Uma divertida rábula com texto do César Branco, autor do blog ScooterJunkies, que condensa em pouco mais de três minutos a paródia à volta dos encontros de scooter clássicas e a perigosa companhia de algumas automáticas na ortodoxia manual, felizmente muito pouco praticada entre nós.
Para entender o texto convém estar familiarizado com algumas das palavras chave de temas que por aqui também se vão falando, como VCL, ScooterPT, Tamanco, Moscas da Figueira, LAL, ou o Foguete de Mangualde. Se não souberem que no filme a personagem S800 é o autor deste mesmo blog Offramp, esse é um fortíssimo sinal de que provavelmente estão a ler estas linhas por engano.
No âmbito da semana da mobilidade, a u-scoot organizou um evento destinado a dar visibilidade à solução que as scooters representam para as grandes urbes. Num sábado com tempo instável no Campo Pequeno, em Lisboa, o evento tinha o fito de atrair mais público - em especial o menos atento e interessado nas duas rodas - para as vantagens deste meio de transporte.
Vários clubes e fóruns associaram-se ao acontecimento, entre eles o Vespa Clube de Lisboa. Durante a manhã foi possível experimentar scooters das marcas presentes, entre elas algumas eléctricas, e estavam previstos workshops, bem como o contacto com comerciantes do sector e seus produtos.
Participei apenas nas actividades à tarde, o que se resumiu a um passeio pela cidade ao estilo desfile, na companhia de largas dezenas de outras scooters, de clássicas a modernas, pequenas e grandes. Sem incidentes e com uma heterogeneidade diferente dos encontros destinados a clubes, foi uma experiência que permitiu agregar muita gente com este gosto comum, a par de uma visibilidade interessante para a causa a partir de um espaço nobre da cidade.
Eis uma pequena crónica de oito minutos sobre o impacto da scooter em Inglaterra, exibido em 1962 no programa televisivo Look at Life.
Com um rigor de imagem, montagem e locução típica e deliciosamente britânicos, a peça condensa num espaço de tempo invulgarmente curto muitas das perspectivas através das quais podemos projectar o fenómeno scooter.
Desde a pequena resenha histórica e explicação das origens do conceito na 2ª Grande Guerra, à enunciação das vantagens e singularidades do meio de transporte alternativo, e do modo como se integrou no quotidiano. Passando pela dimensão e impacto social de um veículo de transporte utilizado em 40% dos casos por mulheres, mas rudemente testado por homens (!). Pela vertente da produção industrial e da criação de valor. Terminando na génese do entusiasmo clubístico que envolveu estes veículos e que perdura até à actualidade.
É um belo filme pela coerência e rigor conceptual da crónica, pelo estilo, mas também pela riqueza das imagens que nos deixa ver. Destaco uma, quase ao acaso: a sequência do instrutor de condução no seu impecável fato, sentado no segundo banco da reluzente Lambretta de dois guiadores, e um "L" estampado no avental, ensinando uma delicada mulher a domar o selector das velocidades em estrada aberta.
Ao ver o filme, não pude deixar de imaginar-me naquele cenário, de especular sobre como seria viver o fenómeno scooter naquela época.
A esta distância temporal, e pela imagética que o perpassa, o filme revela e deslumbra. Como uma preciosa sucessão de postais.