quarta-feira, 1 de junho de 2011

Até ao Fim do Mundo


Para quem gosta de viajar a solo em scooter, as aventuras épicas do Rui Agent Jordão e da sua inseparável Vespa ajudam a pôr as coisas em perspectiva, e a relativizar a dimensão dos passeios de muitos, incluindo obviamente este escriba.

Depois de duas viagens a Marrocos envoltas em peripécias narradas em estilo novelesco e servidas a conta gotas no scooterpt, o nosso amigo Agent, figura que gera simpatia por onde passa, decidiu desculpar-se com um pretexto para ir à Noruega em cerca de trinta dias na sua Vespa P: o Vespa World Days, encontro que no ano passado visitou Portugal.

Já que estava na Noruega, e num raciocínio comum aos viajantes mais dependentes deste vício, esticou a rota até ao Cabo Norte, unindo o Cabo da Roca, ponto mais ocidental da Europa Continental, em Portugal,  ao extremo norte do Velho Continente.

Com uma média quilométrica difícil de acompanhar por quem não tenha um forte ritmo de endurance, o Rui foi percorrendo o mapa como uma formiga em campanha. Trabalhou tão bem que não foram raros os dias em que acrescentou ao baço odómetro da sua fiel confidente de estrada oitocentos novos quilómetros. O que lhe permitiu relaxar e descontrair apenas com quase metade da maratona cumprida, já nos países nórdicos.  







Os números, os factos e as emoções da odisseia ainda estão por desfiar, permanecendo alojados no disco rígido que o Rui usa dentro do capacete laranja fluorescente. Mestre do suspense no seu estilo peculiar de narração, a sua imagem de marca consiste em misturar-se com facilidade com os locais, olvidar carregadores de telemóveis, e incompatibilizar-se com máquinas fotográficas e seus adereços, o que torna especialmente relevante o que nos possa transmitir através da palavra.

Então e a Vespa ? Foi e veio. Desumanamente carregada e submetida a trabalhos forçados, não renegou a sua imagem de solidez e fiabilidade. Tossiu a espaços. Mas não gripou.

  


Imagens: Rui Jordão

5 comentários:

Leo_Dueñas disse...

Ah, estes vespistas aventureiros que tanto nos inspiram... Alguns dos meus pares parecem ter alergia à estrada, o que fazer?

Abraço,
Leo

VCS disse...

Leo,

O apelo - quase compulsivo - da estrada de que o Agent saudavelmente padece é um vírus que não ataca todas as mentes.
Mas a exposição prolongada às fotografias desta viagem que publiquei no blog aumenta a probabilidade de contágio.

Abraço,
Vasco

scoelho disse...

Texto muito bom, fotos espectaculares! Créditos aos dois!

Anónimo disse...

Parabéns por este belíssimo e cativante texto.

Através do teu relato, também eu vivi, por breves instantes,essa jornada épica aos confins do velho continente, à pendura deste herói e da sua estóica companheira.

Há pois é (!), para viver grandes aventuras, não são precisos milhões. Basta um: - vou até ali e já volto. Obrigado por me lembrares disso.

Um abraço,
Manel Vieira

VCS disse...

scoelho,

Bem-vindo e obrigado pelas palavras simpáticas quanto ao texto.

Manel,

A aventura do Agent é sem dúvida épica e merecedora de nota, não só pelo enquadramento da máquina, mas também pelo que prova sobre a dualidade desejo versus limites. Realmente os limites estão muito menos na nossa carteira do que imaginamos.

Quanto ao Agent, espero que ele passe por cá para nos dar a sua visão em palavras, para acompanhar as imagens que ele fez e que inspiraram o texto.

Um abraço,
Vasco