quinta-feira, 19 de julho de 2012

Desenho e Função



Há algo de fascinante no desenho de uma scooter moderna como a Bianca. Pode dizer-se que o factor de atracção é a herança Vespa. É uma resposta óbvia, mas que não é totalmente verdadeira, nem explica boa parte do íman. Para mim está longe de ser apenas isso. Por exemplo a série LX nunca me atraiu, exactamente o contrário do que sucede com a série GT(S). E se fosse apenas a herança no sentido mais nostálgico, seguramente que teria uma PX ou até uma LML em vez da Bianca.

Steve Jobs, um mago do design, dizia que a maioria das pessoas cometem o erro de pensar que o design é aquilo que uma coisa parece. Mas o design não é só o que os objectos parecem, mas sobre como os objectos funcionam. Ou seja, a função e a forma, muito para além do simples desenho, estático, inerte.

Tomando o exemplo da Bianca. O seu desenho é obviamente importante por si, no seu impacto puramente visual. Mas não se esgota aí a sua relevância. É importante porque permite coisas diferentes. Exemplos ? O volume físico aumentado conduz à (e permite a) capacidade do motor, mas não inibe a economia. A velocidade admitida abre a janela do conforto na coexistência com os outros veículos na estrada aberta. É também sobre isto o design.



8 comentários:

Rui Tavares disse...

Resumindo, é bonita, sim.

Anónimo disse...

acrescenta aí a excelente ergonomia! Está tudo no sítio! ;)
e já agora, que penduricalho é esse que se vê no avental da bianca? uma engenhoca para filmar??
abraço,
Júlio

p.s. - para quando uma voltinha domingueira no montejunto com a tua bianca e a minha branquinha???

Leo_Dueñas disse...

Caro Vasco,

Que bicho te mordeu que andas a filosofar em tamanha profundidade sobre as singelezas da scooter?

Pessoalmente noto nas modernidades scooteristicas um design mais atento à função do que no passado, cujo exemplo mais clássico considero o guidão bojudo, mais seguro e que embute em si mais comodidades da tecnologia e talvez alguma facilidade de montagem.

Sou um franco apaixonado pelo design das scooters, sobretudo as clássicas, mas sinto uma satisfação especial em olhar as nossas contemporâneas através dos olhos de quem as admira mais do que eu e, assim, passar a querê-las e respeitá-las mais do que antes. A nossa paixão ensina de certa maneira.

Forte abraço,
Leo Dueñas

Castanheira disse...

100% de acordo!

VCS disse...

Rui Tavares,

Bonita, sim. Mas nesta noção de design, faz jogo igual com a Heinkel.:)

Abraço,
Vasco

VCS disse...

Júlio,

A ergonomia é um dos factores que amadureceu melhor com a GT(S), e que representou um salto qualitativo importante para as distinguir de grande parte das actuais scooters concorrentes, isto é, não Vespa. É curioso como funciona tão bem e para tantas estaturas diversas.

Abraço,
Vasco

VCS disse...

Leo,

Daqui a 30 anos, provavelmente vamos olhar para as GT(S) como representando um capítulo menor na história da Vespa, se a compararmos com os grandes modelos icónicos dos anos 60 e 70, como as Sprint, Sprint Veloce, ET3 ou Rally. O que talvez seja bastante injusto para as GT(S).

Concordo que por vezes aprender com a paixão e entusiasmo de quem prefere as modernas nos faz olhar para elas de outro ângulo. Se outro mérito não tiver, tem seguramente o de nos ajudar a ver melhor, ou de forma talvez menos preconceituosa e, nessa medida, ajuda-nos a aprender. Se passamos ou não a preferi-las face às antigas, já é outra história.
:-)

Abraço,
Vasco

VCS disse...

Castanheira,

Obrigado pelo comentário, é bom saber que o que escrevi no post faz eco.:-)

Abraço,
Vasco