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terça-feira, 1 de dezembro de 2015

A Montra de Milão - EICMA 2015 (III)






De entre as várias marcas presentes na EICMA com scooters no catálogo, uma houve que nos deteve por mais tempo: Scomadi.

E não foi pelo facto de o espaço físico do stand ser especialmente apelativo, num dos cantos da feira. Foi mesmo pela circunstância de estar exposto um protótipo - mais um - de uma Scomadi especial.

Para quem não esteja familiarizado com o nome é importante dizer que a Scomadi resultou da reunião de dois entusiastas empresários ligados à PM Tuning Ltd e à Scooter Inovation Ltd, que em 2005 criaram esta nova empresa inglesa.

O lema da Scomadi sempre foi construir uma scooter clássica moderna, um tipo de animal que pode revestir várias formas e ter vários pulmões diferentes,  mas que usa sempre a aparência dissimulada das velhas Lambretta DL. Bom gosto,  portanto.

As versões de 50 e 125cc, refrigeradas a ar, já estavam disponíveis em Portugal. Na EICMA as novidades para comercialização imediata foram a 125cc com refrigeração líquida, e a nova 200cc, todas automáticas.











O desafio da Scomadi parece ser ganhar escala e produzir a preços competitivos, sem comprometer a qualidade. Parece haver alguma dispersão entre as cilindradas baixas, produzidas no Oriente, e que supostamente poderiam dar algum volume, e os projectos mais arrojados, como a Flagship, o modelo com o motor Quasar da Piaggio, que é usado, entre outras, nas Vespa GTS 300.

Este projecto 300 foi agora descontinuado, segundo nos disseram em Milão, por motivos relacionados com o recuo contratual da Piaggio no fornecimento de motores. O que é facto público é que a Scomadi estava a tentar financiar a produção em massa das 300 com recurso a crowdfunding, e aparentemente esse esforço não terá sido suficiente.

Perante este revés os ingleses não desistiram  e apresentaram em Milão algo, para mim, mais apetecível: uma 250cc, a quatro tempos, com transmissão por corrente e seis velocidades.








A origem do motor é desconhecida, sabe-se apenas que é um motor de moto, não proveniente de qualquer scooter. E não será Piaggio. Não é difícil acreditar que seja um motor oriental. 

Parece-me uma ideia tentadora. Afinal, quem mais produz hoje uma scooter nova, com um nível de performance apetecível de fábrica, e de caixa manual ? Resposta: ninguém.






A questão a devolver é: para que mercado apontar ? Alta qualidade de produção, componentes e acabamento, um produto de nicho com poucas unidades e o consequente preço alto ? Ou alguns compromissos  para tentar jogar no tabuleiro dos concorrentes, todos eles com  mais músculo e capacidade de escala, mas sem um produto equivalente ?

Por mim, penso que estaria disponível para olhar com atenção para uma scooter desta natureza, desde que, no mínimo, estivesse em linha com os padrões de qualidade de construção de uma Vespa actual. E menos disponível para um produto de baixa qualidade, com componentes duvidosos, a um preço vinte ou trinta por cento inferior a uma Vespa de cilindrada ou performance equivalente.

Aqui está uma boa questão estratégica para a Scomadi resolver.




quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Scomadi





Depois de anos de desenvolvimento, e de notícias que vão chegando a conta gotas, com sucessivas versões de protótipos no modelo 300 Turismo Leggera, recebi hoje na caixa de correio  um email da Scomadi a dar-me novas sobre a sua representação ibérica, com vários concessionários em Espanha e, para já, um concessionário em Lisboa.
 
Já é sabido há algum tempo que serão disponibilizadas versões de 50cc (na imagem), 125cc, e de 300cc, todas automáticas, mas com inspiração nas DL que a Lambretta produziu no final da década de 60 e início de 70.
 
Há muita expectativa em especial em relação ao que o modelo 300, com o motor Piaggio da GTS, conseguirá oferecer.
 
A Lambretta é uma religião parecida com o Sebastianismo: muitos anseiam por que volte. O problema é que tem havido, ao longo dos tempos, demasiados alarmes falsos por entre o nevoeiro. E nunca apareceu um Sebastião que se aproximasse do original.A Scomadi tem vantagem perante as demais: não usa o nome Lambretta, embora o carregue de outras formas.

Ainda não vi nenhuma Scomadi ao vivo. E estou curioso. Porém, receio que a minha expectativa seja demasiado alta. Não conheço o plano de negócios da Scomadi, mas parece-me que não faz sentido produzir uma scooter com este fardo que não seja de qualidade de construção e de engenharia acima de uma Vespa GTS 300. Posso estar enganado, mas talvez seja mais fácil vendê-la se for realmente um produto de topo, com um preço a condizer, diferenciado, com rigor de materiais acima de qualquer suspeita, e quase hand made. Do que fazer uma scooter em massa no Oriente com controlo de qualidade inconsistente, um produto inferior à Vespa GTS 300, vendendo-a por preço semelhante a esta. Eu não teria dúvidas onde pôr o meu dinheiro.

Não quero antecipar o futuro desta nova investida até porque, como disse, não vi nenhuma ainda. Mas seria bom que as Scomadi viessem para ficar e pelas melhores razões. Fiquem atentos.

Imagem: Scomadi