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domingo, 26 de junho de 2016

Um Restauro em Três Minutos





Um restauro de uma scooter clássica é um processo moroso e de alguma complexidade, onde o detalhe importa. Não é incomum ouvir histórias de projectos de restauro que deslizam penosamente no tempo, mas acima de tudo no custo.

O preço da mão de obra é pouco sensível ao valor de base do projecto, e ainda menos se reflecte no valor final do objecto terminado. Razão pela qual os restauros, nos tempos que correm, ainda vão sendo populares em entusiastas com jeito e capacidade para fazer muitas fases na sua garagem, como forma até de terapia, mas também defendendo a sua carteira.  

É um trabalho que, quando bem feito, consome intensivamente horas de mão de obra e, em algumas fases, de trabalho de verdadeiro artesão. É quase arte. Também por isso,  e como decorrência da busca pela (quase) perfeição, muitas vezes esse processo cria a sensação de que o resultado final está permanentemente a fugir para a frente no tempo. O que gera erosão, não tanto na chapa, mas principalmente na motivação de quem se lança na empreitada, um verdadeiro teste à resistência motivacional e financeira.

Poder ver em apenas três minutos - e com esta qualidade de filmagem e edição - esse processo do princípio ao fim é um paradoxo delicioso.   


Filme de Barnaby Newton para Retrospective Scooters.

domingo, 26 de outubro de 2014

Restauro ?








No editorial deste mês da revista Motor Clássico, o seu director, Adelino Dinis, faz uma breve incursão pela história dos Concursos de Elegância Automóvel. De acordo com Adelino, existe um antes e um depois de Pebble Beach, nos EUA, há cerca de 50 anos. A evolução que se registou depois, a reboque da progressão técnica e do crescente interesse pelos clássicos, trouxe-nos restauros cada vez mais perfeitos. A par destes, a avaliação pelos jurados especialistas de nível internacional, neste tipo de concursos, também foi mudando. "Mas chegou um ponto em que, para ganhar, proprietários e profissionais faziam, literalmente, carros 100 por cento novos. Eram automóveis autênticos que pareciam réplicas." - escreve o Adelino.


O modo como a FIVA (Federação Internacional do Veículo Antigo) reagiu a este ponto aparentemente sem retorno foi interessante: os parâmetros mudaram e o foco passou a ser dirigido para a preservação e autenticidade. A filosofia do restauro é o grande critério matriz. E para um olhar treinado é relativamente fácil perceber se o objectivo foi salvar o máximo de componentes originais ou, pelo contrário, refazê-los na íntegra, obtendo-se como resultado um veículo que quase nada tem do que saiu de fábrica. "À medida que entra o brilho de algo feito agora, sai a história do objecto original".


Esta recente abordagem, que começou a ser posta em prática no concurso mais importante da Europa, Villa d´Este, mas já está a ser aplicada pelos jurados nos melhores concursos, determina algo muito simples: o estado "melhor do que novo" deixou de ser desejável. Ou seja, a reconstrução total, que é uma actividade nobre, dispendiosa e difícil, não é vista como arte. "A arte está em recuperar tudo o que pode ser salvo e substituir apenas o que está perdido". É ainda mais caro e difícil. Porém, preservar ao máximo a autenticidade é, nos padrões de hoje, o caminho certo para o restauro.



Imagem: Rui Simões