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sábado, 14 de setembro de 2013

Regularidade VCL - Regulamento





Vai para a estrada daqui a algumas horas a 2ª Regularidade Moderna do Vespa Clube de Lisboa. A prova deste ano terá um desenho em linha, com 117 quilómetros a percorrer à média de 40 quilómetros hora na zona de Torres Vedras. O tempo ideal para o percurso será de duas horas e cinquenta e cinco minutos, com um total de seis controlos, quatro deles secretos. Posso garantir que não será  nada fácil, e vai exigir navegação de muito bom nível, para além de um ritmo consistente.

No intuito de desvendar um pouco do que é a engrenagem de um evento como este, e de incentivar a organização de mais provas desta natureza, podem ver neste post o regulamento que preparei para a prova. 


REGULAMENTO REGULARIDADE VESPA CLUBE DE LISBOA



1. ÂMBITO



1.1 O presente regulamento estabelece as regras aplicáveis à 2ª Regularidade Moderna do Vespa Clube de Lisboa, adiante designada apenas por “Regularidade”.


1.2 A presente Regularidade é um passeio lúdico em estrada aberta que obedece em toda a sua extensão às regras do Código da Estrada, e não é uma competição.


1.3 É exigida aos participantes uma postura prudente, responsável e respeitadora na estrada, valorizando-se o espírito de solidariedade entre participantes.


1.4 O Clube Organizador do evento é o Vespa Clube de Lisboa, com sede na Avª Infante Santo, nº 63, R/C Dto, 1350-177 Lisboa.


2. VEÍCULOS ADMITIDOS


2.1 São admitidas à participação todas as scooters de marca Vespa, independentemente do seu ano de construção.


2.2 Excepcionalmente, e na medida em que o limite de inscrições não seja atingido com scooters Vespa, o Clube Organizador reserva-se o direito de admitir scooters LML, bem como outras scooters clássicas, tais como Lambretta ou Heinkel, de acordo com o seu exclusivo critério.


2.3 Todas as scooters participantes devem estar legalmente matriculadas, cobertas por apólice de seguro válida, e aptas a circular na via pública nos termos do Código da Estrada, sendo da exclusiva responsabilidade dos participantes eventuais desconformidades que sejam detectadas pelas autoridades.


3. CONDUTORES ADMITIDOS


3.1 Todos os condutores deverão estar legalmente habilitados à condução do veículo com que participam.


3.2 Na estrada, todos os condutores deverão obrigatoriamente usar capacete e calçado fechado, sendo recomendado o uso de luvas e casaco apropriado.


4. EQUIPAMENTOS DE MEDIÇÃO


4.1 É expressamente interdita a utilização durante a prova de aparelhos "GPS" de qualquer tipo, ou computadores de bordo com função de controlo de média horária, quer estes se encontrem instalados na scooter, quer sejam transportados pelo condutor ou passageiro.


4.2 Caso a scooter participante tenha incorporado no seu painel de instrumentos um aparelho ou display que permita o cálculo instantâneo de médias horárias (ex. SIP Speedo), o visor deverá estar tapado com fita negra e selado durante a prova ou, em alternativa, o botão selector dessa função deverá estar comprovadamente desactivado.


4.3 O participante autoriza os controladores a verificar, se dúvidas existirem, qualquer equipamento de medição instalado ou transportado durante a prova.


4.4 É livre a utilização e número de relógios instalados ou transportados sem função de controlo de média horária.


5. INSCRIÇÕES


5.1 Os interessados em participar devem, até à data indicada no programa, fazer entrega na sede do Vespa Clube de Lisboa do Boletim de Inscrição (por correio, fax, e-mail ou em mão), totalmente preenchido e acompanhado da respectiva taxa de inscrição.


5.2 Ao assinar o Boletim de Inscrição, o participante submete-se ao presente Regulamento e declara conhecê-lo sem reservas.


5.3 O Vespa Clube de Lisboa comunicará ao interessado, por e-mail e no prazo máximo de 2 dias, a aceitação ou não da inscrição.


5.4 O número máximo de participantes é de 80.


5.5 As inscrições serão consideradas por ordem de recepção dos respectivos boletins.


5.6 Os pedidos de inscrição que sejam recebidos para além do limite estabelecido ficarão em lista de espera, podendo ser admitidos como participantes caso se verifiquem desistências até à data de encerramento das inscrições.


6. CONTROLOS


6.1 No início da Regularidade, será entregue a cada participante admitido um road-book com a descrição do itinerário, e uma carta de controlo para registo dos tempos de passagem em cada controlo.


6.2 A Regularidade contará com um controlo de partida, um controlo de chegada, e quatro controlos intermédios (provas de regularidade absoluta), todos devidamente sinalizados na estrada.


6.3 As duas provas de regularidade absoluta têm dois controlos cada, um inicial e outro final.


6.4 Os participantes deverão passar por todos os controlos e de forma sequencial.


6.5 Na carta de controlo de cada participante consta a sua hora ideal:


6.5.1 do controlo de partida;


6.5.2. do início de cada controlo intermédio (não consta do final de cada controlo intermédio).


6.5.2 do controlo de chegada.


6.6 A hora ideal de cada participante no final de cada controlo intermédio obtém-se calculando o tempo necessário para percorrer a distância entre o início e o final de um controlo intermédio a uma média de 40 kms/hora.


6.7 Os controlos começarão a funcionar 15 minutos antes da hora ideal do primeiro participante, encerrando 30 minutos após a hora ideal do último participante.


6.8 Apenas o Clube Organizador, através dos controladores devidamente identificados, poderá anotar na carta de cada condutor a hora de passagem no respectivo controlo.


6.9 É da responsabilidade de cada participante certificar-se que a hora anotada pelo controlador na carta de controlo corresponde à hora em que o participante efectua o controlo.


6.10 Os postos de controlo na estrada têm um relógio visível com a hora oficial.


6.11 O controlo horário de partida (CHP) e o controlo horário de chegada (CHC) estão sinalizados por uma placa colocada no início (placa CHP) e outra no final (placa CHC) da Regularidade, ambas de cor branca.


6.12 Os controlos intermédios estão sinalizados por meio de duas placas:


6.12.1 Uma placa vermelha com um relógio em fundo, que sinaliza o início do controlo;


6.12.2 Uma placa amarela, com um relógio em fundo, com três listas oblíquas, que sinaliza o final do controlo.


6.13 O procedimento de controlo começa no momento em que o veículo entra na zona de controlo, espaço físico frontal à mesa do controlador.


6.14 O controlador averba na carta de controlo a hora (horas, minutos) em que o participante imobiliza a scooter em frente ao controlo e entrega a carta ao controlador.


6.15 A contagem de tempo é ao minuto.


Ex. Se a hora ideal de controlo do participante é 10h04m, este deverá entrar no controlo e entregar a carta ao controlador entre as 10h04m00s e as 10h04m59s.


6.16 A duração da paragem no espaço assim delimitado não deverá exceder o tempo estritamente necessário às operações de controlo, que em caso algum pode ultrapassar 45 segundos.


6.17 É proibido entrar ou movimentar-se numa zona de controlo num sentido diferente do itinerário.


7. PONTOS


7.1 O sistema de pontos propõe-se manter a ordem e o ritmo dos participantes ao longo do itinerário, dentro dos estritos limites do Código da Estrada, maximizando a segurança.


7.2 Por cada minuto por avanço ou por atraso em relação à sua hora ideal em cada controlo, ao participante é atribuído 1 ponto.


7.3 A infracção ao disposto nos artigos 6.16 e 6.17 implica uma penalização de 30 pontos.


7.4 A infracção ao disposto no artigo 6.4 implica uma penalização de 80 pontos.


7.5 A infracção ao disposto nos artigos 4.1 e 4.2 implica uma penalização de 80 pontos.


7.6 Em caso de igualdade pontual entre dois ou mais participantes, o critério de desempate beneficia o que tiver obtido menor pontuação no primeiro controlo (CHP). Se ainda assim subsistir igualdade, o desempate opera-se a favor de quem obtenha menor pontuação na 1ª PR e assim sucessivamente.


7.7 Ao participante com menor pontuação será atribuído o título de vencedor da Regularidade.



8. EXCLUSÕES


8.1 A infracção ao disposto no artigo 6.8 implica a imediata exclusão do participante.


8.2 O Clube Organizador poderá excluir do evento qualquer participante durante a realização da prova que desrespeite, de forma grave, as regras e recomendações contidas no presente regulamento, em especial as relativas à segurança, comportamento na estrada e civismo.


8.3 As exclusões previstas neste artigo não atribuem o direito ao participante de ver devolvida a taxa de inscrição.


9. RECLAMAÇÕES


O Clube Organizador é responsável pela aplicação do presente Regulamento. Qualquer reclamação sobre essa aplicação ou interpretação será julgada pelo Clube Organizador, que detém o poder exclusivo de decisão.


(Imagem: Nuno Guicho)

domingo, 1 de setembro de 2013

FAQ - Regularidade VCL





Em mais de quatro anos de blog, este é o primeiro post que visa realmente esclarecer algum tema, e logo sob a forma de FAQ. Algum dia teria que acontecer e esse dia chegou. Para quem tem curiosidade em saber o que é isso de uma regularidade do VCL, tem nas próximas linhas a possibilidade de ver respondidas algumas perguntas frequentes. O regulamento tem alguns ajustes em relação a 2012 e será em breve publicado pelo clube. Se subsistirem dúvidas, usem a caixa de comentários para as colocar que eu procurarei responder. Em contrapartida, quero ver-vos no controlo horário de partida no dia 14 de Setembro na 2ª Regularidade Moderna do VCL.



1. Qual é o objectivo da Regularidade ?

O objectivo é apresentares-te nos controlos ao longo do percurso na tua hora ideal, nem adiantado, nem atrasado, para que não acumules pontos de penalização. Os pontos são atribuídos à razão de 1 ponto por minuto, quer por atraso, quer por avanço. Pretende-se chegar ao final com 0 pontos - o que é difícil - , ou com o menor número de pontos possível.


2. É uma corrida ?

Não. O percurso é desenhado em via pública, em estrada não fechada ao trânsito. Deves cumprir na íntegra o código da estrada e agir com prudência e civismo. 


3. Como funciona a Regularidade do VCL ?

Aos participantes é entregue um road book e uma carta de controlo. Nessa carta de controlo constam as horas ideais de início (CHP, ou controlo horário de partida) e de final (CHC, ou controlo horário de chegada) do percurso atribuídas a cada participante.

Essas horas ideais correspondem a uma determinada média horária definida pela organização, que é previamente divulgada, habitualmente 45 ou 40 kms/h.

No meio do percurso existem duas provas de regularidade (PR).

A sinalizar o início das PR vais encontrar na estrada uma placa vermelha com um relógio e dois controladores. Na tua carta de controlo tens inscrita a tua hora ideal de entrada nesse controlo.

A sinalizar o final da PR vais encontrar na estrada uma placa amarela com três listas oblíquas e dois controladores. Na tua carta de controlo, não tens inscrita a tua hora ideal. A hora ideal no final da PR deve corresponder ao tempo necessário para cumprir o percurso à média horária indicada previamente pela organização. 


4. A Regularidade do VCL é igual às Regularidades de Ralis de Clássicos ?

Não. A do VCL é muito mais simples. Por exemplo a contagem de tempo na maioria daqueles ralis é feita ao segundo ou à décima de segundo, e existem vários tipos diferentes de regularidade, absoluta e por sectores, entre várias outras regras mais exigentes.


5. Como devo proceder num controlo ?

Se estiveres no início da prova, verifica a hora inscrita na carta de controlo para o CHP. Consulta o relógio no controlo e acerta o teu relógio por ele. Apresenta-te junto ao controlo, e só à tua hora passas pela placa e entregas a carta ao controlador para que este averbe a hora na carta. É o momento em que entregas a carta que conta para fixar a tua hora no controlo. Lembra-te que o controlo é feito ao minuto pelo que na carta só fica averbado hora e minuto.

Antes da placa de controlo é permitido parar, desde que não estorves o trânsito. Não só podes parar como deves fazê-lo se chegares antes da tua hora. Assim evitarás penalizações por avanço. Relembra-te que a tua hora ideal está previamente indicada na tua carta de controlo (excepto para o fim das PR intermédias, em que tens que calcular a tua média).


6. O que significa controlar ao minuto ?

Se a tua hora é, por exemplo, 10h.16m, entras sem penalização entre as 10h16m00s e as 10h16m59s. Neste exemplo, se entrares às 10h18 estás 2 minutos atrasado, tens 2 pontos de penalização. Se entrares às 10h09, estás 7 minutos adiantado, tens 7 pontos de penalização.


7. Qual é a hora que conta para averbar tempos na carta de controlo ?

O relógio do controlo e apenas este. Os relógios dos controlos são todos iguais e acertados minutos antes do início da prova de acordo com a hora fornecida pelo número telefónico 12151. Antes do início da prova deves consultar o relógio instalado no CHP e acertar o teu em conformidade.


8. Quanto tempo posso estar num controlo ?

O estritamente necessário à realização das operações de controlo. Em regra, cerca de 30 segundos são suficientes. O controlo não pode, em caso algum, exceder 45 segundos de duração, sob pena de penalização.


9. O que acontece se a scooter se desliga no controlo e não consigo pô-la a trabalhar ?

Deves empurrá-la à mão para fora da zona de controlo, respeitando sempre o sentido do percurso, e encostar a scooter só depois do controlo para proceder à eventual reparação. Se o não fizeres, poderás exceder os 45 segundos de tempo máximo que te são concedidos para o controlo. Esta penalização visa evitar que o controlo fique congestionado, impedindo a operação de controlo por parte de outros participantes.


10. Posso parar durante o percurso ?

Sim. Para fotografar, descansar, abastecer, conversar, o que te apetecer. Lembra-te apenas que as horas previstas na tua carta foram calculadas com base numa determinada média horária que não prevê paragens, excepto para controlos. Portanto, quanto mais te atrasares, mais pontos acumulas. E mais tarde chegas ao almoço.


11. Posso usar GPS ?

Não. É interdito o uso de GPS ou de qualquer aparelho com função de cálculo instantâneo de médias horárias. É livre a utilização e número de relógios e de odómetros, desde que não tenham a função de cálculo de média horária.


12. Para além das penalizações por tempo - avanço e atraso - , existem outras penalizações ?

Sim.
- Entrar ou movimentar-se numa zona de controlo num sentido diferente do itinerário - 30 pontos - artº 6.17, 7.3 do Regulamento
- demorar mais de 45 segundos num controlo - 30 pontos - artsº 6.16, 7.3
- não passar por todos os controlos, ou fazê-lo de forma não sequencial - 80 pontos - artsº 6.4, 7.4
- utilizar, instalar ou transportar aparelhos GPS ou outros com função de cálculo de média horária - 80 pontos - artsº 4.1, 7.5


13. As penalizações são cumuláveis ?

Sim. Todas as penalizações são cumulativas, isto é, podem ser aplicadas uma ou mais vezes, tantas quantas as infracções ao regulamento. É aos dois controladores em cada posto que cabe verificar as infracções e aplicar as regras, com consequente atribuição de pontos.


14. É essencial ter um leitor/suporte para o road book ?

Não. Mas é altamente aconselhado, caso contrário terás muita dificuldade em "ler" o percurso, com os consequentes atrasos e perdas de ritmo. Os participantes que se façam acompanhar de passageiro têm a vantagem de poder beneficiar de um co-piloto para ler o road-book sem ser necessário o suporte.

O VCL disponibiliza no seu site um tutorial para fazer, de modo fácil, um leitor barato e eficaz sem sair de casa.


15. Tenho mesmo que cumprir horários e fazer médias ?

Não. Há duas formas de encarar uma regularidade:

i) como um passeio, seguindo apenas o road book, sem a preocupação de horários e médias.

ii) sendo fiel ao espírito da prova. Neste caso terás que esforçar-te por interpretar o road book e adequar o teu ritmo não só ao percurso, como também à média preconizada, cumprindo os controlos da melhor forma que conseguires. Acredita que é um desafio !

Claro que o VCL incentiva os participantes a aceitar este repto, foi por acreditar neste formato que se empenhou em elaborar um percurso com atractivos que estão ausentes, até à data, de qualquer outro passeio Vespa em Portugal.

Portanto, se te entusiasmou a ideia, inscreve-te até 12 de Setembro, aproveita e diverte-te!





Imagem nº 1: Nuno Guicho
Imagem nº 2: Vespa Clube Roma

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

2ª Regularidade Moderna - VCL







O relógio está oficialmente em marcha. A publicação do cartaz dá início à contagem decrescente para a 2ª Regularidade Moderna do Vespa Clube de Lisboa, a realizar no próximo dia 14 de Setembro na região Oeste, com o controlo horário de partida instalado na cidade de Torres Vedras.

Os mapas já estão riscados e de novo dobrados, o planeamento já sofreu vários ajustes e o trajecto está escolhido. A esta distância os locais de controlo não estão definitivamente marcados e boa parte das indicações a constar do road book ainda não saíram do meu lápis.

Certo é que vamos ter provas de regularidade mais longas do que as  que tivemos na primeira edição, obrigando os concorrentes a dispersar a sua atenção durante mais tempo pelo relógio, pelo road book  e pela condução, sem esquecer a paisagem que mescla com equilíbrio os ares serranos com a maresia, ao longo do município que se estende pela maior área geográfica de todo o distrito de Lisboa.

O que se mantém igual a 2012 é a média horária preconizada, fixada ao longo do percurso nos quarenta e cinco quilómetros por hora. Já vi ciclistas com médias superiores em contra-relógio, mas sou capaz de apostar que nenhuma Vespa se apresentará no controlo horário de chegada com a carta de controlo a zero. O que só valorizará o desafio proposto pelo VCL a máquinas e condutores. A desculpa perfeita para tirarem a vossa Vespa da garagem.

domingo, 14 de julho de 2013

Regularidade 2013





Hoje durante a tarde foi dia de iniciar os reconhecimentos e começar a desenhar o percurso da Regularidade 2013. Na estrada e no papel. Até acabar a luz. Mais novidades em breve, no blog e no site do Vespa Clube de Lisboa.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Pioneiros Regulares (III)



O vosso escriba a controlar no CHP em Sintra, com os comissários
Pedro 42 Ferreira a averbar o tempo na carta, e João Máximo na mesa.
Notem o relógio visível na mesa do controlo.
 

O dia amanhecera com algum nevoeiro típico da romântica vila de Sintra, mas às nove e cinquenta, hora em que entrei no controlo horário de partida (CHP), já havia levantado. Este primeiro controlo do dia correu de acordo com o planeado para a generalidade da comitiva. Um óptimo prenúncio para os cinco controlos seguintes. Quatro deles secretos, os dois primeiros na PR1, no Gradil, e os dois seguintes em Vale Benfeito, que constituíam a PR2. E o quinto e último - CHC - no topo da Serra de Montejunto, esta a recompor-se de um fogo recente mas ainda assim lindíssima, como sempre.


A média do Rali era talvez demasiado rápida, quarenta e cinco quilómetros hora, especialmente na parte final, com o troço de terra. Mas nem sempre um ritmo vivo era compensador, porque alguns sectores no percurso eram susceptíveis de conduzir a penalizações por avanço para os mais apressados, o que significa que exigia o ritmo e a cadência certos, sem enganos, para limpar a prova, o que felizmente ninguém conseguiu. Nem eu próprio que averbei cinco pontos na zero-zero - portanto extra-competição - , conhecendo o percurso e os controlos de uma ponta à outra.




Na verdade, do ponto de vista competitivo o Rali foi uma luta a dois, e com Vespas das décadas de setenta e oitenta, apesar de termos várias máquinas do século XXI em prova. Este facto demonstrou - se preciso fosse - que não é necessária uma Vespa com mais de vinte cavalos para ganhar uma Regularidade.


O primeiro líder foi David Testa, com o número 28 no escudo, que passou para a frente no início da PR1, com Rui Jordão, com o número 6, logo a responder e a reduzir a distância para apenas dois pontos no final do sinuoso e traiçoeiro Gradil.




À entrada para a PR2 a P125X número 6 voltou a brilhar e ascendeu à cabeça do Rali com três pontos de avanço, já com dois terços da distância percorrida.


Na PR2, com pouco mais de dez quilómetros que alternavam mau piso inicial e alguma rectas a exigir moderação no andamento, a Vespa número 28 limpou o controlo no final, ultrapassando novamente na tabela provisória a número 6, que penalizou quatro pontos. Estávamos assim à porta do troço decisivo de terra e da subida final a Montejunto com os dois primeiros separados... por um ponto!


Aqui, a Vespa nº 6 norueguesa voou, e penalizou apenas um ponto por atraso, enquanto a Vespa nº 28 chegou seis minutos depois da hora ideal.




Estava consumada a quarta mudança de líder e encontrado o vencedor da 1ª Regularidade Moderna do Vespa Clube de Lisboa, Rui “Agent” Jordão, com quinze pontos, a quem tive a honra de entregar o prémio final, um belíssimo capacete Vespa da nova série PX. 


Um troféu bem merecido que fechou uma edição que pode ter lançado as bases para um novo clássico no calendário do Vespa Clube de Lisboa.






Imagens nº 1 e 4: Nuno Guicho

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Pioneiros Regulares (II)


 


A princípio a ideia era recuperar as antigas Provas de Regularidade em Vespa. Apesar de o Vespa Clube de Lisboa dispor de um precioso espólio fotográfico de época, não foi possível recuperar qualquer evidência de regras ou regulamentos por que se norteassem aquelas competições, principalmente nos anos sessenta, o auge dos Ralis de Regularidade em Vespa.


Alguma experiência no âmbito das Regularidades em automóveis, muito consolidadas actualmente no âmbito das competições para antigos, permitiram-me ter uma matriz a partir da qual foi possível fazer adaptações e não arrancar totalmente do zero. O próximo desafio era desenhar um regulamento com regras claras e simplificadas, pensadas de raiz para utilizar em scooter por quem nunca ouvira falar em Regularidades.


Optei por fazer sair os concorrentes minuto a minuto e, consequentemente, permitir também que a entrada em cada controlo fosse feita ao minuto, com as contagens de média no final arredondadas também para essa unidade. Facilitavam-se as contas e anulava-se um factor de complexidade desnecessário que representam os segundos no averbamento de tempo numa prova deste tipo.




 



A opção por um percurso foi relativamente fácil. O trajecto entre Sintra e Montejunto tinha três vantagens: não só era próximo da capital, base territorial e natural do Clube, como representava uma etapa para um pouco mais de duas horas, suficientemente extensa para garantir que máquinas e pilotos aqueciam e tinham que encontrar um bom ritmo. E principalmente porque permitia usar um excelente road-book de base na etapa Sintra-Porto do Portugal de Lés a Lés de 2010, com várias alterações mas que não beliscavam o essencial do valioso levantamento então feito pela Federação de Motociclismo de Portugal.


A escolha e decisão quanto aos materiais de apoio foi o passo seguinte, com o cartaz, a sinalética na estrada para seis controlos horários, entre controlo horário de partida e chegada, início e fim de provas de regularidade, vários relógios de controlo e respectivos suportes, elaboração de tabelas com horários para cada controlo para cada participante. E idealizar as cartas de controlo para os comissários averbarem tempos.












Liderada por João Máximo, a direcção do Clube está rodada nestas lides organizativas, embora não neste formato específico de Regularidade. Tratou de toda a parte logística que implicou encomenda e aquisição dos materiais, transporte na carrinha do Clube, escalas de comissários, inscrições e almoço no final da prova, entre outros. Reconhecemos em conjunto o percurso ainda no mês de Julho. O Clube produziu um filme com um tutorial sobre como construir um leitor de road-book home made, e organizou um workshop na sede nas vésperas do evento. Estou convencido que esta medida proposta pela direcção se revelou de enorme alcance e relevância para o sucesso do evento, pois manteve os concorrentes motivados no percurso sem perdas de tempo desnecessárias. Não esperava ver tantas Vespa com leitores de road-book prontos às nove da manhã de Sábado em Sintra.






 




No briefing fiquei um tanto apreensivo quando perguntei aos participantes quantos tinham experiência prévia de leitura de road-book num Lés a Lés. Só um em trinta e seis levantou o braço. Reforcei então que era importante que se focassem no caderno do itinerário, pois não queria a comitiva perdida e sabia que isso aconteceria se não o seguissem. Um concorrente por minuto é muito diferente dos seis num Lés a Lés. Sobra muito espaço entre concorrentes e a probabilidade de se perderem seria bem real se não se esforçassem por interpretar os bonecos. Uma referência também para relembrar as regras de pontuação e as penalidades relevantes, em jeito de sumário executivo, e todos ao relógio no CHP para acertarem os relógios pela hora oficial.

Quando arranquei para o primeiro controlo com a Bianca com o zero-zero no escudo, tive uma sensação de estranha serenidade e regozijo interior. Pensei: caramba, a prova está de pé !!


















 









E a verdade é que, com excepção de alguns – julgo que muito poucos - pormenores secundários, ninguém se perdeu definitivamente, e tudo o que era realmente importante correu… sobre rodas. Fico, por isso, grato a todos os concorrentes por terem aderido ao desafio proposto, e ao Vespa Clube de Lisboa e à sua Direcção, com João Máximo nos comandos, por ter acreditado que podíamos fazer algo diferente, inovando e simultaneamente respeitando e recuperando para o Século XXI uma tradição antiga do Clube.



Imagem nº 10: Nuno Guicho

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Pioneiros Regulares





 
Trinta scooters, trinta e seis participantes, duas horas e um quarto sem paragens, cem quilómetros em asfalto e terra. Uma média dura. Muitos sorrisos.   



 








 










 

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

...3,...2,...1,... GO !



O relógio já está em contagem decrescente para a 1ª Regularidade Moderna do Vespa Clube de Lisboa, a realizar no próximo dia 22 de Setembro. Enquanto coloco este post o Clube faz um workshop na sede com dicas para a montagem do leitor de road-book. E ainda há espaço na lista de inscritos para os candidatos de última hora, usem o e-mail do  VCL para formalizar a inscrição - info@vespaclubelisboa.pt.

Tudo a postos, últimas afinações e preparativos para cumprir os cerca de cem quilómetros do percurso que liga Sintra a Montejunto, com a chegada a seiscentos e sessenta e seis metros de altitude, a uma média legal de quarenta e cinco quilómetros hora.

É um evento muito diferente do habitual, mais exigente para quem participa, e também mais trabalhoso para quem organiza, o que implicou uma mobilização total do Clube.  

Preparámos um percurso selectivo e controlos secretos que vão pôr à prova a capacidade de gestão e condução dos participantes, com duas provas especiais de regularidade que prometem animação, destreza, contas de cabeça e convívio.

Obviamente não seria leal da minha parte participar competitivamente num evento que em grande parte ajudei a desenhar, ainda mais quando ao que parece vai estar em liça um prémio para o vencedor.

Assim, a Bianca vai ser a Vespa zero-zero, a abrir a estrada e a testar os controlos dez minutos antes do concorrente número um. Vêmo-nos em Sintra no Sábado, às nove !

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Regresso da Regularidade




O Vespa Clube de Lisboa acaba de anunciar que vai voltar a organizar um Rali de Regularidade, o primeiro da era moderna, no próximo dia 22 de Setembro, com partida em Sintra.

Foi uma semente que andou no meu bolso durante os últimos anos, e que finalmente lancei à terra em Março, na ida à Serra da Estrela. A ideia pegou, cresceu, e tem entretanto sido discutida e amadurecida no seio do Clube, que a acolheu com entusiasmo nos últimos meses. Várias décadas depois das últimas Regularidades, o formato completo vai voltar à estrada! O reconhecimento está feito, os preparativos ultimados. Fiquem atentos às notícias e ao regulamento que será publicitado pelo VCL, afinem as vossas Vespas e não se esqueçam do relógio !

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Motogiro D´Itália



Entre os tradicionais ciprestes que ladeiam a estrada de terra na Toscana, a Lambretta inclina-se a bom ângulo, descrevendo uma trajectória optimista por dentro, bem consentânea com o ritmo acelerado de uma prova de regularidade.

De autor desconhecido, esta imagem aparenta ser profissional. Pela antiguidade, pelo enquadramento, e pela marca inscrita no canto inferior esquerdo, com alusão à prova.     

Quando vejo uma imagem como esta retorno sempre à ideia de recuperar para o presente o espírito das provas de regularidade desta época. É uma semente que gostava de lançar à terra fértil do Vespa Clube de Lisboa.



sábado, 11 de fevereiro de 2012

Rali Luso Espanhol 1963



Por vezes a Vespa consegue ser uma inesperada escola de iniciação à  competição.

Estava longe de imaginar que o multicampeão português de velocidade Ernesto Neves, personagem com um fulgurante palmarés de nove títulos nacionais nas competições automóveis em Portugal entre os anos de 1966 e 1973, se estreou nas corridas com uma Vespa GS.

Sob o patrocínio do Vespa Clube de Lisboa, e organizado pelo Clube Atlético de Queluz, realizou-se em 1963 o Rali Luso Espanhol em Vespa. Ao contrário do actual Ibero Vespa, o Rali Luso Espanhol não era um passeio. Era uma prova competitiva de regularidade que ligava Almada à Costa da Caparica, numa extensão de quarenta quilómetros, segundo rezam as crónicas de imprensa da época.

Neves ganhou, ostentando o número treze no escudo da GS que servia como estafeta no escritório da família. O estreante e futuro campeão beneficiou ainda do facto de utilizar a única GS 160 na prova.

Curiosamente, o Rali apenas teve dezanove concorrentes, sendo que a comitiva espanhola que conferia carácter ibérico à competição acabou por não alinhar. Chegaram tarde ao local da partida (!).



Imagens da fotobiografia autorizada de Ernesto Neves em nenemotos.blogspot.com

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Regularidade: Um Formato a Resgatar ?



Na sequência de um par de  vídeos mais recentemente publicados no youtube, de que a Horta fez eco, voltei a colocar-me uma questão que já estava empoeirada: quais as razões que explicam a ausência de uma prova de regularidade em Vespa num calendário recheado de encontros, quase todos iguais?



(vídeo Vespa Club Stockolm)


A resposta pode parecer óbvia: dá trabalho. Suspeito, porém, que não pode ser só por esse motivo tão prosaico. Em Portugal organizam-se inúmeros eventos Vespísticos, e ainda em 2010 recebemos o Vespa World Days. Espalhados pelo país encontram-se dezenas de clubes dedicados à paixão pela marca. E não é raro ocorrer sobreposição de datas no calendário.

Em 2007 e 2008 o Vespa Clube de Guimarães organizou uma prova de regularidade, o Guimarães-Lisboa, arquivo de onde retirei a curta selecção de fotos deste post.












Na verdade, não era uma prova de regularidade em sentido próprio, com vários controlos horários de partida e chegada, ou provas de perícia. Era um passeio, bastante agradável, mas não mais do que isso. Numa regularidade vamos sempre com um olho na estrada e outro no relógio, como naquele tempo espelhado no vídeo. Ou como hoje, nos modernos ralis de regularidade para veículos históricos, em estrada aberta.

Posso estar enganado, mas pelo menos os entusiastas com quem tenho mais contacto apreciam as boas oportunidades de fazer girar a sério os odómetros das suas scooters. Custa-me acreditar que quem veja imagens como as do vídeo e, simultaneamente, retire satisfação do acto de viajar em scooter, não se sinta tentado por este formato.

Se a esse gosto pela estrada juntarmos alguma (mas saudável) competitividade, atracção pelo endurance, um road-book a sério, e uma relação pouco conflituosa com as contas às médias horárias a cumprir, temos todos os ingredientes para fazer renascer este tipo de provas. E viver a realidade em cima do banco da scooter. Convenhamos, bem melhor do que ver o canal memória no youtube.