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domingo, 18 de fevereiro de 2018

Fugir da Chuva no Alentejo




Nove da manhã de sábado. Depois do pequeno almoço, decido rumar a sul, passando a ponte. Sem planos a partir daí.
Pouco tráfego, manhã fria e muito cinzenta, mas ainda não chove. O Paulo ontem disse-me que talvez fosse melhor ir para norte, se quiser fugir à chuva. Agradeci o conselho, mas apeteceu-me  secretamente contrariá-lo, sem razão aparente. 
Vou na X8 e há uma estreia a confessar: pela primeira vez em alguns milhares de quilómetros em viagens de scooters, transporto comigo o tripé para a máquina fotográfica. Dentro do porta bagagens da X8. Entra pela porta traseira e acomoda-se com facilidade como quem guarda uma pequena cana de pesca numa grande carrinha. Pode parecer um facto irrelevante, mas podem crer que é um mundo de novas possibilidades. Nem sei como ainda não me tinha lembrado de experimentar.


Estive para ir por Sesimbra, mas decido seguir em frente e acabo por só sair na Marateca, apanhando a N4. Não me apetece ir a Évora, onde passei há pouco mais de um mês, e a primeira paragem acaba por ser Montemor-o-Novo.



A ideia de ter tudo planeado em viagem aborrece-me. Especialmente se esse planeamento implicar pouca margem para explorar, para conhecer fora de uma agenda, ou ver o que ainda não vi.
É também por isso que, para mim,  o pequeno prazer de decidir uma direcção em cima de um cruzamento é tão apelativa. De mudar o curso da história por um acaso, ou por impulso. Nada será igual. 
Ainda na N4, passei por um cruzamento com uma placa que indicava Barragem dos Minutos, com sinal de estrada sem saída. Confesso que nunca tinha ouvido falar, nem sequer tinha prestado atenção nas várias vezes em que aqui passei. Depois de ter passado pelo cruzamento, decidi voltar atrás.
Descobri que é uma barragem alentejana que acaba de completar dez anos, e pelo menos hoje ninguém se lembrou de aqui vir. O espaço está livre para explorar devagar. Boa oportunidade para tirar o tripé do saco.





Este tipo de descoberta seria impossível para quem gosta de viajar apressado. Para chegar depressa ao destino. Nem sequer via a placa.



Almocei em Arraiolos onde abasteci e pude verificar a média, em níveis mais razoáveis (4,9 l), depois de o anterior depósito ter parecido saído de uma experiência da Space X (8,1 l !). Algo de muito errado se passou. Com a actual afinação da carburação estou com autonomia para duzentos e vinte quilómetros. Mas ainda está a andar pouco para o que se exige de uma duzentos.




Depois de Arraiolos arranjei uma boa desculpa para esticar um pouco mais a rota, fui tomar café e um pastel de Sta Isabel a Estremoz. No regresso, optei por fazer a viagem junto ao Sorraia, pela N251, por Mora e Couço.




Dias ainda curtos em Fevereiro, cheguei a Lisboa com as primeiras luzes da grande cidade. A X8 não se queixou e cada vez mais me parece ser uma companhia de eleição em estrada nacional, muito confortável e relaxante se não estivermos com pressa.

E ainda me leva o tripé.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Monsaraz




O meu tradicional passeio de fim de ano levou-me hoje ao Alentejo, para explorar Monsaraz. Com destino decidido já de manhã, enquanto tomava o pequeno almoço, como gosto. O céu de chuva prometia, mas foi pouca a água que caiu no ecrã da X8 ao longo de cerca de quatrocentos quilómetros.

É uma viagem de um dia que gosto de fazer a solo. O encerramento do ano presta-se a balanços e à preparação de esquissos para o que aí vem.

Porém, a verdade é que não me dediquei em especial a nenhum desses dois temas.

Uma Nikon diferente no saco ocupou-me fora da X8. E os tons de cinza, a par das formas estranhas das nuvens, entreteram-me no céu.     

terça-feira, 17 de outubro de 2017

domingo, 15 de outubro de 2017

sábado, 14 de outubro de 2017

Marrakech




Minha primeira vez em Marrocos: a cidade ocre, uma das quatro cidades imperiais marroquinas, é um pólo cultural, comercial e religioso que constitui uma das melhores portas de entrada para o universo do Magrebe e da África subsariana.

A incrível praça Jeema el-Fna é uma das mais movimentadas em todo o continente africano. Aqui, e no espaço em volta, as regras de circulação são poucas, difíceis de absorver por qualquer europeu e inversamente proporcionais às oportunidades fotográficas.







quinta-feira, 20 de julho de 2017

Galizastúrias (VI)





Fecha-se agora o ciclo de posts dedicados à viagem à Galiza e Astúrias. Não foi propriamente um roteiro, e também a preguiça não me permitiu trazer dicas úteis para uma viagem por estas regiões. O que vos posso dizer é que não vale a pena elaborarem um plano rígido. Se viajarem sempre pelo recorte da costa de Vigo para norte, e prosseguirem pela Costa da Morte até Ribadeo, descendo depois para sul acompanhando o Rio Navia, não vão ficar desiludidos. São centenas de quilómetros de rias, pequenas praias desertas, bosques, e uma curiosa ligação entre serra e mar. E quando abandonarem a costa, o azul dará lugar ao verde que inunda a paisagem natural das Astúrias. Boa viagem.

Talvez se feche também outro ciclo, o da Bala.

Embora goste muito da scooter, e esteja próxima de preencher grande parte dos meus critérios para ser "one motorbike to do it all", a verdade é que temos tido alguma dificuldade em fiabilizar alguns aspectos, curiosamente mais ligados ao kit e às transformações daí decorrentes, do que a uma LML 200 totalmente original. Provavelmente este Galizastúrias 2017 terá sido a última grande viagem da Bala.   




     

















segunda-feira, 10 de julho de 2017

Galizastúrias (V)







Cada um dá o que tem. A fotografia também pode ser uma contribuição.

Sabendo que ia viajar para fora da zona de conforto de máquinas pensadas para deslocações urbanas, é claro que as hipóteses de algo correr mal do ponto de vista mecânico aumentam exponencialmente. É a utilização intensiva de uma scooter pequena, com calor, muitas horas diárias, com centenas de quilómetros em curtos espaços de tempo.


Gerir os equilíbrios de uma equipa também passa por descobrir o que é que podemos dar aos outros que estão connosco, que eles também valorizem. No meu caso concreto, a capacidade analítica para identificação e resolução de problemas mecânicos e, sobretudo, a execução da reparação adequada são aspectos em que não cumpro os mínimos.

Em si mesmo isso não é impeditivo de viajar sozinho, em contextos mais ou menos aventureiros. Já o tenho feito. Mas condiciona. É verdade que muitas vezes abre janelas para outras experiências. Mas, no limite, posso ser obrigado a interromper ou atrasar uma viagem, de tal forma que a arruino. 

São essas capacidades - entre muitas outras, claro - que qualquer um dos membros da equipa de amigos têm para dar e vender. O Rui e o Paulo divertem-se genuinamente a analisar em conjunto as causas e as possíveis implicações de qualquer problema que surja nestas curiosas e vetustas máquinas à beira da estrada. E sujam as mãos até resolverem. O Miguel ouve os mestres com atenção e participa activamente nos comités de crise informais, com deferência mas também com sentido crítico. E executa sem medo.

E eu ?

Fotografo.

Exactamente aquilo que os meus amigos não querem ou não sabem fazer.

E valorizam.












































quinta-feira, 22 de junho de 2017

Galizastúrias (II)






A viagem no sentido mais nobre do termo é movida a sonho. A Galiza e as Astúrias são território sonhado, apetecido e ao alcance de umas centenas de quilómetros, não demasiadas. Não havia, portanto, razão para reprimir esse desejo. Bastava aproveitar a alteração de formato do Lés a Lés, manter esses dias indisponíveis nesse corpo perigosamente dinâmico chamado agenda, e lançar a escada aos suspeitos do costume. 

Vamos ?

Fomos.

Um pouco mais de dois mil e duzentos quilómetros depois sobrevivemos. Às birras da Bala, ao calor, à gastronomia galega, ao paraíso verde das Astúrias, ao silêncio e recolhimento interior da descida de Santo André de Teixido a Cariño. De motor desligado, como se fossemos pássaros.