sábado, 24 de junho de 2017

Galizastúrias (III)



Mais postais no correio galego e asturiano.
















quinta-feira, 22 de junho de 2017

Galizastúrias (II)






A viagem no sentido mais nobre do termo é movida a sonho. A Galiza e as Astúrias são território sonhado, apetecido e ao alcance de umas centenas de quilómetros, não demasiadas. Não havia, portanto, razão para reprimir esse desejo. Bastava aproveitar a alteração de formato do Lés a Lés, manter esses dias indisponíveis nesse corpo perigosamente dinâmico chamado agenda, e lançar a escada aos suspeitos do costume. 

Vamos ?

Fomos.

Um pouco mais de dois mil e duzentos quilómetros depois sobrevivemos. Às birras da Bala, ao calor, à gastronomia galega, ao paraíso verde das Astúrias, ao silêncio e recolhimento interior da descida de Santo André de Teixido a Cariño. De motor desligado, como se fossemos pássaros.



















sexta-feira, 9 de junho de 2017

Galizastúrias









Calma. A Bala fotografada num meio elevatório não significa necessariamente avaria. É só um rápido pit stop para a revisão dos dez mil na Oldscooter. A propósito, se quiserem marcar uma revisão na melhor oficina lisboeta de scooters por estes dias, aconselha-se alguma paciência, porque a agenda do outlook vai bater daqui a três semanas, pelo menos. 

Junho é tradicionalmente mês de muitos eventos mototurísticos. Para a semana começa o Lés a Lés e também o IberoVespa, este com bem mais de duzentos inscritos já confirmados.

Como este é um ano sabático no Lés a Lés, decidimos que os dias se manteriam bloqueados na agenda para viajar de scooter entre amigos. Vamos à Galiza e às Astúrias.




 
De mapa Michelin no bolso, para podermos estendê-lo à beira da estrada, se nos apetecer alterar planos.




   

domingo, 7 de maio de 2017

Falsa Partida




Já há umas semanas que aqui tenho vindo para voltar a escrever. Por uma qualquer razão, que vai variando, não escrevo mais de duas linhas e paro.

Neste último par de meses consegui pôr em prática uma aspiração antiga, o uso diário de scooter. Os resultados na melhoria da qualidade de vida notam-se bem e são largamente positivos. Curiosamente têm tido também um efeito perverso, que é o de banalizar o uso da scooter, o que me diminui um pouco a sede de a utilizar. Aquela sensação de satisfação especial, que resulta de realizarmos uma actividade não quotidiana que nos induz satisfação ou gozo. É, porém, um mal menor com o qual é muito fácil viver. Aliás, continuo a ter a possibilidade de reservar para esses momentos pontuais a Bianca.

Para quem leu e ainda se lembra do meu último post, saberá que havia na agenda o Road Miles no início de Abril. E então ?

Bom, por razões de força maior tive que regressar de Tomar - onde já estava com o Paulo e o Duarte - a Lisboa na noite de sexta feira e não tive oportunidade de arrancar na manhã de sábado, para experimentar este novo desafio.  

O Paulo e o Duarte ficaram e gostaram do que viram. Um mini Lés a Lés, sem um milhar de ventoínhas azuis e brancas, com muito tempo e espaço sozinhos na estrada e um road book suficientemente bom para entreter. Na era dos gadgets, a organização tinha uma novidade interessante: a possibilidade de seguir os concorrentes via internet em tempo real, através dos transponders instalados em cada uma das scooters. Passei a poder controlar quando é que o Paulo e o Duarte estavam a abastecer, a descansar na beira da estrada, ou a ultrapassar (!?) outros concorrentes. Basicamente, passei de concorrente a director de equipa ocasional à distância.



















No regresso de Tomar na sexta feira, já noite funda, e algo cansado, vim pelo caminho mais rápido até Lisboa. Ou seja, auto estrada, sem grandes correrias. E preocupado com a distância entre abastecimentos na Bala, já que com a afinação actual, na cidade, não percorro mais de setenta quilómetros, em média. Se conjugarmos a distância entre bombas na auto estrada e o adiantado da hora para procurar abastecimento fora delas, a autonomia era, de facto, um problema. Estava a viajar sozinho, sem o jerry de cinco litros do Paulo, e apenas com o meu jerry, de dois litros.

Imprimi um ritmo certo, entediante, por volta dos noventa à hora na A23 e A1, o que me garantiu ser ultrapassado por camiões, automóveis, cães, gatos e coelhos. Consegui fazer cento e quinze quilómetros com um depósito, o que me assegurou uma média mais normal de quatro aos cem. Totalmente diferente do consumo de Porsche em cidade, cortesia da afinação touring do mestre Manel ao embriagado Polini 22. 




quinta-feira, 6 de abril de 2017

Ocupado a Guiar a Bala




A visível acalmia nas entradas deste blog tem sido ditada quase exclusivamente por bons motivos. Entre eles está o facto de, ao fim de mais de uma década de scooterismo de fim de semana, ter passado a fazer uso diário destes engenhos. Demasiado ocupado a conduzir a Bala pela cidade de Lisboa, estou ainda a gozar uma espécie de êxtase de mobilidade, misturada com uma certa desintoxicação automobilizada. Vou quase em quinze dias em que entrei no automóvel uma única vez.

Não contente com este novo posicionamento geo-estratégico, amanhã estou de partida para uma prova nova no calendário, o Road Miles.

O Road Miles Centro 2017 - Roadbook Challenge é uma prova não competitiva de algum modo inspirada no Lés a Lés, mas exclusivamente em asfalto, com navegação por road book, e centro nevrálgico em Tomar. Estão previstos dois percursos secretos pelos quais se pode optar, com diferentes extensões: trezentas ou quinhentas milhas.

Como ainda estamos no início de Abril, com dias relativamente curtos, e a máquina de serviço será a Bala, juntamente com a Vespa do Paulo Simões Coelho e a Lambretta do Duarte, optámos pelo percurso mais curto, de praticamente quinhentos quilómetros. Pareceu-nos claramente optimista acreditar que seria exequível, sem um esforço a roçar o épico, fazer mais de oitocentos quilómetros de curvas laboriosas num único dia, de scooter.

O facto de o formato da prova ser muito compacto, consumindo apenas três dias incompletos - já que apenas começa na sexta-feira à noite, e no domingo de manhã já estamos de regresso a casa - é uma vantagem enorme perante o novo formato do Lés a Lés, com quatro dias de prova e a mesma distância de sempre, o que na prática significa seis dias reservados para ir, participar e regressar.

Foi também por essa razão que tomámos a decisão de não ir ao Lés a Lés em 2017. Motivou-me algum cansaço natural em nove participações seguidas, mas principalmente o aumento de dias acompanhado pela manutenção da quilometragem total. Esta conjugação vai diminuir muito a distância diária a percorrer, com consequências também na diminuição do endurance e dificuldade da prova. Este factor sempre foi, para mim, uma das principais motivações do Lés. E a organização, este ano, decidiu escolher um caminho mais relaxado - o que se compreende - , mas que não se enquadra tão bem nas minhas preferências como até aqui. Veremos se voltamos em 2018, para os vinte anos do Lés a Lés.


terça-feira, 21 de março de 2017

Uma Vespa 98 Série 0







O mercado das Vespa clássicas é frequentemente inundado de exemplares inflaccionados, que de raros ou especiais têm muito pouco. Não é, seguramente,  o caso deste lote em leilão.

A holandesa Catawiki anunciou há umas semanas que tem para venda a Vespa mais antiga em circulação, uma 98 com o número de série 1003, certificada pelo Registro Storico Piaggio.

Em linguagem de indústria a série 0 é o equivalente a uma pré-série. Significa, nos termos actuais, que nunca devia sequer ter sido vendida, são exemplares de teste ou de imprensa para destruição. Mas em 1946 suspeito que talvez não fosse bem assim. Ou então este foi um exemplar que escapou à morte precoce em mais uma daquelas histórias de veículos clássicos de sobrevivência improvável.

O leilão está actualmente em curso e o valor de martelo estimado está no intervalo entre Eur.250.000 e Eur.325.000. A este valor acrescerá a taxa de comissão a pagar pelo comprador de 9%, a que há que somar o IVA, quando aplicável sobre a comissão. Se o comprador residir fora de Itália terá ainda que pagar os impostos de matriculação devidos se porventura quiser circular legalmente com esta preciosidade.

No momento em que escrevo estas linhas faltam ainda sete dias para o leilão terminar e os dezassete lances feitos colocam a fasquia nos Eur.142.500. Ainda assim abaixo do preço de reserva.

A procura por veículos clássicos realmente raros parece estar num daqueles picos pré-derrocada, construídos com uma amálgama de muita liquidez disponível, medo dos mercados, dos bancos, das acções e do investimento tributável em geral. De vez em quando há umas vagas de refúgio especulativo nos veículos clássicos. Veremos como termina.

imagem: Catawiki

 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Um Prato, Dois Pratos











Parece incrível que o episódio de Reguengos tenha sido a primeira vez em que, saindo de casa de scooter, voltei de reboque para casa.

Só pensei realmente nisso uns dias depois de ter regressado.

Para alguém como eu, que tem uma abordagem às ferramentas quase exclusivamente fotográfica, e de respeito e admiração por quem as sabe manejar, é um verdadeiro milagre que tenha vindo até aqui, passando por alguns lugares verdadeiramente inóspitos, sem que tivesse tido a necessidade de erguer a bandeira branca da paz, vencido pela adversidade mecânica.


Acho que tenho tido sorte.


Neste caso em concreto, até estava na estrada com o Paulo, que para além de bom amigo, alia destreza e capacidade em doses mais do que suficientes para resolver na berma noventa por cento das crises de feitio de uma LML. Se fosse uma Vespa PX essa estatística subiria para noventa e oito.

Depois de chegar à Oldscooter, o Manel teve que validar o diagnóstico feito por telefone, e substituir o prato de bonines.


Para que conste, parece que o prato é uma peça que revela algumas fragilidades, e é aconselhável levar um de reserva em viagens mais afoitas, para as quais a LML não foi pensada. Quem segue este espaço sabe que eu normalmente uso a LML exactamente para funções para as quais ela não foi inicialmente concebida: viajar. E isso também não é culpa dos indianos. É só parvoíce minha. 

O novo prato não é o original e, segundo o Ricardo da Oldscooter, tem um aspecto bastante menos indiano, o que pode significar alguma confiança adicional. O prato que vêem na imagem está a ser reparado, ficando de reserva para novas aventuras. No início de Março irá já à Serra da Estrela. Seria bom sinal ficar esquecido no porta luvas do Sport Billy.