sábado, 27 de outubro de 2012

Cavallino



Itália em Lisboa, numa manhã molhada. De Maranello a Pontedera. A Ferrari sempre foi sinónimo de elite. De desejo. O pecado em forma de automóvel. A Vespa joga noutro tabuleiro, mais terreno, com menos algarismos. É por isso que está fora do stand. Prova que há sonhos que ainda se podem comprar. Ainda assim, a Vespa não abdica da imagética clássica do sonho e do pecado. Como a da maçã encarnada trincada a envolver o seu nome.    






sábado, 20 de outubro de 2012

Princesa Bastarda - LML 125 Automática




Interpretar a evolução do mercado no universo das scooters em geral é tarefa para pedir uma fotografia macro-económica, capaz de movimentar centenas de milhões de euros em números. Se fizermos zoom a essa mesma fotografia vamos encontrar uma realidade micro, mas ainda assim visível a olho nu, que dá pelo nome de novas-scooters-clássicas.

É uma espécie que já esteve em vias de extinção no final da primeira década deste milénio, apenas acarinhada por uma legião de apaixonados pelas clássicas que padeciam de alergia a embraiagens automáticas.

A reabilitação da espécie foi levada a cabo na Europa por iniciativa de um ramo bastardo da monarquia Piaggio que responde pelo nome de LML. A dinâmica particular deste construtor indiano é alavancada pela atenção ao mercado prestada pelo importador para a Europa, que parece saber ler as tendências sem amarras e ter vontade de arriscar.

É esta luta particular entre as duas linhas dinásticas que me interessa aqui focar. De um lado, o sangue legítimo - azul - da Piaggio. Do outro, o sangue bastardo da LML.

Trinta anos após o seu lançamento, a Piaggio deixou de produzir a eterna PX. Estávamos em 2007-2008, altura em que começaram a chegar timidamente à Europa os primeiros contentores com os lotes iniciais das LML Star a dois tempos. A este primeiro e tímido movimento a Piaggio decidiu não responder.

Em 2009 e 2010 a LML provou que era possível não só vender a Star como fazê-lo em mais cores do que as do arco-iris. Os números devem ter provocado um desconforto anormal em algumas cadeiras em Pontedera. Ainda mal refeitos do choque provocado pelo sucesso indiano com ideias italianas, viram a LML engatar a segunda lançando a Star a quatro tempos, sempre com caixa de velocidades na manete esquerda. E a Piaggio continuava à espera, parada com a vela isolada.

No final de 2010, na EICMA, a Piaggio reagiu com uma PX retocada, ainda e sempre a dois tempos. Dois stands mais ao lado, a LML respondia anunciando a 200 a quatro tempos, e várias versões novas da Star, incluindo uma versão de Troféu, território que também ele fôra da Piaggio. A PX fez algum sucesso mas nunca deixou de sentir-se acossada pelo círculo de versões LML Star que a rodeiam. O difícil é escolher uma, tão vasta é a gama.

A goleada segue agora com um novo capítulo, óbvio e previsível: uma Star igual às outras, mas com embraiagem automática. Um evoluido cento e vinte e cinco a quatro tempos. Envelope clássico, carta moderna. O motor trocou de lado com a terceira roda, as mudanças já não se trocam na manete esquerda junto ao punho. Para todo(a)s o(a)s que queriam uma Star, mas não querem mudanças manuais. É o fecho do ciclo na oferta LML e a automática até pode vir a ser  raínha. O preço ainda é uma incógnita em Portugal, mas não é de esperar pretensões estratosféricas em tempos de crise. Pelas minhas contas, o duelo vai em quatro a um.

Imagem: lmlitalia.com

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Pioneiros Regulares (III)



O vosso escriba a controlar no CHP em Sintra, com os comissários
Pedro 42 Ferreira a averbar o tempo na carta, e João Máximo na mesa.
Notem o relógio visível na mesa do controlo.
 

O dia amanhecera com algum nevoeiro típico da romântica vila de Sintra, mas às nove e cinquenta, hora em que entrei no controlo horário de partida (CHP), já havia levantado. Este primeiro controlo do dia correu de acordo com o planeado para a generalidade da comitiva. Um óptimo prenúncio para os cinco controlos seguintes. Quatro deles secretos, os dois primeiros na PR1, no Gradil, e os dois seguintes em Vale Benfeito, que constituíam a PR2. E o quinto e último - CHC - no topo da Serra de Montejunto, esta a recompor-se de um fogo recente mas ainda assim lindíssima, como sempre.


A média do Rali era talvez demasiado rápida, quarenta e cinco quilómetros hora, especialmente na parte final, com o troço de terra. Mas nem sempre um ritmo vivo era compensador, porque alguns sectores no percurso eram susceptíveis de conduzir a penalizações por avanço para os mais apressados, o que significa que exigia o ritmo e a cadência certos, sem enganos, para limpar a prova, o que felizmente ninguém conseguiu. Nem eu próprio que averbei cinco pontos na zero-zero - portanto extra-competição - , conhecendo o percurso e os controlos de uma ponta à outra.




Na verdade, do ponto de vista competitivo o Rali foi uma luta a dois, e com Vespas das décadas de setenta e oitenta, apesar de termos várias máquinas do século XXI em prova. Este facto demonstrou - se preciso fosse - que não é necessária uma Vespa com mais de vinte cavalos para ganhar uma Regularidade.


O primeiro líder foi David Testa, com o número 28 no escudo, que passou para a frente no início da PR1, com Rui Jordão, com o número 6, logo a responder e a reduzir a distância para apenas dois pontos no final do sinuoso e traiçoeiro Gradil.




À entrada para a PR2 a P125X número 6 voltou a brilhar e ascendeu à cabeça do Rali com três pontos de avanço, já com dois terços da distância percorrida.


Na PR2, com pouco mais de dez quilómetros que alternavam mau piso inicial e alguma rectas a exigir moderação no andamento, a Vespa número 28 limpou o controlo no final, ultrapassando novamente na tabela provisória a número 6, que penalizou quatro pontos. Estávamos assim à porta do troço decisivo de terra e da subida final a Montejunto com os dois primeiros separados... por um ponto!


Aqui, a Vespa nº 6 norueguesa voou, e penalizou apenas um ponto por atraso, enquanto a Vespa nº 28 chegou seis minutos depois da hora ideal.




Estava consumada a quarta mudança de líder e encontrado o vencedor da 1ª Regularidade Moderna do Vespa Clube de Lisboa, Rui “Agent” Jordão, com quinze pontos, a quem tive a honra de entregar o prémio final, um belíssimo capacete Vespa da nova série PX. 


Um troféu bem merecido que fechou uma edição que pode ter lançado as bases para um novo clássico no calendário do Vespa Clube de Lisboa.






Imagens nº 1 e 4: Nuno Guicho

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Pioneiros Regulares (II)


 


A princípio a ideia era recuperar as antigas Provas de Regularidade em Vespa. Apesar de o Vespa Clube de Lisboa dispor de um precioso espólio fotográfico de época, não foi possível recuperar qualquer evidência de regras ou regulamentos por que se norteassem aquelas competições, principalmente nos anos sessenta, o auge dos Ralis de Regularidade em Vespa.


Alguma experiência no âmbito das Regularidades em automóveis, muito consolidadas actualmente no âmbito das competições para antigos, permitiram-me ter uma matriz a partir da qual foi possível fazer adaptações e não arrancar totalmente do zero. O próximo desafio era desenhar um regulamento com regras claras e simplificadas, pensadas de raiz para utilizar em scooter por quem nunca ouvira falar em Regularidades.


Optei por fazer sair os concorrentes minuto a minuto e, consequentemente, permitir também que a entrada em cada controlo fosse feita ao minuto, com as contagens de média no final arredondadas também para essa unidade. Facilitavam-se as contas e anulava-se um factor de complexidade desnecessário que representam os segundos no averbamento de tempo numa prova deste tipo.




 



A opção por um percurso foi relativamente fácil. O trajecto entre Sintra e Montejunto tinha três vantagens: não só era próximo da capital, base territorial e natural do Clube, como representava uma etapa para um pouco mais de duas horas, suficientemente extensa para garantir que máquinas e pilotos aqueciam e tinham que encontrar um bom ritmo. E principalmente porque permitia usar um excelente road-book de base na etapa Sintra-Porto do Portugal de Lés a Lés de 2010, com várias alterações mas que não beliscavam o essencial do valioso levantamento então feito pela Federação de Motociclismo de Portugal.


A escolha e decisão quanto aos materiais de apoio foi o passo seguinte, com o cartaz, a sinalética na estrada para seis controlos horários, entre controlo horário de partida e chegada, início e fim de provas de regularidade, vários relógios de controlo e respectivos suportes, elaboração de tabelas com horários para cada controlo para cada participante. E idealizar as cartas de controlo para os comissários averbarem tempos.












Liderada por João Máximo, a direcção do Clube está rodada nestas lides organizativas, embora não neste formato específico de Regularidade. Tratou de toda a parte logística que implicou encomenda e aquisição dos materiais, transporte na carrinha do Clube, escalas de comissários, inscrições e almoço no final da prova, entre outros. Reconhecemos em conjunto o percurso ainda no mês de Julho. O Clube produziu um filme com um tutorial sobre como construir um leitor de road-book home made, e organizou um workshop na sede nas vésperas do evento. Estou convencido que esta medida proposta pela direcção se revelou de enorme alcance e relevância para o sucesso do evento, pois manteve os concorrentes motivados no percurso sem perdas de tempo desnecessárias. Não esperava ver tantas Vespa com leitores de road-book prontos às nove da manhã de Sábado em Sintra.






 




No briefing fiquei um tanto apreensivo quando perguntei aos participantes quantos tinham experiência prévia de leitura de road-book num Lés a Lés. Só um em trinta e seis levantou o braço. Reforcei então que era importante que se focassem no caderno do itinerário, pois não queria a comitiva perdida e sabia que isso aconteceria se não o seguissem. Um concorrente por minuto é muito diferente dos seis num Lés a Lés. Sobra muito espaço entre concorrentes e a probabilidade de se perderem seria bem real se não se esforçassem por interpretar os bonecos. Uma referência também para relembrar as regras de pontuação e as penalidades relevantes, em jeito de sumário executivo, e todos ao relógio no CHP para acertarem os relógios pela hora oficial.

Quando arranquei para o primeiro controlo com a Bianca com o zero-zero no escudo, tive uma sensação de estranha serenidade e regozijo interior. Pensei: caramba, a prova está de pé !!


















 









E a verdade é que, com excepção de alguns – julgo que muito poucos - pormenores secundários, ninguém se perdeu definitivamente, e tudo o que era realmente importante correu… sobre rodas. Fico, por isso, grato a todos os concorrentes por terem aderido ao desafio proposto, e ao Vespa Clube de Lisboa e à sua Direcção, com João Máximo nos comandos, por ter acreditado que podíamos fazer algo diferente, inovando e simultaneamente respeitando e recuperando para o Século XXI uma tradição antiga do Clube.



Imagem nº 10: Nuno Guicho

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Pioneiros Regulares





 
Trinta scooters, trinta e seis participantes, duas horas e um quarto sem paragens, cem quilómetros em asfalto e terra. Uma média dura. Muitos sorrisos.   



 








 










 

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

...3,...2,...1,... GO !



O relógio já está em contagem decrescente para a 1ª Regularidade Moderna do Vespa Clube de Lisboa, a realizar no próximo dia 22 de Setembro. Enquanto coloco este post o Clube faz um workshop na sede com dicas para a montagem do leitor de road-book. E ainda há espaço na lista de inscritos para os candidatos de última hora, usem o e-mail do  VCL para formalizar a inscrição - info@vespaclubelisboa.pt.

Tudo a postos, últimas afinações e preparativos para cumprir os cerca de cem quilómetros do percurso que liga Sintra a Montejunto, com a chegada a seiscentos e sessenta e seis metros de altitude, a uma média legal de quarenta e cinco quilómetros hora.

É um evento muito diferente do habitual, mais exigente para quem participa, e também mais trabalhoso para quem organiza, o que implicou uma mobilização total do Clube.  

Preparámos um percurso selectivo e controlos secretos que vão pôr à prova a capacidade de gestão e condução dos participantes, com duas provas especiais de regularidade que prometem animação, destreza, contas de cabeça e convívio.

Obviamente não seria leal da minha parte participar competitivamente num evento que em grande parte ajudei a desenhar, ainda mais quando ao que parece vai estar em liça um prémio para o vencedor.

Assim, a Bianca vai ser a Vespa zero-zero, a abrir a estrada e a testar os controlos dez minutos antes do concorrente número um. Vêmo-nos em Sintra no Sábado, às nove !

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Regresso da Regularidade




O Vespa Clube de Lisboa acaba de anunciar que vai voltar a organizar um Rali de Regularidade, o primeiro da era moderna, no próximo dia 22 de Setembro, com partida em Sintra.

Foi uma semente que andou no meu bolso durante os últimos anos, e que finalmente lancei à terra em Março, na ida à Serra da Estrela. A ideia pegou, cresceu, e tem entretanto sido discutida e amadurecida no seio do Clube, que a acolheu com entusiasmo nos últimos meses. Várias décadas depois das últimas Regularidades, o formato completo vai voltar à estrada! O reconhecimento está feito, os preparativos ultimados. Fiquem atentos às notícias e ao regulamento que será publicitado pelo VCL, afinem as vossas Vespas e não se esqueçam do relógio !