quarta-feira, 14 de março de 2012

Para Além da Serra



Por contraste com a aspereza da meteorologia na ida à Serra da Estrela no ano passado, desta vez a montanha deu-nos tréguas e premiou com um sol primaveril quem se inscreveu cedo antecipando a queda de flocos de neve.

Reincidi na ida tardia, julgo que fui mesmo o último a chegar na noite de sexta-feira, perdendo uma vez mais o passeio de um dia aos ésses de Lisboa até às Penhas da Saúde. 




Aqui, o micro-cosmos do bar foi temperado, entre conversa, a queijo da serra e requeijão com doce de abóbora.

 
Sábado acordou já tarde, mas ainda muito a tempo do passeio colectivo com a tradicional subida à Torre. Seguimos para Seia em direcção à gastronomia formatada em Folgosinho. As delícias não estavam no prato, mas sim nas curvas da montanha esculpida, por uma vez secas e aptas a receber borracha das pequenas rodas em condições de atrito perfeitas.
















Para não variar experimentei mais algumas scooters, com destaque para a rápida mas assustadoramente destravada P125X do presidente João Máximo, uma séria concorrente ao prémio de "Vespa Mais Lassa Que Já Experimentei". Foi por uma unha negra que não destronou a já clássica raínha nesta classe, a congénere e orgulhosamente bamba P125X do Bob. 






São ambas máquinas que aliam a beleza que só a patine sabe dar, a traços de personalidade fortíssimos. Para as guiar em ritmo regular aconselha-se que, antes de colocar o capacete, degluta um comprimido para a ansiedade.


No regresso do almoço vi em directo e sem filtro a queda aparatosa do Kes & pendura, numa esquerda longa e traiçoeira, que deixou a P125X Oliva com mais cicatrizes do que autocolantes.










A adrenalina foi então baixando lentamente, à medida que a luz se amarelava sobre a encosta que se avista de Gouveia, antecipando uma subida ainda quente ao planalto das Penhas Douradas. O recurso frequente à manete esquerda das Vespa dava lugar agora à primazia para a capacidade de abrandar, em direcção à descida para Manteigas, teste maior aos travões de tambor da maioria das máquinas.






O negro da noite cobriu a serra e trouxe o genuíno frio de Março, que desceu sobre o aço das Vespa, de todas as cores, novas e velhas, reluzentes ou oxidadas.








Na Pousada a lenha ardia e convidava a não sair. Deitei-me cedo e saí também cedo no Domingo, dividindo a estrada com o Bob, para me despedir da Serra e fazer umas chapas, em mais uma máquina fotográfica acidentada e cheia de fita adesiva após uma queda devida a distracção.








Despedimo-nos na Lagoa Comprida, inverti a marcha e dei início ao regresso a solo, sempre por estrada nacional, evitando a A23 e as respectivas portagens. Covilhã, Fundão, Castelo Branco, Vila Velha de Ródão, sempre com o azimute na N18.


Nas Portas de Ródão encostei junto à ponte para almoçar duas maçãs. Tinha pela frente as melhores curvas do dia na ligação a Nisa, onde aproveitei para confirmar que o novo pneu da frente da CN, o Dunlop Scootline SX01F, se segura como osga em parede.




Gavião viu-me passar na casa dos noventa, ganhando balanço no início das rectas da N118 até fazer uma tangente a Abrantes. Cumprimentei o rio Tejo à direita e segui para sul, na direcção da Chamusca. Queria ver a bela ponte encarnada sobre o rio para acesso à Golegã. Demorei-me um pouco a observar e percorri a ponte nos dois sentidos.



Voltei à N118 e desci até ao Porto Alto, cruzando o Tejo a partir dali. Do lado certo do Rio, ainda tinha curvas, mosquitos no ecrã e um depósito quase vazio até casa. Nos eventos longos do VCL, a CN é a companhia certa para partilhar os momentos simples de gosto pela estrada. Mesmo quando quase não se avista neve. 



 

terça-feira, 6 de março de 2012

Clássico de Ficção Científica - Honda CN 250 Helix






Em meados da década de oitenta do Séc.XX o fenómeno das scooters não era novidade no mercado das duas rodas. Associada desde sempre ao baixo custo de aquisição e manutenção, a scooter era um veículo simples, popular e maioritariamente de motorização de massas.


A disseminação do conceito havia sido assegurada há décadas, pelo menos desde o final dos anos 40, à custa do engenho e argúcia dos italianos. A rivalidade entre a Vespa e a Lambretta permitia aos transalpinos que reinassem nos mercados no início da segunda metade do século XX, atentamente seguidos pelos franceses, e também pelos alemães, que recuperavam paulatinamente dos traumas do pós-guerra apostando em realizações robustas e refinadas, tributárias de um superior conforto.


À distância de um continente, num tempo em que o mundo ainda não era uma aldeia global, o Japão lançava-se timidamente com as primeiras experiências, de que é exemplo a rara Fuji Rabbit, ou de modo mais agressivo com as primeiras Honda.


A principal vantagem das scooters residia na sua matriz utilitária, assente nos conceitos de simplicidade e economia. Em contraponto, eram muito limitadas em alcance, velocidade e conforto de rolamento, de tal modo que se mostravam habitualmente desenquadradas se lhes era atribuída uma função turística, ou de mais longo curso.


Como em outras ocasiões na história da indústria motorizada, foram os japoneses que casaram os dois conceitos de um modo inédito. Depois de experiências nos anos 60 com a Juno, uma primeira abordagem a essa síntese havia sido levada a cabo com a CH 250. Mas foi em 1985 que a Honda apresentou ao mundo uma scooter que viria a ter um impacto radical no modo como no futuro se encararia o sector das scooters, reflexos esses que extravasariam até os mais optimistas juízos de prognose dos seus criadores. 


É que, para além de económica na utilização, a CN exibia, pela primeira vez, níveis de conforto dignos de uma mini Gold Wing, especialmente nas áreas do ruído e ergonomia, com o corpo do condutor em posição muito baixa, e os pés para a frente. Uma velocidade de cruzeiro decente para auto-estrada, um depósito de 12 litros e uma verdadeira bagageira traseira. A tudo isto, que já não era pouco, a Honda acrescentou um embrulho de linhas espaciais, em painéis de fibra rectilíneos, de arestas vincadas, num desenho futurista de inspiração nas missões lunares. Hoje olhamos para este design e situamo-lo algures entre o old fashion e a ficção científica.




No Japão a CN foi um sucesso imediato, pelo estilo, conceito e características. Nos Estados Unidos a recepção do mercado foi também entusiástica, especialmente para os utilizadores que se sentiam atraídos por uma scooter que lhes permitia viajar, para além de cumprir as essenciais tarefas quotidianas de uma utilitária. Na Europa as reacções foram mais frias. Em Portugal a CN era uma scooter com preço de moto, o que fazia dela um artigo de luxo ou de elite, totalmente desajustado do conceito que serviu de raiz ao projecto. No início da década de 90 custava no catálogo cerca de 1.200.000$00 (cerca de Eur.6.000), um valor exorbitante para uma scooter, o que limitou a sua aceitação num mercado que nunca foi adepto de motos utilitárias, embora essa realidade hoje esteja em franca mutação.


Observando a CN de perto ressalta de imediato o seu comprimento invulgar, bem como a sua linha de cintura radicalmente baixa. É frequente constatar primeiras reacções de sobrolhos franzidos. Parte delas resultantes da falta de habituação que a raridade do modelo entre nós pressupõe. Mas uma segura maioria decorrentes de uma estética difícil de digerir, e que requer alguma habituação visual.


Quando nos sentamos aos comandos a sensação é estranhamente familiar para quem está habituado às modernas maxi-scooters, sendo difícil acreditar que se trata de um projecto com perto de 30 anos.


Na verdade, muitas das soluções então encontradas vivem hoje em scooters novas. Apenas mais refinadas. Uma das que não vingou e que hoje parece algo bizarra, foi a escolha do layout ciclístico no diâmetro das rodas. Atrás, optou-se por uma roda de 10”, o que permitia uma posição de condução e um centro de gravidade mais baixos. Em contrapartida, o desgaste numa roda tão pequena é maior o que, aliado às aptidões estradistas da CN, criava alguns problemas ao nível do prematuro desaparecimento da borracha traseira.


Também não existe espaço para guardar qualquer objecto por debaixo do banco, o que é hoje um item indispensável para vingar neste competitivo segmento. Ressalvando estas duas excepções, podemos afirmar sem grande margem de erro que o ADN da CN esteve presente na esmagadora maioria dos estiradores dos projectistas das maxis actuais.


Uma das características singulares deste design é a existência de uma verdadeira bagageira traseira, que permite guardar, por exemplo, uma pasta para documentos, entre outros pequenos objectos. Infelizmente não é suficiente para guardar um capacete integral. Não é grave se pensarmos que vamos precisar dele para a gratificante experiência de condução da Helix…





Depois de sentados no sofá, rodamos a chave de contacto. Estendemos os braços que ficam levemente flectidos e elevados até aos punhos, que se encontram num ângulo de 45º face ao sentido de marcha, bem ao contrário do que é habitual numa scooter tradicional.


Percebemos então que é mais baixa do que parece vista de fora. É incrivelmente baixa. Qualquer pessoa com 1,50m deve chegar com os pés ao
chão sentada no banco, luxuoso e imperial. A plataforma permite também variar a posição dos pés, embora tal não seja muito recomendável por causa do travão traseiro de pé.


Para mim, o guiador melhoraria com um ângulo de avanços mais aberto. Algo que viria a ser concretizado na última versão, a Fusion, infelizmente apenas para consumo nipónico.









O ecrã alto da  versão original protege bem o condutor e, para a minha estatura, abrange o ponto de fuga do horizonte.


Olhar em frente proporciona-nos a visão de ecrã gigante, e de um painel digital, tão em voga nas máquinas americanas dos anos 80. Domina um velocímetro que gradua enormes dígitos até aos 199, o que acentua a sensação de comandarmos uma verdadeira nave. Do lado esquerdo uma régua de combustível, à direita outra, mas de temperatura. No limite inferior lemos um clássico odómetro total analógico, um odómetro parcial digital e um relógio. A rematar, um curioso aviso de revisões, programado para transformar o verde em vermelho à medida que se avizinha a mudança de óleo.


A qualidade perceptível corresponde aos normais padrões Honda. Bem construída, sólida, e com bons materiais. O projecto é de meados dos anos 80, o que significa muito plástico. Os comandos são efectivos.


Se olharmos para baixo deparamo-nos com um túnel central que delimita as plataformas tipo skis de neve para os pés, sendo que na ponta direita encontramos o pedal que acciona o tambor traseiro. Esmagá-lo a fundo, simultaneamente com o botão de start, acorda um monocilíndrico de 250cc e apenas 18 cv.


O motor é tão conservador em números como suave. O ruído do escape é baixo, mesmo se rolarmos perto da velocidade máxima. A rotação evolui sempre sem sobressaltos e a curva de binário revela-se plana e linear. O motor parece nunca rodar em stress, a setenta ou a cento e dez quilómetros/ hora, o esforço soa igual. Talvez aí resida o segredo da fiabilidade deste propulsor, não sendo incomum encontrar testemunhos de scooters com mais de cem mil quilómetros sem problemas, verdadeiras viajantes.





Assim que iniciamos a marcha numa CN é fundamental tirar-lhe as medidas. Qualquer manobra a baixa velocidade tem que ser bem calculada, uma vez que a distância entre eixos é enorme e a scooter tem um nariz comprido, bem para além da roda. Atrás também conta com laterais largas, o que exige cuidados redobrados.


À medida que vamos entendendo e apreciando o conceito, vamos percebendo que em seco a Helix admite inclinações insanas, que à partida pensaríamos impossíveis olhando para a silhueta da scooter. É quase um mistério. Mesmo que descontemos a circunstância de o banco ser muito baixo, é inquestionável que as inclinações são avantajadas e a scooter sente-se muito estável, desde que o condutor não pretenda reescrever as leis da física. Mesmo que a CN se mostre algo imprecisa quando o piso é mais irregular, na maior parte das situações o segredo é não tirar acelerador que ela segue bem agarrada à estrada.


É um facto que é lenta de direcção, o que a torna pouco nervosa e reactiva. À partida, esta característica torná-la-ia muito pouco ágil. Contudo, mais uma vez o baixo centro de gravidade compensa, em parte, a desvantagem decorrente de um ângulo de direcção tão conservador.


Para potenciar a travagem mostra-se útil o uso simultâneo do disco frontal em conjugação com o tambor traseiro. Nenhum dos dois é especialmente potente, sendo que o tambor exige afinação com mais regularidade do que seria desejável. Mas bem utilizados são suficientes para as prestações.


O consumo de combustível oscila entre os três e os quatro litros por cada cem quilómetros, valores ainda hoje, no tempo do start-stop, muito aceitáveis para uma scooter desta dimensão alimentada a carburador.


Uma CN mantida regularmente por mãos experientes garante ausência de más surpresas para a carteira do seu proprietário durante largas dezenas de milhar de quilómetros. E o estilo único marca uma diferença que hoje é valorizada, tal como quando surgiu em meados da década de oitenta.


Num anúncio para o mercado norte americano, principal alvo comercial da Helix, a Honda titulava: Helix. Because not everyone wants to look at the world through a 318i windshield. 


A publicidade comparativa com um BMW Série 3, ícone da moda na época, pretendia demonstrar, através de um texto de frases curtas delicioso, quão obsoleta pode ser a via da perseguição contínua dos sucessivos símbolos de status. Um texto paradoxalmente actual para uma scooter que, quase trinta anos depois, envelheceu bem e continua a ser um prazer utilizar diariamente. E que, provavelmente, ficará para a história como a scooter que criou um novo separador nos catálogos de motos.




Imagens 4, 5, 6 e 8 Catálogos Honda Japão e Publicidade Honda USA

sábado, 3 de março de 2012

Ferrugem



Sentei-me, busquei um ponto de fuga. Procurei a palmeira que eu sei que está ali por engano. E que, sem pedir licença, vai sobrevivendo às construções que não era suposto ver cair. Olhei para a luz vertical e recentrei o foco à esquerda. A ferrugem, aqui, pode ser tristemente bonita.


domingo, 26 de fevereiro de 2012

Vespanomics



Os EUA são conhecidos pelo consumo energético desmedido, onde é usual ter na garagem uma pick up V8 e o automóvel da família é invariavelmente um gastador SUV.

A cotação alta do petróleo está também a afectar os norte americanos, pouco habituados a combustíveis caros. Os EUA consomem actualmente cerca de 25% do petróleo produzido mundialmente. O que significa que há muito a fazer neste campo naquele que ainda é o motor da economia à escala global.
   
Ciente deste potencial, a Vespa USA lançou uma campanha que pretende publicitar os pequenos passos que começam a ser dados no sentido do aproveitamento das vantagens das scooters para ajudar a resolver os problemas de mobilidade e congestionamento de tráfego, poluição, poupança, e melhoria da qualidade de vida dos cidadãos.

Até agora os passos dados pelas cidades americanas parecem muito tímidos. Algumas delas, como Boston, San Francisco ou New York começam a criar áreas específicas gratuitas para parqueamento de scooters. O que parece e é muito insuficiente. Mas é um pequeno passo necessário.

Um exemplo de medida que está inscrita na must do list é a necessidade de flexibilizar e simplificar o licenciamento de condutores para a condução de scooters. Na Europa, chamámos-lhe Directiva 125cc. Nos EUA, pensa-se em scooters até 300cc. E quantificam-se os benefícios por referência a 2020.

As melhorias e metas que se pretendem atingir estão enumeradas e explicadas num documento de suporte produzido em parceria com outros construtores de scooters e motos. Estima-se que a mudança de paradigma no transporte individual diário nos EUA significaria uma redução média de 58% do consumo de combustível e de 80% nas emissões de dióxido de carbono. Se a comparação for entre uma Vespa e um Hummer, este consome apenas sete vezes mais.

O flyer publicitário que é a cara desta campanha tem uma imagem inicial - topo do post - que me parece impactante, quantificando as diferenças entre a utilização de um SUV, um carro compacto, e uma Vespa. Tudo numa linguagem suportada pela confortável simbologia de um painel de instrumentos de um SUV.  




imagens: vespausa.com

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Motogiro D´Itália



Entre os tradicionais ciprestes que ladeiam a estrada de terra na Toscana, a Lambretta inclina-se a bom ângulo, descrevendo uma trajectória optimista por dentro, bem consentânea com o ritmo acelerado de uma prova de regularidade.

De autor desconhecido, esta imagem aparenta ser profissional. Pela antiguidade, pelo enquadramento, e pela marca inscrita no canto inferior esquerdo, com alusão à prova.     

Quando vejo uma imagem como esta retorno sempre à ideia de recuperar para o presente o espírito das provas de regularidade desta época. É uma semente que gostava de lançar à terra fértil do Vespa Clube de Lisboa.



terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Clube Sem Fronteiras






Se a scooter foi e é vista como um veículo essencialmente urbano, uma visita ao Vespa Clube de Lisboa vai permitir que essa impressão se alargue. Não só para fora da urbe, como também para longe do rectângulo português. Na sede na Avenida Infante Santo pode sentir-se o peso de quase 60 anos de peripécias e aventuras, muitas delas fora de portas.











Faixas de ralis antigos, placas, troféus, fotografias, posters e outros pedaços de história, sinais do alcance sem fronteiras das Vespa e dos Vespistas. É, também, a responsabilidade de ser o mais antigo clube português de duas rodas.



Bélgica, Itália, França, Holanda, Alemanha, Inglaterra, Espanha são apenas alguns dos países que deixaram a sua marca, através dos Vespa Clubes locais, na história do VCL.  














Do Brasil pude trazer material de clubes locais, como faixas do RGS em Vespa, e autocolantes da Confraria Rio Vespa Clube e da Confraria Vespa Motor Clube Dois Irmãos, de Rio Grande do Sul. Depois de rodar na PX200S da MotoVespa, foram-me entregues em mão no Rio de Janeiro e selados com um abraço ao carioca Leo Dueñas. 




O Presidente do VCL, João Máximo, encarregou-se da tarefa de fiel depositário. A imagem seguinte atesta que os vespistas brasileiros já estão representados em Lisboa, com o Kes, aqui, a assinalar embaixada do Rio de Janeiro.








Alguns dos nossos sinais vão fazer o caminho inverso para o hemisfério sul. Como sinais, como símbolos, são uma representação. De um ideal de companheirismo, de partilha, de amizade, de liberdade, e de entusiasmo em volta da Vespa, desse conceito de metal  que vive atrás de um escudo. Mas que quase juramos que é matéria da alma e dos afectos. Não é por acaso que muitas têm nome próprio.  
  



Símbolos. Símbolos em trânsito. 

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Rali Luso Espanhol 1963



Por vezes a Vespa consegue ser uma inesperada escola de iniciação à  competição.

Estava longe de imaginar que o multicampeão português de velocidade Ernesto Neves, personagem com um fulgurante palmarés de nove títulos nacionais nas competições automóveis em Portugal entre os anos de 1966 e 1973, se estreou nas corridas com uma Vespa GS.

Sob o patrocínio do Vespa Clube de Lisboa, e organizado pelo Clube Atlético de Queluz, realizou-se em 1963 o Rali Luso Espanhol em Vespa. Ao contrário do actual Ibero Vespa, o Rali Luso Espanhol não era um passeio. Era uma prova competitiva de regularidade que ligava Almada à Costa da Caparica, numa extensão de quarenta quilómetros, segundo rezam as crónicas de imprensa da época.

Neves ganhou, ostentando o número treze no escudo da GS que servia como estafeta no escritório da família. O estreante e futuro campeão beneficiou ainda do facto de utilizar a única GS 160 na prova.

Curiosamente, o Rali apenas teve dezanove concorrentes, sendo que a comitiva espanhola que conferia carácter ibérico à competição acabou por não alinhar. Chegaram tarde ao local da partida (!).



Imagens da fotobiografia autorizada de Ernesto Neves em nenemotos.blogspot.com