em direcção a Fátima.


Curioso que repetimos parte do percurso do Lés-a-Lés deste ano, entre o cruzamento para Alcabideque (não confundir com Alcabideche...) e Rabaçal. Já nessa zona tinha havido um calafrio com a Indian Scout do nosso amigo Luís Pinto, com uma saída de estrada felizmente sem consequências. Desta vez foi um amigo de uma GTS que desafiou os limites da física, sendo que a areia desempatou a favor da gravidade (de física, claro!)... Um joelho esfolado e uma nova aerodinâmica na lateral esquerda da Vespa foram os prejuízos a lamentar. A ambulância demorou 15 segundos a chegar ao local (!), tal era a proximidade.


Em Fátima esperava-nos uma Residencial que chegou e sobrou para as necessidades. Confesso que estava bem cansado, com 800 kms em dois dias e uma noite praticamente sem dormir pelo meio. Quarto duplo, banho e descanso, com um jantar simpático de permeio, soube-me a cinco estrelas superior.


O domingo foi dia de passeio a rolar, em direcção ao Cartaxo com passagem por Santarém. Também aqui algumas paisagens inéditas em viagem. Já no Cartaxo, recepção acolhedora e simpática, à semelhança dos Vespa Clubes que colaboraram na Organização da viagem. Até à entrada em Lisboa a principal dificuldade foi tornar o grupo compacto, para entrarmos juntos na capital. Aqui a ambulância deu muito jeito, tornando a caravana rainha de rotundas, cruzamentos e entroncamentos.


Após paragem na Torre de Belém para as fotografias da praxe, controlo final no VCL para o almoço e para as despedidas. 1000kms depois, regresso a casa com a GT inteira. Cansado, mas soube-me a passeio. Dos longos.