terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Railroad Crossing (III)



Um cruzamento com carris de ferro é um território que raramente resisto a explorar. Prefiro espaços amplos, com pouco ou nenhum casario, em que a presença humana se note apenas na construção da linha e em actividades pouco intrusivas da paisagem. Não raras vezes é o que sucede com as intervenções agrícolas, que não modificam estruturalmente o espaço em seu redor. Importam novas paletas de cor, em função das estações do ano e dos respectivos cultivos, e estão mais próximas do território natural em bruto. Em regra, integram-se na paisagem sem que o meu sentido de observação mais severo as reprove.



A intervenção de ruptura também tem os seus atractivos, como é exemplo clássico o dos espaços industriais abandonados que cercam algumas estações de caminhos de ferro, também elas decadentes. Eram edifícios que davam e recebiam das estações. Não só bens, mas também gente e emoções.

É um pouco de tudo o que se procura quando se deambula numa scooter por estradas  e caminhos estreitos, frequentemente com pouco mais do que a  largura que ocupam dois carris. Por vezes encontro razões para me deslumbrar, muitas outras nem por isso.

Este sábado, depois de alguma pesquisa anterior no google maps a seleccionar uma pequena região que me pareceu ter interesse, lancei-me na estrada. Com terra e muita lama, entrecortada por barrotes de madeira pintados com duas linhas amarelas.


























4 comentários:

Rui Tavares disse...

começo a sentir vontade de explorar caminhos de ferro desactivados por aqui. Também os deverá haver...

Leonardo Dueñas disse...

Fantásticos cenários e que majestosa scooter! Ainda faltou-me oportunidade de fotografar minhas scooters fora da urbe ou da paisagem costeira do Rio de Janeiro, mas espero mudar isso até o final desse ano...

Abraço,
Leo

Barreto disse...

se quiseres fazer mais uns kms (posso ir ter contigo) sobe até à zona de montemor o velho/soure/pombal. valerá muito a pena. tens a linha que vai para coimbra/figueira, em verride ou alfarelos ou na bifurcação de lares, com edificios ferroviários desactivados, rios e arrozais e muitas pontes. máquinas agrícolas com rodas estranhas... apita!

VCS disse...

Rui,

Não tenho dúvidas que haverá por perto muito que explorar. Já nem digo para leste, em Trás os Montes, que é um paraíso neste particular. Se calhar, não por muito mais tempo.

Leo,
Fico à espera dessas imagens. Talvez até ao final do ano consigamos aparecer na mesma fotografia...

Barreto,
Julgo que sei a que zona te referes, tenho há muito tempo sinalizada uma região de arrozais muito bonita por essas bandas. Exige sempre um dia inteiro para ir e vir com calma. O que é sempre difícil de conseguir. Temos que combinar isso :)

Abraços,
Vasco