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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Back To The Future






Há dias o meu grande amigo João Ruas enviou-me esta imagem da minha antiga CN.

Antes mesmo de me comprar a CN, o novo proprietário decidiu que a scooter seria objecto de uma intervenção da artista Vanessa Teodoro.


Na altura confesso que fiquei um pouco dividido. Por um lado a CN tinha uma pintura nova e cujo resultado me agradava e a tornava até única. Por outro, queria vê-la num novo caminho, não escolhido por mim.

A verdade é que gosto de ver a CN viva, a rolar todos os dias, noutras mãos que não as minhas. E é refrescante saber que foi objecto de um processo criativo, que representa um fio condutor coerente com a obra da artista.

Entretanto, quase dois anos passaram e é frequente vê-la em Lisboa, embora sempre de passagem.

Curioso é o facto de receber com alguma regularidade fotos da máquina parada em alguma artéria da cidade. Esta última que recebi inclui mesmo o novo proprietário, com um incrível capacete amarelo DMD. Dificilmente se encontraria um capacete mais adequado a esta máquina invulgar.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Obrigado, CN






No meu pequeno mundo, o espaço das scooters é frequentemente um campo de irracionalidade. Não uma irracionalidade dramática, no sentido económico ou despesista. Mas no sentido de agir ao contrário do que a pura lógica imporia. Há vários exemplos deste comportamento no meu curriculum scooterista. A começar no número de scooters por referência ao uso que delas faço. E a acabar em exemplos tão prosaicos como ter uma scooter fiável, como a Honda CN, e optar por vendê-la para ficar com uma LML, de duvidosa fiabilidade.


Este tipo de raciocínio é usado como contraponto às decisões diárias, na sua esmagadora maioria racionais. Quer por deformação profissional, quer até por formatação de perfil.
 
 
A ideia é que a (boa) irracionalidade é necessária para procurar manter os níveis de sanidade mental nos mínimos olímpicos, num mundo em que se trabalha demais, e em que estamos permanentemente a correr esbaforidos atrás de qualquer coisa, geralmente sem importância, e sem sabermos explicar muito bem porquê.


É por isso que no pequeno grupo de scooteristas que me são mais próximos e alinham regularmente no Lés a Lés, nos referimos frequentemente às nossas acções, enquanto scooteristas, como parecendo vindas de um mundo paralelo, ilógico e irracional, em que cada um de nós ocupa o seu lugar numa espécie de nave dos loucos. Porque não fazer o Lés a Lés de Lambretta, ou de Heinkel, ou de LML, ou de Honda Cub ? Quanto mais difícil e lento, melhor.


O que pode parecer só estúpido e pateta, pode gerar graus elevados de satisfação interior e catalisar doses de humor impensáveis numa participação racional.


É um pouco disto que também procuro no mundo das scooters.

Inicialmente a Honda CN 250 correspondeu a um desejo de participar no Lés a Lés de 2009 com uma scooter diferente das demais, suficientemente excêntrica para equilibrar um pouco as atenções dispensadas à Heinkel Tourist do Rui Tavares que comigo fez equipa.


Era suposto ficar seis meses, mas ficou sete anos. Porquê? Porque é talvez a minha melhor scooter. Cinco Lés a Lés em cima daquelas rodas, sem um único queixume. Sem me pedir nada mais do que a regular manutenção de uma máquina actualmente com 21 anos. Nada se partiu, nada deixou de funcionar, nunca fiquei na estrada. Que scooter ! Suspeito que não vá poder dizer o mesmo da LML. E desconfio que a LML não ficará tanto tempo como ficou a CN... 


Simplesmente concluí que três scooters me ocupam demasiado espaço. Na garagem e na carteira.  Mas sobretudo espaço mental. Saber que tenho e não uso, ou apenas o faço marginalmente, quase por obrigação, não é uma medida... racional. Neste caso cai na categoria da má irracionalidade.


No momento em que escrevo a CN já está nas mãos de um coleccionador português de motos inglesas. Mais uma excentricidade na sua colecção.


Do meu lado fica a boa memória e um álbum de fotografias. Obrigado, CN.





















Imagens: Bob (1, 6), Federação Motociclismo Portugal (2, 5)


sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Bihelix







Aqueles que vão seguindo esta página saberão que a Honda CN é a minha scooter mais rodada. Há muito que venho defendendo o quão fácil é ser-se conquistado pela CN uma vez sentado no sofá e empurrado pelo motor suave. Inclinar uma CN ao sabor de uma estrada enrolada equivale invariavelmente a estampar um sorriso pateta na cara, escondido pelo capacete. E o seu estilo à frente do seu tempo vem fazendo cada vez mais adeptos. Desta evangelização em curso vêm resultando algumas aquisições por amigos, que não resistem aos apelos desta estranha scooter.   

Apesar de ser um modelo original, com um significado histórico relevante e relativamente rara entre nós, ainda se vão encontrando alguns exemplares nos classificados e a preços comedidos, embora com alguma irregularidade de oferta.

O que é invulgar é encontrar uma CN não restaurada com dezasseis mil quilómetros, e em condição muito próxima daquela que exibia à saída de um concessionário Honda, há quase dezoito anos atrás. 

Foi exactamente esse negócio que o Miguel Sala encontrou. É a CN cor de vinho que vêem nas imagens. Depois de a ver e testar, percebi que a scooter está realmente nova, justa e a respirar saúde, sem qualquer falha ou pormenor a rever. De longe a melhor CN que já experimentei. Sorte a do Miguel.       






Num encontro em Mafra numa manhã fria, as duas CN deslizaram pelas estradas que rasgam os montes e vales da Tapada. As fotografias mostram essa cumplicidade das duas japonesas, finalmente em harmonia dentro do rectângulo mágico.
  

















domingo, 15 de junho de 2014

Lambrélix - Lés a Lés 2014 (II)





Mais instantâneos da viagem para desenrolar em formato de road book
























Imagem nº 12: Hugo Reis

sábado, 14 de junho de 2014

Lambrélix - Lés a Lés 2014





Já aqui estivemos antes e sabemos ao que vamos. Pela primeira vez em sete anos tinha a sensação de que 2014 seria um ano bom para faltar ao Lés a Lés, para fazer uma pausa. A décima sexta edição propunha-se, pela primeira vez, rolar em grande parte junto à costa atlântica, em vez de explorar territórios do interior. Pensei que seria muito mais difícil surpreender e ver o que os meus olhos ainda não tocaram. Não me enganei. Fizemos alguns troços mais enfadonhos e ligações de trinta, quarenta quilómetros, quase tenebrosas de feias. Mas as surpresas - que as houve - foram preciosas e pesaram na balança bem mais do que as limitações de uma edição que, provavelmente, teria mesmo que fazer-se assim.









São várias as razões por que é tão difícil desligar do magnetismo que a prova exerce sobre as minhas opções, que sintetizo numa palavra: conceito. Endurance, estrada por pelo menos doze horas por dia, descoberta, pinceladas culturais na medida certa. A estes ingredientes convém adicionar o sal que faz do Lés a Lés a receita imperdível, mesmo em anos previsivelmente menos dotados: scooters improváveis e fortes laços de amizade.




O Rui, o mais conhecedor e eclético scooterista nacional, decidiu levar a Lambretta de coração laranja. Talvez inspirada pela companhia da Helix, a veterana italiana não resmungou uma única vez e foi, nas mãos do Rui, e com grande avanço, a scooter (ou moto) com mais classe que subiu os três palanques, em Lagoa, Peniche e Gaia.    








Uma das diversões maiores era acordar o motor a toque de batuta de maestro, em coordenação perfeita entre as ordens do condutor da Helix, executadas pela orquestra composta pelo kick e controlo do acelerador do Rui na Lambretta, e as goelas do Jetex. Qualquer momento de paragem era uma boa ocasião para mais um número de sincronia e uma ode à sinfonia. Os nossos sorrisos quase infantis e os comentários que se ouviam pelo rádio nos capacetes, eram só mais uma prova do quão simples - e fora de moda - podem ser estes prazeres. 






A Lambretta, apelidada pelo Rui de Handa Nagazoza, foi a estrela maior do evento e provou ser merecedora do número um que, infelizmente, não foi possível conseguir, em favor de oito equipas nas indestrutíveis motorizadas nacionais, este ano quase todas restauradas. Continuo a pensar que a organização devia isentar o Rui do preço da inscrição por levar scooters como esta num evento tão massificado pelas BMW GS, com quase quarenta por cento do parque de motos a pertencer à casa alemã.






A par da Scuderia Sereníssima, com o número nove, viajaram connosco o Paulo, na PX 177, e o Miguel, numa SYM GTS 125, como equipa número dez.






O Paulo fez o Lés pela segunda vez e provou que o seu nível de intimidade com a PX 177, a sua Luíza com "z", não esmoreceu. A Vespa chamou a atenção do grupo e atrasou-nos durante a primeira parte da primeira etapa, concedendo-nos a oportunidade para "lições de mecânica na estrada sob calor escaldante", partes I e II, sendo que a parte III ficou reservada para o parque fechado em Setúbal, já depois do almoço. Humor refinado, resistência acima da média e dotes mecânicos fazem do Paulo um scooterista que qualquer equipa quer ter.






O Miguel foi a surpresa da edição deste ano. Com nove meses e menos de quatro mil quilómetros de experiência, este scooterista emergente da directiva das 125 sentiu-se seguro e à vontade no ritmo e nas exigências da prova, e provou o meu ponto há anos: que com gosto pelas duas rodas, um pouco de jeito e intuição, o Lés a Lés está ao alcance de qualquer um, em qualquer moto.        






quarta-feira, 28 de maio de 2014

Pré-Prólogo






Em jeito de prólogo do Portugal de Lés a Lés, três quartos do grupo destacado para rumar a sul já no próximo dia 6 de Junho decidiu reunir-se para uma tarde de scooterismo de estrada, depois de semanas de scooterismo de garagem e solidão com ferramentas, para uns, e de scooterismo de internet para comprar as últimas peças, para outros.








Encontro marcado para Torres Vedras, numa tarde amena, com vários e aleatórios pretextos na agenda: enquanto o Paulo tinha terminado de montar a Vespa PX na véspera e precisava desesperadamente de a testar, por impossibilidade de o fazer até dia 6, o Miguel estava aliviado por finalmente sair à rua vendo a Helix fazer o mesmo movimento desimpedindo a sua garagem. Eu estava a precisar de garantir que ainda sabia andar de scooter e desfrutar, vaidoso, a minha renovada Helix. Ao Rui, o elemento da equipa geograficamente desfavorecido pelo programa, contámos a versão oficial: íamos dar uma volta para testar os rádios. 














Ter três quartos da frota pronta a quinze dias do Lés a Lés é inédito e concordámos que merecia uma comemoração condigna. Decidimos reproduzir o percurso da última Regularidade do VCL, mas sem os troços de terra, e fizemo-lo quase na íntegra. Rolámos tranquilos, não caíram parafusos, os rádios funcionaram perfeitamente, e nem foi preciso esvaziar jerrycans - penso que já referi atrás que o Rui não veio. 


A Handa Nagazoza continua com uma instalação eléctrica para fazer. Deve ser das Lambrettas. No ano passado, por esta altura, a do Duarte era um caixote de peças. E foi a estrela que se viu. Nunca menosprezo uma Lambretta.