Não encontro nenhuma explicação óbvia, mas recentemente tenho revisitado este filme amiúde nas gavetas da minha memória. Rodado numa aldeia piscatória na ilha de Lampedusa, é uma peça plena de significados simbólicos. Sobre o mar que oprime e liberta, sobre a loucura, na sua fronteira invisível com a lucidez. Sobre Grazia, uma mulher ansiosa, mas livre e autêntica, um corpo estranho submerso num tecido social conservador, que precisa de respirar. O filme é de uma beleza e lirismo raros.
Não me lembro se, no momento em que escolhi o endereço deste blog, este filme me assaltou o espírito. Conscientemente, talvez não. Mas mais fundo, olhando para esta imagem com que me cruzei agora, é-me difícil acreditar que, naquele momento, não fui influenciado pela linguagem de Respiro.
Imagem: Respiro, de Emanuele Crialese
