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segunda-feira, 26 de maio de 2014

Starship





A Helix está de regresso a casa. Vários meses depois. 

A ideia não era restaurar a scooter, no sentido próprio do termo. A Helix tem sido extremamente fiável na minha mão, e tem sobrevoado serenamente estes quase vinte anos de vida sem dificuldades, apenas com revisões periódicas e substituição de peças de desgaste. Pela primeira vez, a ideia era renová-la também por fora. 

Hoje foi finalmente o dia de ver o efeito do pacote de alterações completo. Fiz um pouco mais de cem quilómetros nela e várias vezes tive a estranha sensação de que tinha uma scooter diferente nas mãos. E não foi só o efeito visual do azul. Valeu mesmo a pena.  


quarta-feira, 21 de maio de 2014

Toy Story





A imagem permite múltiplas interpretações. A mais óbvia é a de que já gastei umas valentes massas com a minha Honda CN nos últimos meses. O odómetro desnudado serve como representação de uma antiga máquina registadora, não necessariamente em euros. O gigantesco zero no velocímetro significa que a CN ainda nem começou a andar. E os dois traços vazios na régua de combustível lembram-me que não posso ainda fechar a carteira. 

Tudo começou com pouco mais de meia dúzia de plásticos em kit, que me levaram a uma viagem por uma pintura em três actos, a um escape - a cuja aquisição resisti durante seis anos - , a um painel de instrumentos novo, passando por um jogo de pneus a estrear, afinações de válvulas ao milímetro, ou a pormenores como o revestimento de porta bagagens novo. Com paciência, fui recebendo as peças do Oriente, da Europa e, com a ajuda preciosa do Miguel, o puzzle foi ganhando forma outra vez. A garagem dele volta agora a poder receber o carro, depois de se libertar das carenagens azuis de um comboio de duas rodas.  

Ao longo dos últimos meses temos estado a seguir a odisseia da renovada Lambretta Li que o Rui Tavares preparou especificamente para o Lés a Lés deste ano. Piloto de fábrica, estudou e perguntou a quem sabia, e entregou a Lambretta a um preparador renomado, para reforçar as entranhas do seu motor com mais de cinquenta anos. Para que não haja dúvidas sobre as suas intenções, optou por lacar o seu motor de laranja, em representação do inferno que espera as pequenas e esforçadas peças de metal ao longo dos dois mil quilómetros da viagem.

Como o Rui, também o Paulo Simões Coelho se esforça por levar a PX com quase trinta anos pelo caminho mais difícil. A um par de semanas do arranque sabe que a Vespa não está perfeita, mas tem fé que aguentará. Para incrementar o índice de dificuldade decidiu partir um perno da tampa da embraiagem. Em vez de se irritar, viu nisso mais um motivo para enviar uma encomenda para o Fundão. Não à procura de cerejas, mas de um torneiro da velha guarda, com mãos de midas. Na véspera do arranque uma bobine de reserva aparecerá no saco via Manel, não vá a PX Luísa ficar com falta de energia na viagem. 

A ligar estas narrativas soltas estão conversas, cumplicidades, gargalhadas e emails ao longo de meses, nos tempos livres de cada um dos quatro. Nenhum de nós precisa das scooters para trabalhar. São histórias. Histórias de brinquedos.    


terça-feira, 8 de abril de 2014

Azul Daihatsu (III)

 

 
 
 
Aí está o azul final. É bem diferente do azul daihatsu, e também nada tem a ver com a cor e com o acabamento que alguns viram na Serra da Estrela. Trata-se de pintura profissional no azul mediterrâneo da PX MY 2011. Falta montar e mais dois ou três detalhes para lhe dar um novo fôlego. 

 

terça-feira, 11 de março de 2014

Azul Daihatsu (II)




No momento em que escrevo, a Helix já não veste Azul Daihatsu.
 
Desconfio que as peripécias por que o Miguel tem passado têm sido muitas, e a Helix entretanto transformou-se num assunto em família. Porém, a minha intervenção limita-se a um acompanhamento à distância, vou recebendo uns relatórios lacónicos por SMS, e pouco sei do trabalho que se vai desenvolvendo para lá da porta da garagem do Miguel.

A minha empreitada cingiu-se a seleccionar um estofador para o banco. A reduzida disponibilidade para o detalhe determinou resultados em conformidade, ou seja, longe de entusiasmar.
 
Mas voltando à cor: o que sei é que já esteve pintada uma primeira vez, trabalho que o Miguel entendeu desfazer. Depois foi pintada uma segunda vez da mesma cor mas, por lapso, foi descurada uma etapa fundamental no processo de pintura.
 
Entretanto fui consultado para saber se mantinha a opção do Azul Daihatsu. A razão era simples: a tinta chegava para duas Helix. Mas não para três. Sendo uma escolha minha, e embora não tenha ainda visto o resultado à luz do dia, decidi manter. Sucede que a cor que chegou à garagem não é a mesma. Hummm. Estou curioso para ver de que cor é a scooter em que vou à Serra este ano.
  
 

sábado, 1 de março de 2014

Azul Daihatsu





A Helix está em obras. Comprei-a no final de 2008 e chegou agora a altura de lhe renovar o tom de pele, tratar-lhe de uns arranhões.

Tudo começou com um anúncio num site de classificados português sobre um kit de plásticos inferiores novos, vindos dos EUA. O negócio era acessível e acabei por comprar, pois tinha vários plásticos riscados e estalados e um painel em falta. Nada disto é anormal ou proeza difícil de conseguir numa Helix, porque a scooter tem centenas de plásticos e apoios.

Como em todas as empreitadas deste tipo, o problema começou a crescer a seguir, com o síndroma do "já agora...": uma pintura nova e um tom de cor diferente, um banco e encosto estofados, plásticos tratados, um poisa pés que entretanto desaparecera, talvez um quadrante novo. 

Não é um restauro. É uma renovação não profissional de alguns componentes que precisavam de atenção, numa máquina que em 2014 dobra as duas décadas de estrada. Está nas mãos amigas do Miguel e talvez esteja pronta para ir à Serra da Estrela. Vamos ver como fica o azul Daihatsu à luz do dia. 


domingo, 5 de janeiro de 2014

Formatar o Disco



 
 
Primeira saída do ano. Escolho a Helix. Durante três horas, debaixo de um céu dramático, a CN a acelerar em modo inverno, a lembrar-me que preciso de desacelerar. Dentro do meu capacete vou esvaziando preocupações. Não é necessário ponderar uma estratégia, riscos e contingências. Apontar soluções. Escrever. Só preciso esvaziar. Como o depósito da scooter à medida que os quilómetros se somam. Paro para fotografar. Que amarelos ! Que som o das ondas lá em baixo. Subo o polar no pescoço e tapo as orelhas. Deito-me na pedra fria, ouvindo o vento e a força das ondas a morrer no areal liso. O sol aquece-me o suficiente para as pernas me pedirem para descer, pisar a areia, cruzar a praia. Coisas simples. Em três horas.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

domingo, 25 de agosto de 2013

Folha em Branco (II)





O que é que define uma saída perfeita em scooter ? Tempo. Liberdade. Tudo o resto é conjugação das nossas referências, da curiosidade, do desejo, de um impulso. Para produzir uma experiência. Nem tudo está pré-determinado. Gosto de acreditar que algum livre arbítrio ainda pode habitar-nos nem que seja por um dia. Desde que acordamos até adormecermos. Que nem tudo é agenda. Mesmo quando o que está na agenda nos é agradável e nos realiza. 


O que me seduz na saída perfeita é mais do que isso. Talvez seja a susceptibilidade de produzir uma experiência que não estava programada de véspera, que vai sendo construída à medida que o relógio avança, e que no final, quando fazemos o filme do dia, excede expectativas. Que é gratificante por aparentar ser construída por uma sucessão de pequenos impulsos ou acasos, de pequenas decisões não previamente programadas que mudam o curso dos acontecimentos. Para sempre.


Podem ser actos simples e banais. Como decidir se regresso por Alcácer ou por Tróia em cima do desvio. Como estar em Alcácer do Sal a degustar a gastronomia alentejana, sem razão prévia ou aparente para ali estar, visitar a cidade sem pressa e absorver com disponibilidade o que me oferece, olhar o mapa, descobrir a proximidade do Lousal e dizer a mim mesmo que a seguir valia  a pena fazer mais umas dezenas de quilómetros para ir até ao Centro de Ciência Viva aprender e conhecer as minas. E ir.


Esta oportunidade de encadeamento de decisões representa para mim um raro luxo. Acontece. Experiencio. (Sinto-me) Vivo.



















































quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Folha em Branco



A minha agenda tinha um buraco branco de norte a sul do dia de ontem. Atestei o depósito da Helix e peguei num mapa em papel. Escolhi o sul. Andei de barco e fui a um museu. A sério. Cheguei a casa de dia. Quando desliguei o motor da Helix tinha acrescentado quatrocentos quilómetros ao odómetro. O planeamento só atrapalha.

  







domingo, 10 de fevereiro de 2013

Combate ao Frio




Tenho estado em pousio, a cumprir apenas os quilómetros mínimos semanais aptos a manter as baterias em níveis aceitáveis. As minhas e as das scooters.


Quando olho para o calendário com linhas por trimestre, já consigo ver a ida à Serra da Estrela. Talvez animado por essa proximidade no horizonte dos meus dedos, não resisti a comprar uma manta térmica para as pernas para instalar na Helix. Sim, estou... amantizado :). Na verdade, já tenho há muito um avental daqueles à sapateiro, mas que apenas posso usar - e uso pouco - na Bianca. Devido ao seu formato não é possível utilizá-lo em scooters com os pés para a frente como a Helix. Quem vai passando por aqui sabe que a Bianca não tem sido a minha escolha para viagens, facto que se aliou a um preço tentador para resultar numa compra impulsiva, algo realmente raro em mim.


Hoje fiz alguns testes para verificar se o dito thermo scud funciona bem, e já percebi que tenho que melhorar o ajuste das cintas. Na Helix também não ajuda o facto de ter um travão de pé no ski direito e próximo da saída da plataforma, o que dificulta a fixação da cinta e potencia um desagradável risco de prisão indesejada do pé. Algo a que, por coincidência, estou ainda a habituar-me recentemente depois de comprar uns pedais de encaixe para a minha bicicleta de estrada.





A combater o frio, de pés mais ou menos presos, mas com vista para um horizonte que perspectiva novas viagens com o céu mais azul.


domingo, 23 de dezembro de 2012

Helix na Motor Clássico




No número de Dezembro de 2012, a Motor Clássico deu à estampa mais um artigo do seu colaborador Hugo Reis, que vem escrevendo os textos mais refrescantes e bem humorados de toda a imprensa motorizada portuguesa. 

Imagino que seja difícil fazer bem uma revista de automóveis ou motos clássicos. Especialmente com limitação de recursos. Tradicionalmente escreve-se sobre algo que já foi objecto de análise sob centenas de pontos de vista, já tudo foi dito ou escrito. Novas abordagens a temas batidos são raras. É aqui que entra uma rubrica de humor inteligente, fantasioso, por vezes envolto em lendas e mitos, e susceptível de gerar desassossego e saudável desconforto. O leitor é atiçado por um olhar corrosivo e crítico habitualmente arredado da imprensa destas latitudes.    

Sou leitor da revista desde o início e considero-a a melhor do espectro nacional nesta área, embora se reconheça que liderar esse mini-ranking interno não seja propriamente difícil. Actualmente, quando pego na revista no escaparate, é à procura do artigo mensal do Hugo que parto.

Os textos identificam cinco propostas que encaixam num tema, que pode ir dos "garanhões de corrida" aos "carros para vaidosos", passando pelas "grandes pechinchas".  Desta vez, o assunto visava as "motos para principiantes", na perspectiva sempre sarcástica do autor.

Uma das cinco escolhas foi precisamente a Honda CN Helix. Nas restantes consta ainda uma outra scooter, justamente a Heinkel Tourist. Com a devida autorização do Hugo, e porque continuo à espera que ele me envie um guest post prometido há anos, aqui fica o texto publicado, não podendo deixar de conceder-se inteira razão à legenda na fotografia principal da Helix: "É uma moto tão feia que só existe uma solução: sente-se no sofá de olhos fechados."   


Clássicas para Principiantes






Sempre fantasiou com a ideia de ter uma moto mas o sonho ficou por concretizar? Já não tem idade para “superbikes” ou quer iniciar-se com calma? Selecionámos cinco clássicas perfeitas para si.

Pode não parecer, mas este artigo é dedicado principalmente a automobilistas. A todos os que sempre acalentaram o sonho de um dia embarcar em pequenas aventuras em duas rodas mas nunca se atreveram ou não passaram das primeiras experiências com a motorizada da adolescência. Nos modelos que aqui apresentamos poderá aprender ou recordar os princípios essenciais da condução de uma moto sem correr demasiados riscos e sem se sentir tentado a fazer mais do que sabe.

Se aprecia carros desportivos reconhece seguramente a veracidade da máxima “mais é menos”. Menos rodas significam muitas vezes mais prazer, mais agilidade e sobretudo mais emoção. É verdade que a componente do desequilíbrio acarreta alguns riscos e exige um nível de destreza física que não é essencial num carro mas, por outro lado, uma moto oferece sensações fortes sem ser necessário rodar nos limites ou sequer a velocidades elevadas. Isso aplica-se tanto à condução em estrada como fora dela. Quase todos demos os “primeiros passos” de motociclista num qualquer modelo de 50cc. Serviram de “escola” motos como a indestrutível SIS Sachs V5, a popular Casal Boss, a Vespa 50 S, a Yamaha RZ50 ou a ubíqua e sempiterna DT50 LC. Em nome da nostalgia, podíamos aconselhar modelos desse género mas acontece que você já não é um miúdo, depois, esperamos que faça viagens mais longas do que até ao liceu ou praia mais próxima e por último há que admitir que as montadas de 50cc têm muito pouco de moto: ciclísticas fracas, travões medíocres e potências que não permitem sequer uma ultrapassagem segura. Além disso, não esqueçamos que agora vigora uma lei que durante muito tempo se tornou um obstáculo ao usufruto de uma moto e que permite que qualquer pessoa com carta de ligeiro possa guiar uma 125.

Conselhos a ter conta antes de conhecer cada uma das sugestões e, eventualmente, fazer qualquer compra:

1- Nunca assuma que vai fazer poucos quilómetros. Andar de moto é viciante.

2 - Não procure escolher uma moto a pensar na habilidade de transportar um passageiro. O mais certo é não conseguir convencer mulher ou filhos a participar nas suas aventuras e assim que começar a andar de moto não vão faltar amigos a querer segui-lo noutras motos.

3 – Não pense demasiado pois a próxima moto que comprar dificilmente será a sua última.

  Honda CN 250 (Helix) 1985-2001

Porquê este modelo?

As scooter atingiram uma maior popularidade entre os principiantes a partir do momento em que se tornaram automáticas. Pode parecer aborrecido não ter de engrenar velocidades mas, na realidade, isso permite-nos imensas vantagens: mais atenção à estrada, mais tempo para apreciar paisagens, mais agilidade na cidade, melhor perceção do comportamento da moto e mais conforto. Claro que muitas destas vantagens só são importantes no uso citadino e, no seu caso, a ideia talvez seja apenas o lazer. “Então porquê sugerir uma scooter neo-clássica?”, pergunta o leitor enquanto contém as náuseas motivadas pelas fotos desta página. Porque esta foi a primeira scooter a ser pensada para uma utilização para lá das fronteiras urbanas, inaugurando o conceito hoje tão popular de “maxi-scooter”. Se sempre invejou aqueles viajantes confortavelmente montados em grandes Goldwing, Pan-European ou BMW LT e quer viver essas sensações sem os custos ou a habilidade normalmente exigidas, esta scooter de aspeto vagamente aberrante pode revelar-se o segredo mais bem guardado desde o dossier Freeport. Paralelamente é um veículo óptimo para o quotidiano de uma grande cidade, ainda que a sua posição de condução “refastelada” e o comprimento exagerado possam dificultar certas manobras. Hoje a CN é um curioso objeto de design “retro-futurista”, com o seu estilo TGV sublinhado pelo painel de instrumentos digital bem completo, que inclui mesmo um avisador de intervalos de revisão!

O que procurar?

Quando em bom estado, a experiência de condução da CN (também conhecida como Helix noutros mercados) é gratificante. A direção não é muito direta, em parte devido à longa distância entre eixos, mas o baixo centro de gravidade permite velocidades em curva consideráveis com inclinações surpreendentes. Mas para isso, é fundamental que os pneus de pequeno diâmetro estejam em boas condições (pelos padrões atuais). É normal sentir uma potência de travagem reduzida, quer no disco dianteiro, quer no tambor traseiro acionado por pedal, como numa Vespa... É importante procurar uma moto que tenha os componentes plásticos em boas condições, especialmente as partes menos brilhantes e o painel de instrumentos. Para as partes mecânicas é fácil, ainda que nem sempre barato, adquirir peças de substituição. O monocilíndrico a 4T não é um portento, mas esse talvez seja o segredo da sua longevidade, já que parece relaxado mesmo à velocidade de ponta, perto dos 120km/h.

Para que serve?

Este carácter sereno faz da CN250 uma scooter ideal para aventuras despreocupadas e pouco cansativas. O aspeto utilitário não é de menosprezar, já que o vasto porta-luvas, a considerável bagageira e os baixos consumos, convidam a deixar o carro para segundo plano.

Serve também para obrigar os miúdos a comer a sopa.

Se fosse um carro 

Seria talvez uma espécie de Renault Avantime, mas mais pertinente.

Alternativa

Na verdade a CN não tinha concorrentes à altura senão no fim da sua carreira. Menos exclusiva, mais moderna mas igualmente confortável e polivalente, a Yamaha Majesty de 97 surgiu no último fôlego da Honda, com um preço semelhante e atributos equivalentes.

Uma para comprar já

Se tivesse onde a guardar, não revelava onde esta está. Por €1500 esta CN está a um preço um pouco acima da média, mas o seu estado não tem paralelo com nenhuma outra. A cor é também invulgar para o nosso país. Pronto… está no OLX!



Motor: Monocilindrico 4T; 234cc; Arrefecido a água; Carburador Keihin 20mm; 18cv às 7000 rpm; Transmissão: correia; Automática por variador de fase e embraiagem centrífuga; Travões: à frente, de disco; atrás, de tambor Chassis: tubular em aço; Arranque elétrico; Peso: 178 kg; Velocidade Máxima: 130km/h

Utilização : 4
Manutenção: 4
Fiabilidade: 5
Valorização: 2 "


domingo, 1 de julho de 2012

Lés a Lés 2012 (III)




A imagem de abertura foi-me enviada pelo Hugo já depois do último post, e julgo que será da autoria da equipa de fotógrafos que faz a cobertura da prova para a Federação Portuguesa de Motociclismo. Ilustra a Scuderia Sereníssima a experimentar uma forma simples de arrefecer os pneus no Alentejo, num cenário enquadrado por um calmo e refrescante ribeiro ladeado por pilares de pedra todos eles diferentes, mas de grande harmonia.


Em três minutos não editados, o vídeo que se segue condensa um controlo, uma passagem a vau - que se tivesse mais dois metros de largura veria uma Helix a fazer amizade com os peixes - , e uma secção de terra em pista aberta, mais adequada para trails. Por razões técnicas que não domino, o upload do vídeo retirou-lhe qualidade, limitação que não consegui resolver...   





Antecipando o próximo ano, a máquina ideal para extremar o desafio e elevar a fasquia seria... uma Derringer ?



sexta-feira, 22 de junho de 2012

Lés a Lés 2012 (II)



Últimos ratéres sobre o Lés a Lés de 2012, com vales e campos encantados, pontes de arame, horizontes de minas, casas em Terras de Barroso, e um vídeo não editado em que uma Helix procura ultrapassar uma GS conduzida à inglesa.


























domingo, 17 de junho de 2012

Lés a Lés 2012



Não é que estivesse divorciado do conceito do Portugal de Lés a Lés. Mas este ano voltei com uma sensação - que tenho alguma dificuldade em explicar - de reconciliação com o entusiasmo pela ideia. Talvez porque foi uma edição intensa, das mais belas do ponto de vista paisagístico, e que ainda me consegue surpreender com paragens totalmente novas e inspiradoras. O que não é fácil sabendo-se que o nosso país é relativamente pequeno e que o Lés a Lés prefere o interior ao litoral, especialmente o atlântico.  







Em que outro evento é possível fazer uma etapa de mais de quinhentos quilómetros em duas rodas, recitar Miguel Torga, almoçar às dez e meia da manhã, e parar no Alentejo mais autêntico, rodar trezentos e sessenta graus e perceber que tudo em volta é dominado pelos tons de terra que dividem o horizonte com um céu profundo de azul ?







Costumo dizer que os dois únicos ingredientes necessários para participar neste evento único da Federação de Motociclismo de Portugal são o gosto por viajar em duas rodas e um nível mínimo de curiosidade e vontade de descobrir o que para cada um de nós é novo. Quem consegue cumprir o primeiro requisito raramente falha o segundo.




É o caso do meu companheiro de equipa deste ano, o Hugo Oliveira, que pese embora tenha preterido duas Vespas que tem na garagem em favor de uma BMW GS, não deixou de confirmar que tem o espírito certo para a empreitada. Disponível para aceitar sem queixumes as minhas várias peripécias, que começaram logo com uma longa paragem forçada nas verificações documentais por falta da minha carta verde (!), manteve sempre uma boa disposição assinalável, e um entendimento do conceito de equipa com que me identifico.


















Este ano, e pela primeira vez num Lés a Lés, contabilizei uma queda. Logo na primeira etapa, num troço de terra no Alentejo após a segunda passagem a vau, um misto de excesso de velocidade e momentânea desconcentração na leitura do terreno - estava também a ler o road book - , fizeram-me cruzar um rego longitudinal de modo optimista para a máquina que tinha em mãos, subindo um talude lateral, com consequente perda de equilíbrio. Caí sobre o cotovelo direito e dei por duplamente pago o já histórico blusão com protecções.


A Helix sofreu em vários pontos do lado direito - curiosamente o lado contrário ao penso rápido - , partindo o pisca, o deflector de vento lateral direito, a fixação de plásticos inferiores e arranhando o painel lateral traseiro, para além de um espelho torto e de um guiador com uma geometria milimetricamente alterada. Apanhei as peças que semeei na terra e segui caminho, com prevalência clara da tese do copo meio cheio - o que me deixou feliz comigo mesmo - , porque não só não me magoei como a Helix estava em condições de prosseguir. 













No final da segunda etapa, em Boticas, tínhamos à nossa espera o incansável Paulo Salgado, que nos guiou por chuva e nevoeiro até um jantar a caminho de sua casa em Guimarães, onde ficámos na última noite. Cansado do fato de chuva e da condução intensa, ainda me deslumbrei nessa noite com a garagem do Paulo repleta de preciosidades, especialmente scooters, com vários exemplares repartidos por marcas como Heinkel, Lambretta e Vespa, mas também outras clássicas nacionais, não scooters.




No Domingo de manhã, quando cheguei à garagem para me reencontrar com a Helix e com ela regressar a casa, o Paulo Salgado, que também tem uma Helix, preparou-me uma surpresa carregada de simbolismo, e que muito me tocou. Tinha substituído o pisca e o deflector lateral direito partidos ! É também por estes gestos de amizade genuína que só posso sentir-me reconfortado, e estar grato ao muito que as scooters me têm proporcionado. Amigos, emoções e viagens.