quarta-feira, 2 de junho de 2010

3,...2,...1...Lés!


Tudo pronto para arrancar. Finalmente fui buscar a SYM à MotoTorres, por indicação do importador Red Moto.

Não há segundas oportunidades para causar uma boa primeira impressão. E a CityCom 300 não desperdiçou a sua. Seguem-se dois mil quilómetros, estrada suficiente para confirmar ou rebater o sorriso inicial. Então até já... 




domingo, 23 de maio de 2010

Ciao, Granturismo



É uma decisão difícil de explicar: vendi a Granturismo. É estranho. Não pensei demasiado, nem se trata de uma decisão muito racionalizada. Talvez até seja o oposto. O que, numa análise lógica, conduziria a uma motivação mais impulsiva.



A verdade é que nunca uma scooter (ou mesmo moto) me serviu tão bem, nunca nenhuma se ajustou a mim como esta. Como um fato feito em alfaiate. Lembro-me da alegria que senti no dia em que a trouxe de Matosinhos para casa. Senti uma imediata empatia por ela. Quem entende esta linguagem, sabe do que estou a falar: ao contrário de outras máquinas que já passaram por aqui, nunca tratei a Granturismo como um mero objecto. Como apenas um veículo capaz de me levar do ponto A ao ponto B. Confiei cegamente nela para me levar a destinos como Bragança, Sagres, Guimarães ou Covilhã. Para além da fiabilidade blindada, tinha o ritmo, o porte e a performance certa para mim, nos quase quatro anos em que habitou a minha garagem. Além de que me permitia deslocar-me orgulhoso, numa scooter bonita e graciosa, algo a eu não estava propriamente habituado.



Não deixa, por isso, de me parecer algo cruel vendê-la. Mesmo a alguém que conheço há quase trinta anos, e que agora se inicia no mundo Vespa. Sim, talvez esse facto tenha pesado na minha decisão. Mas não foi fundamental. E ainda não me arrependi. Mesmo assim, permanece difícil de explicar. 


quinta-feira, 20 de maio de 2010

Viagem, o Espaço de Disponibilidade



Na aparência a viagem pode ter várias direcções, cenários que desfilam como numa sala de cinema. Mas aqui somos nós que dirigimos, realizamos o filme e projectamos o resultado directamente na tela.

Na verdade, os vários cenários servem-nos de espelho e disfarçam o sentido único do trajecto. Como num primeiro círculo. Retratamo-nos quando viajamos, embora aparentemente estejamos apenas a ser trespassados por uma imagem exterior. Como uma película que é sensível à luz.

O cenário também é um pedaço do fundo de nós mesmos. Em movimento. É assim a verdadeira viagem. É exigente. Pede-nos busca, atenção, predisposição. Escolha. Pede-nos que nos sintamos estrangeiros, no sentido em que estamos fora do nosso conforto, da nossa rotina. E mais despertos para o mergulho. Para conquistar a oportunidade de olhar devagar, profundo, até ao osso. É esse o sentido mais nobre do termo viagem.

domingo, 2 de maio de 2010

Sym, de Trezentos no Lés-a-Lés de Dois Mil e Dez

(imagem cedida por Ernesto Brochado)

Não é novidade que prefiro não repetir scooters no Lés-a-Lés. Em 2008 levei a Granturismo. Em 2009 comprei a Helix propositadamente para o efeito. Em 2010 quis variar e não reincidir nas receitas anteriores.

Lancei o repto ao importador em Portugal de um construtor em forte crescimento no nosso mercado. Desconfio que não é só pela fonética feliz, em português, que o nome da marca gera simpatia. O modo aberto como a SYM, através da Red Moto, aderiu ao desafio demonstra algo que valorizo: espírito entusiasta e confiança no produto. O que talvez ajude a explicar parte das razões do sucesso comercial de que tem vindo a beneficiar. 

O Offramp está habituado a Lambrettas vibrantes, Vespas rotativas, Heinkels luxuosas e Hondas de sofá. Este Lés-a-Lés representa uma nova experiência scooterística: viajar numa scooter de Taiwan de roda alta da nova geração, com motor encorpado, injecção de combustível e pose de all rounder. Durante cerca de cinco dias e dois mil quilómetros de estradas tortuosas de asfalto, gravilha e terra, estarei entregue a uma SYM Citycom 300 i. Será a primeira vez que, no Lés a Lés, terei vinte e três cavalos às ordens do meu punho direito. Conto com a experiência de quase 50 anos de história da SYM para me assegurar que nenhum deles dormirá durante a prova.



(imagem: soloscooter.com)

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Uma Vespa na Pole Position - Vespa PX 125 T5



Olho para o minúsculo conta rotações digital, mas não consigo ver os dígitos marcados a negro no LCD. A janela é mínima. Através de outra janela, a do meu capacete, já vi o Castelo do Queijo que vibra agora no meu espelho. Subo a Avenida da Boavista, já passei o Bela Cruz à minha esquerda. Estou no renascido Circuito no Porto onde correu a elite da Fórmula 1 dos anos 50. Vou em bom ritmo e, no entanto, não corro para a Pole Position. Passo a caixa reclamando da dureza da embraiagem, exige demasiada força na manete. Mas pelo menos é precisa. A recta é curta para um BRM, longa para uma Vespa. A T5 é a Vespa ideal para, aqui, iludir a ideia de infinito.

Está algum frio mas prefiro manter a viseira do capacete levantada. Lá ao fundo vou reduzir para terceira para entrar na Avenida do Parque. Se calhar segunda para sair em força. Travo em antecipação, não estou à vontade com as maxilas novas, e escolho a segunda. Saio com decisão, mas alerta, em vez de rails temos obras em volta. Abordo a parte mais técnica do circuito com cuidado, há algumas zonas húmidas na pista, para além de trânsito, embora pouco. Terceira na direita, apanhei o sinal verde, noventa graus à esquerda para a Vilarinha. Segunda, respira bem, terceira. Desenvolve sem poço, alegre, mas prefere a banda de regime mais alta. Não há espectadores nos telhados e varandas, estranho ver a pista assim, despida de rails. Encosto antes de entrar na Circunvalação, enquanto aprecio de relance as novas moradias que nascem debruçadas sobre a estrada.

Deixo a T5 em cima do descanso, mas sem descansar o motor. Quero-o a trabalhar. Vibra, mas não soluça. Sem rodar o acelerador é expelido pelo escape um fumo branco que o vento vai devolvendo, esbranquiçando o vermelho vivo da pintura imaculada. Rodo a chave para a esquerda e faz-se silêncio. Aprecio então o belo restauro de que este exemplar do Rui Tavares foi recentemente objecto. Devolver a T5 rosso corsa à sua estrita condição original foi a preocupação que norteou o trabalho feito por mãos calejadas de sabedoria. O resto é rigor e obstinação do seu proprietário. Pormenores como a cor da zincagem de algumas peças metálicas, muitas delas interiores, foram apenas o mais visível dos quebra-cabeças da reconstrução, o que faz desta unidade - dos 30.060 exemplares construídos a partir de 1985 – uma das raras em condição muito próxima da de saída da fábrica.



Olhando para ela, de qualquer ângulo, a sensação é sempre a mesma: a T5 é uma máquina de extremos. Apesar de a sua base ser a PX, toda a sua linha “nova” é desajeitada, traços angulosos e rudes, exactamente o oposto do que é suposto ser uma Vespa, desenhada a compasso. Os pormenores mais evidentes são o farol rectangular no topo do qual surge um pequeno ecrã transparente. Um deflector negro na zona baixa do avental remata o toque desportivo anos oitenta, que só fica completo com os tampões de rodas, detalhe que bem podia ser inspirado no contemporâneo Super Cinco.



Esteticamente talvez seja uma das menos interessantes Vespa de sempre. Só ultrapassada pela Cosa no fundo da tabela. Mas prima pela diferença. A verdade é que a muitos entusiastas agrada exactamente por ser uma máquina que deixa marca.

No capítulo técnico estamos no outro extremo. Este propulsor talvez seja o mais evoluído dois tempos saído de Pontedera, elevando a potência dos 8 até aos 11cv às 6700rpm e permitindo uma velocidade de ponta que atinge os três dígitos. A ficha técnica fixa-se nos 108kms/h. Uma verdadeira GS dos anos oitenta! Cinco transferes ajudam o motor a processar a admissão da mistura ar-gasolina, característica de onde deriva a designação comercial T5.



A outra designação é a de Pole Position (!) e advém-lhe de um curioso golpe publicitário da Piaggio que oferecia uma T5 ao pole man na qualificação de cada Grande Prémio de Fórmula 1. Nesse ano só o tri-campeão brasileiro Nelson Piquet coleccionou nove ! Na verdade, só mais um facto bizarro a juntar ao histórico de uma Vespa desalinhada. 

terça-feira, 30 de março de 2010

E o Vencedor é...



Há uns meses atrás - vá lá, oito ! -, o Vespa Clube de Lisboa promoveu um concurso de fotografia que quase passou despercebido por entre o passeio por ocasião do seu 55º aniversário.

Recordo um óptimo dia de sol, Vespas vindas do país vizinho, pedagógicas visitas a museus e saudáveis gargalhadas entre amigos à conversa. Um dia em cheio.

Reparei agora, numa visita tardia ao site do VCL, que afinal sempre houve escrutínio. Em Fevereiro (!). E que uma das fotografias que enviei tinha sido eleita.

O boneco é um instantâneo lisboeta de uma Vespa levada à mão por uma rapariga que cruza os carris por onde passa aquela charmosa carruagem amarela, com janelas de guilhotina e bancos de tábua a que chamamos eléctrico.

Não sei se estou certo, mas parece-me que há poucas competições com cunho tão subjectivista quanto um concurso fotográfico. A impressão que tenho é que cada fotógrafo, ou simples entusiasta, gosta de destacar um aspecto a que dá especial ênfase no seu trabalho. Eu tenho uma certa tendência para sobrevalorizar a composição nas minhas fotografias.

Para o caso desta é totalmente irrelevante, confesso que saiu assim, espontânea, instantânea e com (muitas) imperfeições. Com uma simples e descontraída Nikon L16, uma máquina de bolso. Provavelmente haveria fotografias melhores, mas esta talvez se tenha sobrevalorizado. E com isso trepou até ao primeiro lugar. Se quiserem saber as razões vão ter que perguntar ao júri.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Ducaggio ?




Uma nota veiculada há dias, por uma agência noticiosa financeira italiana, dava conta da participação da consultora McKinsey no estudo e preparação de uma eventual fusão do gigante Piaggio com a icónica Ducati.

Se descontarmos o imediato desmentido da Piaggio, o mal disfarçado interesse da fuga de informação e a especulação que se lhe seguiu, ainda sobram migalhas para o exercício teórico, que parece tentador.


Segundo a notícia, o Grupo Piaggio - que inclui marcas como a Vespa, Moto Guzzi, Gilera, Aprilia, Derbi, e a própria Piaggio - estaria a ponderar alargar o seu raio de acção a caminho de uma presença em todos as franjas de mercado em duas rodas.

Actualmente a Aprilia tem uma tímida presença no segmento das desportivas de topo, mercado em que a Ducati tem forte implantação.

O potencial de canibalização entre marcas do mesmo grupo seria quase nulo, pois todas elas têm ADN diferente e poucas zonas de sobreposição.

Por outro lado, a Ducati tem associada à sua imagem conceitos como o de exclusividade, design de vanguarda e tecnologia de ponta. Por várias vezes e em diversos domínios já provou conseguir bater os japoneses com armas desiguais. Na competição (por vezes com cilindros a menos), na concepção do produto, na abordagem técnica europeia e também no capítulo comercial, com uma carga emocional muito vincada. Já repararam que é rara uma Ducati não vermelha?

É interessante que se fale agora numa fusão, pois não tem sido esse o caminho para concretizar o crescimento da Piaggio. Na verdade, o Grupo tem engordado recentemente com novas marcas sob a sua órbita, mas com graus de autonomia incompatíveis com um projecto de fusão.

Talvez assim nascesse um verdadeiro player europeu, com uma gama de costa a costa, com dimensão e balanço para bater especialmente Honda e Yamaha, os dois tigres asiáticos que vão a todas.