quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Lambretta ou Robôt ?





A vontade de ter uma scooter clássica é um estado de alma que vai e vem, mas que raramente confesso. Sim, uma scooter a dois tempos. Ainda me falta passar pela experiência de ter uma clássica a dois tempos.

Suspeito que dentro de poucos anos vamos redefinir totalmente o nosso conceito de scooter clássica. Mas da última vez que pensei nisso, a minha primeira Vespa, a ET2 a dois tempos, não encaixava nessa categoria.

Sucede que, sorrateiramente, com pezinhos de lã, a revolução que modificará para sempre esta realidade está em marcha.

Por um lado, as motorizações eléctricas vão ganhando espaço. Um exemplo prático são as scooters Ecooltra  que já chegaram a Lisboa em força e em forma de enxame, e que são práticas em certos contextos, acompanhadas pelo conceito de scooter sharing.

Os motores a combustão têm os dias contados. Alguns países da Europa já estão a banir, para um futuro próximo, máquinas com estas motorizações nas cidades. Não sei se já repararam, mas qualquer novo modelo automóvel desportivo lançado hoje que não tenha motorização híbrida, é automaticamente catalogado como o último da sua linhagem, um automóvel moderno à antiga. “O próximo será eléctrico”.

Por outro lado, e muito mais assustador: os automóveis autónomos. O pesadelo de qualquer entusiasta da condução. E a indústria parece que não fala de outra coisa.

O que é que isto representa para as motos ?

Há quem diga que as motos serão as primeiras a desaparecer, por serem naturalmente incompatíveis com a condução autónoma. Algumas teorias apontam para que os automóveis movidos a combustão ou até os eléctricos poderão tornar-se, em poucos anos, uma excentricidade na paisagem, pois serão simplesmente incomportáveis financeiramente face ao preço exorbitante dos seguros e dos custos de funcionamento. 

Por outro lado, uma outra corrente defende que o mundo não é nem nunca será o lugar idealizado nas fantasias dos filmes de ficção científica, quase esterilizado, habitado por seres com as mesmas motivações, que gostam dos mesmos espaços e objectos, e onde não haja margem para o imprevisto. É difícil imaginar as nossas vidas estereotipadas dessa maneira.

Fica também por saber o que acontecerá, por exemplo, às bicicletas. Vão desaparecer? Não creio. Mas as perguntas para o carro autónomo versus cálculo de risco são inúmeras. Como reagir face à imprevisibilidade? Um peão na estrada, um cão, um acontecimento fora do programa ?

Não sei.

Sei que estas questões me levam de volta ao tema inicial: devo comprar aquela Lambretta?

Ou será uma peça de museu antes mesmo de me doerem as costas só de me sentar nela ?

4 comentários:

Anónimo disse...

Reflexão interessante, mas a resposta à questão será, obviamente, compra!!
Por razões que não são justificáveis, nem sequer minimamente racionais, e que tu tão bem conheces. Basicamente, Carpe Diem!! :)
Abraço
Júlio

Anónimo disse...

Mas essa máquina está mesmo à venda? Se sim, compra 1º e pensa depois.

Não te preocupes com as costas; as dores do assento abafam qualquer problema de costas...

abç,

Paulo

Castanheira disse...

Como entusiasta de tudo o que é classico a motor deparo-me com as mesmas duvidas. De facto muito coisa vai mudar rapidamente no universo auto e moto. Mas ainda assim parece-me que ainda nos resta tempo para usar e desfrutar dessas maquinas infernais chamadas motores a combustão interna.
Como tal a resposta é sem duvida COMPRA e USA o mais possível.
Abraço

Hugo Reis disse...

Meu amigo,

Essa foi a primeira "comichão que cocei" no mundo das scooter. Aliás, pode dizer-se que foi o primeiro clássico verdadeiramente meu, pois nessa altura não tinha nenhum carro pré-clássico e o 850 Coupé ainda era do meu pai.
O único conselho é que compres algo que seja minimamente confortável/utilizável, porque és um "maratonista". Eu fartei-me da minha Vespa, porque não permitia distâncias maiores.
Quanto ao futuro sem condução, acho prematuro condicionar escolhas por isso. Ou, pelo contrário, acho que é uma motivação extra para comprar e usufruir já!
Eu discordo de que as motos sejam os primeiros veículos a desaparecer. Por serem os que menos riscos comportam para terceiros, penso que irão ser o último suspiro de liberdade nas estradas.
Que um dia (distante) os autónomos sejam a regra em cidades ou AE's, acredito. Mas creio que haverá sempre liberdade de se usar um clássico em zonas menos movimentadas.

Abraço,
Hugo