sábado, 12 de setembro de 2015

Moto ou Scooter ?






Há dias almocei com um amigo há largos anos utilizador diário de scooter, que me apareceu no almoço com uma Triumph Bonneville T100 novinha em folha. Perguntei-lhe pela Piaggio X Evo e disse-me que a tinha entregue na retoma à Triumph. Confesso que ainda não tinha olhado com a devida atenção para a T100, e depois de duas voltas à moto concluí que, aparte a configuração do motor, não está assim tão longe da única moto que, hoje, e nas minhas circunstâncias actuais, consideraria comprar para mim: a Moto Guzzi V7. “Porque é que não compras uma ?”, retorquiu. Fiquei a pensar no assunto e voltei mentalmente a uma questão básica: scooter ou moto ?

Classicamente há três grandes critérios de escolha. Nem todos eles com o mesmo peso e importância, uns são decisivos ou eliminatórios, outros não. Em qualquer deles a escolha pode derrapar na escala do totalmente racional e adequado, ao totalmente irracional e desadequado.  




Em primeiro lugar a forma. Nesta categoria podemos incluir o desenho, as proporções, o tamanho.

Em segundo lugar a função. Neste capítulo afere-se o comportamento em geral,  velocidade, travagem, equilíbrio, segurança, ergonomia, altura ao solo, dimensões das rodas. E também aspectos como a manutenção.

Em terceiro lugar o ego. Uma espécie de feel good factor. Um requisito que, consciente ou inconscientemente nos impomos, que pode ser aparente ou evidente, e que avaliamos como necessário para nos sentirmos bem ao adquirir determinado objecto. Quer seja por satisfação interior, quer seja por assumirmos determinada percepção (verdadeira ou não) por parte de terceiros relativamente à nossa escolha.

Na maior parte dos casos, o critério ego é o que decide. Dito de outra forma, o primeiro e o segundo critérios podem estar preenchidos, mas se o ego não quiser, a compra não se fará. Estou convencido que só assim não será se a compra for definida por critérios quase exclusivamente racionais. O que acontece com alguma frequência com motos ou scooters utilitárias. Mas quanto mais irracional for a compra, maior o peso do ego na definição.

No  meu caso específico, nenhuma das minhas scooters é utilitária, de uso diário.

A compra da Bianca foi definida em grande parte por critérios não racionais. E a LML, embora menos, também. Ajuda não lhes dar um uso diário, o que secundariza a razão em função de factores mais lúdicos, ou do domínio do capricho, ou de ordem sentimental. Porém, em rigor este argumento que serve para a escolha da scooter era perfeitamente reversível: podia comprar uma moto como a Guzzi V7. Não me sairia muito mais caro. Teria mais performance, embora sem excessos, é de uma beleza desconcertante, um V2 transversal, uma moto mais competente para longas tiradas como gosto, com outra polivalência.





Alguns dirão que a V7 até conta com uma imagem mais afirmativa. Masculina. E que uma scooter é e sempre será uma moto fraquinha. Leve, lenta, confinada a percursos curtos, para ir ao café ou para o trabalho. Incapaz de entusiasmar. Não é uma moto a sério.

Discordo.

Adoro motos. Mas, para mim, a scooter é um bicho que representa um equilíbrio. Pode ser irracional, metafísico até: a síntese entre uma bicicleta, um pássaro e uma moto.




6 comentários:

Rui Tavares disse...

Apesar de já saberes a minha opinião, aqui a deixo: Compra e anda com o que te der gozo. Mesmo que o escape esteja a cair. Tenho mais arames.

VCS disse...

Rui,

Guarda os arames para 2016, talvez possas levar a Lambretta de novo e eu consiga acompanhar-te mais de perto.
A Guzzi V7 não está nos meus planos. Mas seria a moto moderna de estrada que compraria se tivesse "espaço" para mais uma duas rodas.
Para já as scooters encaixam no meu puzzle.

Abraço,
Vasco

Nuno Lopes disse...

Vasco, só quem anda de scooter consegue perceber a irracionalidade que nos leva a andar numa "levezinha"...
Quando estava aí, a LaMeLas era o meu veículo diário... Dentro das scooters temos muitas opções... Quem disse que a Bianca não faz uma voltinha pela Europa?

Agora tens que me explicar o porquê de a azeitona já não fazer parte das tuas opções...

VCS disse...

Nuno,

A Bianca faria várias voltas pela Europa, sem dúvida. E a LML também, embora com mais dias para gastar.
Quanto à pergunta do teu último parágrafo, será respondida muito em breve. E suspeito que não te desagradará.

Abraço,
Vasco

Castanheira disse...

O titulo deste blog, é uma pergunta que já fiz n vezes a mim mesmo. Nunca consegui justificar racionalmente a escolha pela mota. Às vezes nem pela scooter. Só mesmo pela paixão... ainda que nem sempre bem alimentada. 😜

Luis Barreto disse...

gostei muito da tua síntese de "scooter": bicicleta, passáro, mota!