domingo, 1 de outubro de 2017

Lisbon Beer Week (VII)





Estas são as últimas imagens do evento do Vespa Clube de Lisboa na Lisbon Beer Week.

Há muito tempo que não me dava tanto gozo fotografar um evento de scooters. A escolha do preto e branco ajudou, mas o mérito vai direitinho para a Fujifilm XT1 e a Fujinon 18 f2.

Fotografar à noite, com a câmera na mão e com tão pouca luz tornou-se quase fácil com esta nova geração de câmeras.






O que me fez pensar quão evoluídos estão estes equipamentos, e que diferença fazem uns poucos anos de desenvolvimento.    

Na era da película estávamos habituados a que um modelo estivesse à venda sem modificações no mercado por ciclos de vários anos. Nos modelos mais clássicos, por vezes esses ciclos mediam-se às décadas. Basta pensar por exemplo numa Nikon FM2.

Com a electrónica e alguma sofisticação crescente a partir dos anos 90, a concorrência, e também o marketing progressivamente mais agressivo, os ciclos passaram a ser mais curtos, mas ainda assim o material (as câmeras) mantinha bem o seu valor.


Com o digital as coisas mudaram radicalmente. A Terra  parece que passou a girar mais depressa em todos os domínios. A desvalorização da generalidade das câmeras (não tanto das boas objectivas) é assustadora, a evolução em cinco anos na era digital é o equivalente a vinte no tempo da película.  

Para o fotógrafo é uma era cheia de desafios novos. O digital incentiva a experimentar, a explorar, a errar e corrigir. Tentativa, erro, correcção. Sem custo, ou com um custo negligenciável. Isso é, inegavelmente, uma vantagem para todos.

Mas talvez ainda melhor é a qualidade de imagem e a sofisticação para o entusiasta, com a progressiva maturidade do digital. Esta XT1 foi lançada há uns três anos. Custa hoje no mercado de usados praticamente um terço do que custava quando saiu. Parece que, no digital, estamos sempre a falar de algo descartável. Usa, rápido, muito e deita fora. Ou troca. Talvez seja assim para a maioria, e é compreensível. É quase tão cruel como a desvalorização do material informático, ou dos telemóveis. Talvez tudo o que é digital, na verdade.

Algo me diz, porém, que por um lado o desenvolvimento actual nestas gamas já ultrapassa o que um fotógrafo entusiasta médio precisa no mundo real. E, por outro, que daqui a dez anos vai continuar a valer a pena fotografar com estes equipamentos. 

Para mim é estranho, porque as câmeras nunca foram descartáveis, a não ser as que tinham esse mesmo propósito - aquelas Fuji e Kodak de plástico e cartão.

Tive várias Nikon, entre elas duas D200, a última ainda a tenho e utilizo. E continuo a gostar, embora não haja como disfarçar que o tempo passou por ela. Já nem sei, mas tem talvez uns dez anos. Hoje já não vale dez  por cento do que custava nova, mas ainda é uma câmera competente e sólida. Fotografo ainda com ela, mas cada vez mais em ambiente muito específico - quase só algum desporto motorizado. Já não sai de casa na mochila com todo o arsenal pesado simplesmente porque pode apetecer fotografar.

Com a XT1 o caso é mais complicado. É mais pequena, mais leve, e não menos sólida. Paradoxalmente é quase toda manual mas mais simples, e com apenas a 18 f2 no saco, sem zooms, é estranhamente nostálgica. O tacto é todo ele mecânico no que interessa. Reconciliei-me nalgum entusiasmo perdido algures com a fotografia com esta câmera. É um objecto que dá gosto manusear, explorar, utilizar. Muito mais, em certos aspectos, do que a D200, tenho que admitir. E tem uma diferença para a D200: até olhar para ela e para os seus detalhes é tempo bem empregue. Algo me diz que talvez fique uma década, como a D200. Talvez até mais.

Nesse aspecto, a minha abordagem é quase a mesma do tempo da película. Quase nunca compro novo, e mantenho muito tempo, em especial na era supersónica do digital.

Quem quer o último grito, hoje, tem que estar quase todos os anos na loja. Pode comprar a  XT2 (pelos tais três terços de preço, cerca de mil e seiscentos euros), que está agora a fazer um ano de idade.

Mas talvez para o ano esse fotógrafo tenha que comprar a XT3 para se manter actualizado.

Convém que tenha bolsos fundos.

Que correria.


3 comentários:

Castanheira disse...

Belas fotos para não variar.
Mas estou a ver que parte do mérito é do equipamento. :-)
Temos de ir tomar um café para me actualizares no mundo do equipamento fotografico. Então as SLR morreram, ou estão a morrer?!
E eu que gosto tanto e estou tão habituado à minha Canon com uns 8 anitos!
Ainda estou ceptico a esse mundo das “hibridas”. Mas pronto, não posso ser “Velho do Restelo”.
Abraç

VCS disse...

Castanheira,

Digamos que as câmeras sem espelho, muito mais pequenas e leves do que as DSLR com espelho, estão a dar muito trabalho à Nikon e Canon, que parecem não acreditar neste "formato", e têm hesitado, ou com modelos "abaixo do par", ou quase sem oferta (Nikon).
A quantidade de fotógrafos e entusiastas amadores a migrar, por exemplo, de Nikon para Fuji, é assustadora.
Quem aproveita é a Sony, a Fuji, a Olympus, entre outras, que têm lançado modelos e novas gamas de objectivas muito capazes e dedicadas a este formato.
Eu tomei contacto com a XT2 por acaso, num evento em que estava um fotógrafo profissional, que me deixou experimentar o equipamento. Ele tinha acabado de comprar o material Fuji e largou as D810 (topo de gama) que usava e todo o equipamento Nikon. Ao princípio achei que ele era doido, mas depois de ele insistir para eu fotografar durante a tarde e noite, fiquei rendido. Não descansei enquanto não comprei uma, embora a mais antiga XT1.

De qualquer forma, é uma guerra comercial e tecnológica interessante de acompanhar.

Abraço,
Vasco

Castanheira disse...

Pois, eu sou cliente Canon à muitos anos e tenho lido que efectivamente estão muito atrás das marcas que referes nesta tecnologia.
A Fuji têm-me cativado acima de tudo pelo design retro dos seus modelos mais recentes, mas tb pelas criticas que tenho lido ocasionalmente.
Mas tenho demasiado material DSLR para pensar em mudar... proximamente. Até porque o uso é apenas de lazer.
Obrigado pelo esclarecimento.
Abraço