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segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Ibero Vespa 2015 - Costa Alentejana





O encontro ibérico anual organizado pelo Vespa Clube de Lisboa nunca desilude. 

Depois de quatro anos ausente, tive oportunidade de voltar e encontrei mais de duzentos vespistas ávidos por explorar a beleza natural da costa alentejana, de preferência com as mãos no guiador da Vespa. 

Nota relevante para as cerca de quatro dezenas de espanhóis presentes, o que emprestou um colorido verdadeiramente ibérico ao grupo. 

Três dias de descontracção e bom tempo, com a base de operações montada no parque de campismo de Santo André, o labor impecável da organização liderada pelo João Máximo, e a flexibilidade habitual para todos os que quiseram gozar a luz alentejana. A do sol e a da discoteca improvisada no bar junto à praia. 

Como sempre nestes encontros de mais de um dia, há tempo para tudo. Até para produzir umas chapas do cenário campista antes que todos os outros se levantem das tendas. 

Espero não ter que esperar mais quatro anos para conseguir ir ao próximo.  





















sábado, 26 de julho de 2014

Super Passeio (III)






O Palácio de Mafra é um edifício peculiar, com muitas e boas razões para ser visto e explorado, e é sem dúvida injusto que talvez a curiosidade mais conhecida do Paço Real seja a distância que existe entre os dois torreões que dividem os aposentos da rainha dos do rei. São duzentos e trinta e dois metros, o que penso que seja único, ou pelo menos muito invulgar. 




Apreciar o Palácio, mesmo por fora, às primeiras horas da manhã de um domingo, antes dos turistas assaltarem o edifício, é beneficiar do melhor dos dois mundos. A calma e a singularidade do espaço, e a estranha sensação de desfrutarmos de algo que normalmente está repleto de gente das mais variadas nacionalidades, mas que naquele presente está só por nós. Ouvem-se os pássaros, as esplanadas quedam desertas e os silêncios só são interrompidos por ruídos longínquos.



O sítio foi muito bem escolhido para renovar uma parceria que tinha sido interrompida em 2008, a Scuderia Granturismo. Na altura, eu e o Júlio tínhamos duas Vespa Granturismo 200, e decidimos levá-las, para estreia de ambos, ao 10º Portugal de Lés a Lés. Desde então o Júlio já teve outras motos dos estilos mais diversos, incluindo também scooters, e esta semana decidiu regressar à Vespa. Comprou uma PX 150 de 2008, de fabrico italiano, praticamente imaculada. Eu levei a minha Bianca, também ela uma substituta daquela Granturismo que levei ao meu primeiro Lés a Lés.




Numa analogia entre o caminho entre os aposentos de rei e raínha, a distância é também grande entre estas duas Vespa que hoje temos. Mas o estilo dos torreões e o próprio tecto debaixo do qual as duas Vespa se apresentam é o mesmo. Pontedera mudou-se para Mafra.







Pensava nisto enquanto tomávamos o café na esplanada deserta e gozava cada instante dos frescos raios de sol. Algumas fotos teriam que ser feitas junto ao Palácio, e foram-no. O resto foi um passeio que misturou alguns pedaços das melhores estradas verdejantes perto de Lisboa, aproveitando num percurso de duas horas vários trechos de dois Ralis de Regularidade do VCL, que o Júlio não chegou a fazer.











A PX 150 surpreendeu-me pela suavidade quase de seda, até na troca de marchas no punho esquerdo. Era difícil encontrar um modelo mais indicado para o percurso que escolhemos. Não sei se influenciado pelos ares de nobreza do Palácio, a verdade é que a PX 150 deixou-me com uma impressão bem menos rude e temperamental do que a generalidade das outras PX que tenho experimentado. Nunca quis verdadeiramente uma PX, mas esta conquistou-me mais pelo que não esperava encontrar nela. Descontracção sem temperamento difícil.








sexta-feira, 25 de abril de 2014

Renovação de Veludo - Vespa GTS Super MY 2014





A Piaggio acaba de anunciar uma tímida renovação da GTS, a mais rápida Vespa de produção de sempre na sua declinação 300.

Com origem na GT 200L, apresentada em 2003, que evoluiria para a GTS 250 i.e. em 2005, a GTS 300 Super surgiu no mercado em 2008, há já seis anos. E desde essa altura que o modelo estava intocado, sem sofrer qualquer alteração - mesmo estética - digna desse nome, o que, não sendo propriamente um feito, começa a ser raro para os padrões da indústria do século XXI.     

Há muito que se especulava sobre uma inteiramente nova GTS com o motor da Beverly 350, com ABS/ASR e uns respeitáveis trinta e três cavalos de potência, mais onze do que os que se podem encontrar na actual GTS 300. 





Aparentemente este anúncio de 24 de Abril vem afastar, pelo menos para já, dois cenários: a possibilidade do lançamento imediato de uma nova GTS com uma monocoque diferente da original apresentada em 2003 na GT 200. E a hipótese da instalação do motor 350 no quadro actualmente existente, talvez por se entender que a disponibilidade de potência é demasiada para a configuração de rodas de doze polegadas.

Em termos mecânicos, está disponível o ABS/ASR de dois canais como novidade (embora na antiga 250 já existisse a opção ABS), mas com a mesma motorização 300 até aqui em catálogo. Mantém-se o monobraço tradicional à frente, embora com o novo sistema ESS que (julgo) se propõe estabilizar o afundamento na travagem, já visto na nova Sprint.

Para além destas diferenças de ordem mecânica, existirá agora uma outra para quem anda sempre ligado: a possibilidade de conexão da GTS com smartphones através de uma plataforma multimédia Vespa pensada de raiz para permitir aceder, por exemplo, a vários parâmetros de performance da scooter.  





No mais, a renovação estética - em geral para pior - que é ténue e de detalhe:  novo farolim com relevo e de aro cromado, luzes de presença com LED, um novo painel de instrumentos com inspiração nas primas mais novas Primavera e Sprint. Friso diferente no banco, tampa do avental, bacalhau e alguns outros pormenores quase invisíveis.

No fundo, essa quase invisibilidade só serve para mostrar o avesso dessa mudança: que a GTS é e continua a ser uma scooter bem desenhada e que envelhece moderna. Ou será que devemos dizer clássica ?





Imagens: Piaggio Group

sábado, 5 de abril de 2014

Depois da Primavera, Uma Sprint





A Piaggio trocou as voltas aos Salões e apresentou a nova Sprint no final de Março, ou seja, no início da Primavera. O que significa fora de época. Esta nova Sprint é uma Primavera com um cabeçote novo, uma óptica trapezoidal, como na clássica Sprint dos anos 60, umas jantes bonitas e espelhos específicos. Estas profundas alterações fazem desta nova Sprint, de acordo com a Piaggio, a Vespa small frame desportiva. Não se riam, o marketing tem destas coisas. Recapitulando: a Primavera foi apresentada no Outono, a Sprint foi apresentada na Primavera. A Sprint é uma Primavera. Fim de ciclo.
imagem: Piaggio

sexta-feira, 28 de março de 2014

Vespa 946 - Exclusividade na Estrada





A 946 é a scooter de topo da gama Vespa e é uma espécie rara. Apresentada na EICMA no final de 2012, fez uma aparição no Salão de Lisboa em Abril de 2013. E só no início do Outono de 2013, quase um ano depois da apresentação, começou a ser vista em alguns concessionários Piaggio. Na rua, nunca vi nenhuma a pisar alcatrão. Até há uns dias, quando surgiu o convite do Marrazes para testar a 946 da família durante um par de horas.







Algumas interrogações tornavam este test ride diferente de outros neste espaço. Mais do que com qualquer outra scooter, o que me interessava era perceber quão especial a 946 se sente nas mãos, na estrada, na rua. Se, para além do wow factor, a 946 é ou não uma Vespa com níveis de detalhe e qualidade uns furos acima das Vespa de produção corrente. E até que ponto é que o peso do preço, a estratosférica soma de nove mil euros, pode condicionar as sensações quando estamos aos comandos da 946.





É sabido que a 946 tem dividido opiniões, em especial entre os fiéis seguidores da marca. Para muitos deles, a 946 é um desvio. Um mero exercício de estilo exótico para as elites, um objecto de moda para quem gosta de exibir a última tendência na era do Facebook. Muitos destes amigos tradicionais da Vespa sentem-se traídos por uma inflexão de posicionamento da marca, que na verdade já vem de trás, do início do século XXI, com os preços altos e um posicionamento do produto no topo da cadeia alimentar das scooters, por oposição ao veículo acessível, simples e prático do passado, dirigido às massas. Para esta legião de entusiastas clássicos, esta mudança de rumo e posicionamento no mercado  não é sustentada na qualidade e em soluções técnicas adequadas.





Embora compreenda esta perspectiva, confesso que não a partilho em todas as suas vertentes. Julgo que a evolução marcada desde a série GT(S) deu um novo fôlego à Vespa, abriu novos trilhos, e os resultados comerciais visíveis no braço Vespa da Piaggio mostram o acerto destas políticas para as finanças do grupo. É certo que algumas scooters recentes não justificam o preço pedido em termos comparativos. Porém, a 946 é um caso singular, que foge a esta lógica. Por uma razão simples: não tem concorrência. E, na verdade, não tem culpa disso. Quem a compra, não a quer para dar a volta ao mundo ou, sequer, para a usar diariamente. É uma scooter de luxo, coleccionável, destinada a apaixonados pelo conceito que, regra geral, são proprietários de várias outras Vespa.  

É com estas questões no horizonte que assisto à sorridente chegada da Sónia na sua 946, a feliz proprietária e uma das primeiras clientes a receber a sua chave em Portugal.





Este exemplar, com menos de trezentos quilómetros no odómetro digital, está pintado no conhecido montebianco, com a sela e os punhos de encarnado. Começo por reparar na pintura, que se apresenta com uma qualidade extrema, e na combinação feliz e invulgar das cores, muito italiana. Ao mesmo tempo sóbria e elegante, é claramente original. Com uma presença distinta ao lado de qualquer outro veículo, a 946 afirma-se pela diferença.









As proporções e o volume são também invulgares. Ao lado da GTS300, por exemplo, todo o desenho é menos massivo, mais fino, depurado e trabalhado no detalhe. Parece, de certos ângulos, o protótipo de salão que, na verdade, nunca deixou de ser.


Um exemplo dessa elegância esguia é a relação única do banco com todo o volume que constitui a harmoniosa secção traseira da 946, esculpida muito mais baixa do que qualquer outro modelo pós ´60. Estão ali todas as influências do desenho Vespa original, os balons, a sela, as superfícies curvas, do aço ao farolim. Mas todas elas dissimuladas e embrulhadas numa nova coerência, num novo discurso passado-futuro, que não é uma mera repetição retocada e requentada. É uma reinvenção da linguagem e da identidade. Suspeito que, por exemplo, a ausência de um motor refrigerado a água, mais do que a questão mecânica ou de performance, foi ditada pela necessidade de manter o desenho magro, sem um radiador de água, que adicionaria volume ao avental minimalista, que não tem espaço nem para guardar uma caixa de fósforos.














Se introduzirmos a chave na falsa tampa de depósito que serve de dissimulada articulação da sela, encontraremos um amortecedor no mecanismo, algo inédito numa Vespa. Verificamos também que pouco mais podemos guardar do que um par de luvas de verão e as ferramentas originais. Embora se encontre o tradicional gancho para sacos, a verdade é que a 946 não foi feita para viajar.







 


Quando nos sentamos aos comandos, a percepção geral é de acabamentos de grande qualidade. Os materiais são rigorosos, a montagem não exibe qualquer falha. Muito se especulou sobre a existência de alumínio na estrutura da 946, e sobre o facto de cada exemplar ser montado à mão em Itália. A verdade é que algumas peças são realizadas em alumínio. Por exemplo alguns componentes de ambas as suspensões, o guarda lamas dianteiro, a tampa da coluna da direcção, o guiador ou o suporte do banco. Mas o chassis continua a ser em aço prensado. E é construído por robots, sendo a montagem, essa sim, manual.





Rodar a chave personalizada acende o painel LCD em tons de suave azul, com informação digital completa, que inclui velocímetro, nível de combustível, odómetro total e parcial, um painel de luzes avisadoras com indicação do funcionamento do ASR e ABS, e uma função de selecção de parâmetros no punho direito.






Os punhos são macios e de toque luxuoso, os espelhos têm um desenho elegante e boa visibilidade, e a posição de condução e ergonomia é quase perfeita para a minha estatura (1,70m). Preferiria o banco ligeiramente mais baixo, como está fica um pouco mais alto do que o da minha GTS, mas não o suficiente para incomodar em manobras na cidade. A forma do banco é original, mas suficientemente confortável para viagens curtas, e permite mesmo amplitude de movimentos ao condutor. Com dois ocupantes - não experimentei - a história pode ser outra, mas suspeito que convirá que o namoro seja recente para resistir à exiguidade do espaço sem amuos. 








Surpreendentemente, a 946 sente-se longa. É bem mais estreita do que a GTS, mas mais comprida. O peso é semelhante ao da GTS, com um quilograma de saldo a favor da 946 (157kg). Este número é, porém, problemático. Não porque a agilidade e o equilíbrio fiquem comprometidos, mas sobretudo por causa da opção escolhida para o motor.


Ao arrancar, percebemos de imediato que o 125cc 3V refrigerado a ar se sente asfixiado pelo peso da 946. É bastante redondo e agradável de utilizar, mas para impulsionar este peso impõe-se medir bem o espaço para ultrapassagens e raramente se sai com vantagem de um semáforo face a outras scooters, ainda que sejam da mesma cilindrada da 946.

Esta limitação sente-se ainda mais em estrada aberta, uma vez que a velocidade máxima estará na fronteira dos dois para os três dígitos, o que é curto para uma scooter com tanta qualidade e nesta franja de preço. É uma pena que a 946 não seja disponibilizada com um motor maior, capaz de emprestar outro brio no capítulo da performance. Julgo que o chassis facilmente comportaria o dobro da potência actualmente disponível - digamos no território de uma GTS -, e sem comprometer o comportamento.





Em contrapartida, o modo como a 946 pisa a estrada é superior. Por comparação com a GTS300, por exemplo, é mais macia no piso irregular, e transmite uma sensação de solidez de conjunto que não me lembro de alguma vez ter experimentado numa scooter 125cc. Repare-se que a dimensão de pneus e jantes é exactamente igual à da Vespa GTS, e o peso é semelhante, para além do quadro monocoque, com filosofia de construção idêntica. Pelo que a diferença notada será de atribuir à qualidade do conjunto de suspensões da 946.









Em termos de segurança, o ABS funciona bem, se a isso for forçado. Já o controlo de tracção (ASR), estará reservado para as saídas intempestivas da garagem em piso molhado, já que a potência disponível é escassa, e a disposição do condutor não será, na maior parte dos casos, suficientemente agressiva para pôr em causa a compostura da 946.




Em resumo, a impressão com que fiquei foi de uma scooter que se sente especial. É inegável que causa impacto na rua, pela diferença, elegância e exclusividade. Sem nunca ser intrusiva. Essa qualidade do desenho é acompanhada no que respeita aos materiais de primeira escolha, montagem e acabamento. E também em algumas soluções técnicas avançadas, únicas neste segmento, que cumprem a missão de tornar a 946 uma bandeira de referência Vespa. Não é – nem isso lhe é pedido – uma scooter para viajar. A opção pela motorização pequena em conjunto com o peso elevado, e a falta de sentido prático no que à bagagem e espaço de arrumação diz respeito sublinha exactamente a vocação da 946: citadina, para passeios curtos, relaxados e sem pressa, enquanto se aprecia a paisagem, sabendo que levamos nas mãos um objecto diferenciado e com uma herança histórica pesada. Mas realmente exclusivo. Por fora e por dentro.





sábado, 15 de fevereiro de 2014

Mito do Barracão






Os percursos e aspirações dos viciados em clássicos podem ser muito diferentes. Dependem de bolsas, do gosto pessoal, de disponibilidades. Porém, alguns traços são comuns a qualquer entusiasta: é raro o caso  em que não se encontram ocorrências relacionadas com descobertas - imaginárias ou reais - de lugares semi-abandonados, que guardam máquinas com memória, que sobrevivem na penumbra em estado mais ou menos comatoso.  Máquinas que viram o coração e o tempo a parar. Um lugar assim pode ser um barracão, um armazém, um celeiro, um palheiro. E pode até alimentar mitos à escala global.


Para um Vespista, por exemplo, encontrar uma GS, uma SS, num celeiro no meio de nenhures, é sempre uma possibilidade que jamais se afasta para muito longe do seu espírito.  Representar à escala uma visão dessa descoberta, com o impressionante nível de detalhe e realismo que vemos na imagem acima, é apenas mais um sinal de quão grave pode ser esse saudável vício


terça-feira, 5 de novembro de 2013

Segunda Primavera na Vespa




 
O Salão de motos mais importante do ano para construtores europeus, e até mesmo para alguns asiáticos, é a EICMA. Em Novembro de cada ano, as marcas acotovelam-se num espaço gigantesco em Milão para causar impacto com as suas novidades. É fundamental para as marcas deixarem uma boa primeira impressão junto do público e da imprensa internacional com os novos modelos. Porque é aqui, por um lado, que se lançam as novidades comerciais que importam para o ciclo de vendas do ano seguinte. E, por outro, é também na EICMA que se afere o capital de vitalidade de uma marca, pelo número e qualidade dos modelos novos que exibe.
 
A Piaggio lança como novidade no seu braço Vespa a Primavera, um nome clássico dos anos 70. Mantém, por isso, a receita revivalista pelo menos na designação. Prefiro nomes a números e siglas. Esta Primavera partilha apenas o nome clássico com a antecessora, já que é uma scooter automática, assumidamente a cumprir o caderno de encargos pragmático do século XXI.

Ainda não se sabe ao certo se a Primavera substitui a LX ou a S, ou se vai coexistir com estas. Mas é clara a inspiração da nova Primavera no desenho de alguns pormenores da exclusiva 946, que tem um porte semelhante. Os balons mais elegantes do que os da LX, e linhas menos suaves, com um vinco simulado no avental por uma grelha próxima da 946, são alguns dos pormenores perceptíveis pelas poucas imagens oficiais que a Piaggio libertou. Mas há também inspiração na GTS Super, pois o desenho do banco e pega traseira são idênticos, embora em escala reduzida.

O desenho não parece ter nada de revolucionário, nem de especialmente entusiasmante. Julgo que funcionará mais como uma scooter que capitaliza alguns traços do estilo lançado com a 946, mas a um preço que pode ser entendido pelo mercado como razoável. Em relação à muito bem sucedida LX - de cujo desenho nunca fui adepto - parece-me, do pouco que ainda foi divulgado, um traço mais feliz e equilibrado, embora não apaixone.
 
As mecânicas anunciadas são de 50cc, ciclo dois e quatro tempos, e também os recentes 125 e 150 cc de três válvulas. Alguma discussão ainda subsiste sobre a dimensão das rodas, que se pensa que serão de onze polegadas. Amanhã o espaço virtual estará cheio de imagens da Primavera, o que trará nova luz sobre esse detalhe.
 
A Piaggio está a dar grande publicidade aos números e ao crescimento que tem atingido consistentemente na última década. Em 2004 - ano do lançamento da série GT(S) - a Vespa vendeu 58.000 scooters. Em 2012 vendeu 165.000, e 2013 vai ser melhor, com os resultados dos mercados orientais a contribuirem cada vez mais para essa expansão. Modelos como a Primavera serão, na óptica da Piaggio, fundamentais para consolidar este crescimento. Goste-se ou não da Primavera e desta estratégia, a verdade é que não há muitas marcas de motos a crescer a este ritmo em época de crise aguda na Europa e EUA. 
 
imagem: Piaggio

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Engomador de Rugas





A primeira palavra que disse em silêncio quando vi esta imagem foi o substantivo chão. O que é estranho, porque esta Vespa espanhola dos Correos  está pendurada na vertical como um bacalhau a secar.

A verdade é que podia ter dito compressão, aço, reciclagem, lixo, crime, Vespa, emagrecimento, privatização (!), castigo, arte, morte, vida. Quando uma imagem interpela e abre tantos caminhos que podem ecoar de formas tão diferentes no espírito de quem a observa, cumpre-se um papel. Podemos rejeitar ou absorver a imagem. Mas não nego que me senti interpelado por ela numa ambivalência difusa. Como que bifurcado pelos vários significados possíveis e entretido a descobrir-lhe novos sentidos.

Com o espírito do observador a tomar direcções em ricochete, o estímulo perante a peça é inegável. Em casos como este, decidir catalogar coerentemente  o objecto da imagem, ou até optar por adoptá-la ou rejeitá-la é, pelo menos para mim, o que menos importa.

O que me atrai é mesmo o jogo das palavras, conceitos e significados que interagem com a peça, que se lhe colam. Suspeito que esse será também um dos papéis da arte. Mesmo que o objecto se resuma ao simples engomar de uma Vespa.


(imagem da exposição do projecto Trashformaciones, autor desconhecido)