quinta-feira, 20 de julho de 2017

Galizastúrias (VI)





Fecha-se agora o ciclo de posts dedicados à viagem à Galiza e Astúrias. Não foi propriamente um roteiro, e também a preguiça não me permitiu trazer dicas úteis para uma viagem por estas regiões. O que vos posso dizer é que não vale a pena elaborarem um plano rígido. Se viajarem sempre pelo recorte da costa de Vigo para norte, e prosseguirem pela Costa da Morte até Ribadeo, descendo depois para sul acompanhando o Rio Navia, não vão ficar desiludidos. São centenas de quilómetros de rias, pequenas praias desertas, bosques, e uma curiosa ligação entre serra e mar. E quando abandonarem a costa, o azul dará lugar ao verde que inunda a paisagem natural das Astúrias. Boa viagem.

Talvez se feche também outro ciclo, o da Bala.

Embora goste muito da scooter, e esteja próxima de preencher grande parte dos meus critérios para ser "one motorbike to do it all", a verdade é que temos tido alguma dificuldade em fiabilizar alguns aspectos, curiosamente mais ligados ao kit e às transformações daí decorrentes, do que a uma LML 200 totalmente original. Provavelmente este Galizastúrias 2017 terá sido a última grande viagem da Bala.   




     

















segunda-feira, 10 de julho de 2017

Galizastúrias (V)







Cada um dá o que tem. A fotografia também pode ser uma contribuição.

Sabendo que ia viajar para fora da zona de conforto de máquinas pensadas para deslocações urbanas, é claro que as hipóteses de algo correr mal do ponto de vista mecânico aumentam exponencialmente. É a utilização intensiva de uma scooter pequena, com calor, muitas horas diárias, com centenas de quilómetros em curtos espaços de tempo.


Gerir os equilíbrios de uma equipa também passa por descobrir o que é que podemos dar aos outros que estão connosco, que eles também valorizem. No meu caso concreto, a capacidade analítica para identificação e resolução de problemas mecânicos e, sobretudo, a execução da reparação adequada são aspectos em que não cumpro os mínimos.

Em si mesmo isso não é impeditivo de viajar sozinho, em contextos mais ou menos aventureiros. Já o tenho feito. Mas condiciona. É verdade que muitas vezes abre janelas para outras experiências. Mas, no limite, posso ser obrigado a interromper ou atrasar uma viagem, de tal forma que a arruino. 

São essas capacidades - entre muitas outras, claro - que qualquer um dos membros da equipa de amigos têm para dar e vender. O Rui e o Paulo divertem-se genuinamente a analisar em conjunto as causas e as possíveis implicações de qualquer problema que surja nestas curiosas e vetustas máquinas à beira da estrada. E sujam as mãos até resolverem. O Miguel ouve os mestres com atenção e participa activamente nos comités de crise informais, com deferência mas também com sentido crítico. E executa sem medo.

E eu ?

Fotografo.

Exactamente aquilo que os meus amigos não querem ou não sabem fazer.

E valorizam.












































quarta-feira, 5 de julho de 2017

Galizastúrias (IV)




Para além do gozo que dá manejar e controlar um aparelho fotográfico, dos mais simples aos mais complexos, há muitas outras recompensas que a fotografia pode proporcionar.  

Uma das vantagens óbvias da fotografia que é muito percepcionada é a possibilidade de podermos estender a viagem para além do período de tempo em que estamos fisicamente a viajar.  

O facto de podermos revisitar, ainda que passivamente e sem interacção, pessoas e situações, mas especialmente lugares, cria um reforço de memória que nos ajuda a empurrar informação e sensações para aquela zona do nosso disco rígido que falha menos.

É um factor que eu valorizo na fotografia, até porque tenho uma memória fraca. E não é irrelevante saber que posso, de alguma forma, ajudar a iluminar essas zonas da memória de modo a que informação que gostava de guardar passe a fazer parte de mim, e me saia com naturalidade, mesmo quando não tenho outros recursos a ajudar. Só porque quero e consigo lembrar-me. 

Acredito que a fotografia também tem um papel aqui.















quarta-feira, 28 de junho de 2017

Um Foguete Entre Pinheiros








Já ouviram falar do Scooter Trophy ? Eu pensava que era aquela competição incrível com scooters clássicas em Marrocos, que já teve várias designações, e em que tem participado o Vasco Rodrigues, conhecido vespista do Norte.

No final da semana passada o Duarte, Foguete de Mangualde, liga-me a dizer que no dia seguinte ia participar num outro Scooter Trophy, em Viana do Castelo.

Confesso que nem sabia que tal evento iria ter lugar. Passada a fase da incredulidade, perguntei-lhe com que scooter ia, tendo-me respondido que participaria numa das suas LML, a 150 a 4T, na Classe Série ! Ou seja, uma scooter igual à Azeitona, apenas com pneus de tacos e aligeirada de balons e guarda lamas, com o patrocínio da Motocentral. E que na mesma classe também participaria uma preciosa Lambretta SX 200. Que obviamente ele terá de imediato tentado comprar (!)

Os princípios por que se rege a prova são próximos dos usados na prova de Marrocos, com navegação por waypoints, e algumas nuances na dureza do percurso a distinguir a Classe Pro da Classe Série. Para aferir o nível de dificuldade e dureza para a Classe Série, o Duarte situou a prova em território próximo dos troços mais duros do Lés a Lés tradicional, nada que seja inalcançável a uma scooter de série, com alguma calma e adaptações mínimas.   

A julgar pelas imagens que me enviou e pelo entusiasmo e descrição de aventuras em estradões e pó, seguramente terá valido a pena a experiência.

E a LML aguentou o tratamento.

De série.

Grande foguete.










(imagens: organização do Scooter Trophy Portugal)

sábado, 24 de junho de 2017

Galizastúrias (III)



Mais postais no correio galego e asturiano.
















quinta-feira, 22 de junho de 2017

Galizastúrias (II)






A viagem no sentido mais nobre do termo é movida a sonho. A Galiza e as Astúrias são território sonhado, apetecido e ao alcance de umas centenas de quilómetros, não demasiadas. Não havia, portanto, razão para reprimir esse desejo. Bastava aproveitar a alteração de formato do Lés a Lés, manter esses dias indisponíveis nesse corpo perigosamente dinâmico chamado agenda, e lançar a escada aos suspeitos do costume. 

Vamos ?

Fomos.

Um pouco mais de dois mil e duzentos quilómetros depois sobrevivemos. Às birras da Bala, ao calor, à gastronomia galega, ao paraíso verde das Astúrias, ao silêncio e recolhimento interior da descida de Santo André de Teixido a Cariño. De motor desligado, como se fossemos pássaros.