sábado, 23 de janeiro de 2016

Décimo Sétimo Dia




E ao décimo sétimo dia dei a primeira volta do ano. Frio e alguma chuva tímida levaram-me até às praias desertas da região Oeste. Uma atrás da outra, antes de chegar a Peniche.

Gosto de ver estes grandes espaços vazios. Uma praia só para mim. Seja uma praia, um teatro, um estádio, uma fábrica. Convidam a alguma introspecção, ou a imaginar cenários com os olhos fechados de plateias cheias. E silêncios.

É só um dos motivos por que me agrada andar de scooter no inverno. Com o equipamento certo o frio está fora do nosso corpo. Em tudo o que vemos mas distante de nós. Ao alcance da mão. 

A Bala é uma companhia perfeita neste cenário frio. Deixa-se levar e fotografar, mostra-se em sintonia com a paisagem. Melhor até do que a LML verde anterior, pelo contraste do negro. 

Dobrou agora os três mil quilómetros e a apreciação global corresponde à melhor expectativa. Divertida quanto baste, as modificações que tem fazem-na mais cheia em baixos e médios regimes para uma condução fácil e progressiva, sem espalhafato. O ruído é mais do que razoável, sendo embora mais encorpado que o original. O pior defeito é a autonomia, que com a conjugação de um depósito tão pequeno com as vitaminas Polini concorrem para pouco mais de cem quilómetros até à reserva.  

Numa recta longa e sem trânsito nem vento empranchei e consegui ver no velocímetro cento e quinze. Pareceu-me que ainda tinha mais para dar.  O pior é a leveza da frente nessas condições. Pouco recomendável se não quisermos injecções involuntárias de adrenalina. 


































4 comentários:

Lyp disse...

A bala é de facto fotogénica... Ou será mestria de quem está atrás da máquina? Deve ser das duas coisas.

Mais uns belos cliques, com um texto bom a acompanhar.

Abraço!

Rui Tavares disse...

Não te preocupes. Eu ajudo-te a praticar o reabastecimento por Jerrycan em 51 segundos. Vais ver que é fácil :)
Lindas imagens, by the way.

Leo_Dueñas disse...

Para quem veio do CVT, o clássico câmbio manual está mais que agradando já na segunda LML. Parabéns Vasco por manter a admirável qualidade de imagens e textos que pedem sempre uma segunda ou terceira mirada. Estou voltando com o meu blog, respeito a sua continuidade.

As LML seguem tímidas por aqui, destinadas a um público ínfimo. Tão ínfimo que se destina a um pequeno nicho dentro do já minúsculo público de Vespas clássicas do Brasil. Por preços dolorosamente condizentes com tal exclusividade. Algumas das LML brasileiras que tive notícia têm apresentado desgaste precoce dos discos de embreagem, para os quais já se descobriu que os de PX200 servem nas 150cc e os de Honda Titan (na Europa isso provavelmente não existe) nas 200cc.

Saudações de Ribeirão Preto,
Leo Dueñas

Castanheira disse...

Boas Vasco,
Mais um belo conjunto de fotos, em locais a condizer.
O teu "sofrimento" no dias úteis certamente compensa o privilégio de ao fim de semana estares a 2 passos de locais fantásticos.
Abraço
PC