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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

MUDE de Scooter



Há colecções e colecções. Esta é uma perdição.

O catálogo que ilustra este post é um almanaque que me vem acompanhando em alguns saborosos pedaços de noite desde há quase uma semana. A verdade é que ainda estou a viajar pelo piso um da antiga sede do extinto Banco Nacional Ultramarino, hoje MUDE - Museu do Design e da Moda - na Rua Augusta, em Lisboa, absorvendo a colecção de scooters de João Seixas.

Magnífica fotografia, textos cuidadosamente preparados, um espólio de assombro.

Desde uma Cushman americana de 1945 até às francesas AGF, Scooterrot, Terrot, Mors, Bernardet, Motobecane, Alma -exemplar único no mundo (!) – Simard, Paloma, Riva, Griffon ou Sterva. Já ouviram falar ? Pois estão todas lá. Também há alemãs: Heinkel, MZ, Goggo (geniais!), a extraordinária Maico Mobil (esta sim, a avó das maxiscooters de hoje ), Maicoletta, CityFix, Binz, Zundapp, Venus, Hércules ou DKW. As outsiders e excêntricas Piatti e CZ. A japonesa Fuji. E as italianas Parilla, Aermacchi, Iso ou Guzzi.

Por entre este deslumbre, as Lambretta, Vespa e a Casal Carina quase passam despercebidas.

Esta colecção é uma viagem na espiral do tempo entre 1945 e 1970. Mas não se confina a esses 25 anos. A exposição extravasa esse período, discutindo as origens, dissecando a época de ouro, a massificação do conceito e o seu declínio. E também as razões do ressurgimento no presente, deixando pistas para projectar o futuro. Num diálogo muito curioso com peças de moda do espólio do MUDE.

No final da visita em família, instei a minha pequena Beatriz, de quatro anos, a dizer-me qual tinha sido a sua eleita. Respondeu-me: a que dá para ires tu, a mãe atrás e eu na caixinha ao lado!

Era a Heinkel Tourist 103 A1 com sidecar Steib L200 e atrelado PAV-40, testemunho de um tempo em que as scooters também eram um veículo para a família.

Um acervo privado para despertar os sentidos do público até 24 de Outubro de 2010. Imperdível. Mesmo que não se mude de scooter.