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quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Monsaraz




O meu tradicional passeio de fim de ano levou-me hoje ao Alentejo, para explorar Monsaraz. Com destino decidido já de manhã, enquanto tomava o pequeno almoço, como gosto. O céu de chuva prometia, mas foi pouca a água que caiu no ecrã da X8 ao longo de cerca de quatrocentos quilómetros.

É uma viagem de um dia que gosto de fazer a solo. O encerramento do ano presta-se a balanços e à preparação de esquissos para o que aí vem.

Porém, a verdade é que não me dediquei em especial a nenhum desses dois temas.

Uma Nikon diferente no saco ocupou-me fora da X8. E os tons de cinza, a par das formas estranhas das nuvens, entreteram-me no céu.     

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

O Escudo e o Frio




A X8 continua a cumprir a tarefa de percorrer parte da cidade de Lisboa em conforto e apreciável desembaraço.

O conforto aumentou significativamente com uma adição recente, muito popular entre as scooters lisboetas: o Termoscud da Tucano Urbano.

Assim que comprei a X8 no verão, comecei logo a procurar um Termoscud nos classificados, o R045 ou o R045X, especificamente desenhados para as Piaggio X8 e X Evo. 

Ao fim de pouco tempo descobri que, na verdade, só um golpe de sorte me permitiriua encontrar um usado, para além de que o preço provavelmente também não seria suficientemente convidativo. Com as temperaturas a descer até ranger os dentes, rendi-me e encomendei um na loja do costume, a incontornável Oldscooter.

Assim que o montei percebi duas coisas: que a Tucano Urbano é péssima a desenhar e a descrever instruções; e que o acessório vale cada euro que custa.

Instalar o Termoscud na X8 até é fácil, sendo que o acesso aos furos atrás da roda da frente não é algo que se consiga sem algum contorcionismo circense. Por comparação, fixar as últimas tiras inferiores é facílimo. O pior é que acabei por descobrir que elas não devem ser colocadas aproveitando os furos de fixação dos painéis plásticos, mas mais atrás no painel inferior. O que implica escarafunchar o plástico com dois novos furos. Se assim não fizerem, vai entrar frio pela lateral do termoscud. Claro que as instruções são omissas quanto a estes pressupostos, o que significa que só por sorte a montagem vai sair bem à primeira. Em resumo, não sigam as instruções do fabricante.

Depois destas afinações, a temperatura a bordo da cintura para baixo passa a ser semelhante a um ar condicionado num automóvel. Se adicionarmos a este conforto o ecrã alto, que também desvia algum frio das mãos, temos algo próximo do conforto de uma Bimmer de seis cilindros pelo preço de uma... revisão da Bimmer.

Estou rendido à X8.

O que me falta ?

Se pudesse pedir alguma coisa para instalar teria apenas três letras: ABS. Seria muito útil. A travagem à chuva tem que ser muito criteriosa nos vários tipos de piso, para evitar armadilhas. É sempre melhor jogar com muita antecipação, o que exige disciplina. Não que os travões não sejam potentes, porque são. A questão é que em piso molhado não é fácil doseá-los, e bloquear travões numa scooter em contexto de cidade significa abusar da sorte.

O que ganhei e não preciso ?

Uma piscina em dias de chuva. Se a chuva for intensa, dá para trazer peixes de aquário para a bacia hidrográfica que se forma no topo do Termoscud.

À chuva também é fácil varrer (!) com menos de vinte cavalos, se quisermos ser impetuosos com o acelerador. Mas esta é uma limitação que só se sente sendo bruto, e a verdade é que muito raramente apetece ser hooligan numa scooter como a X8.

sábado, 21 de outubro de 2017

Trimestre em X8




A X8 está de serviço há cerca de três meses, embora com algumas interrupções. Com pouco mais de trinta e três mil quilómetros, leva quase dois mil feitos por mim. Apesar de estar a ser uma experiência um pouco mais dispendiosa do que inicialmente previsto - não é sempre assim quando compramos uma scooter bem usada ? -, a sensação que tenho é a de que a X8 está a valer a pena, e tem bastante para me oferecer no futuro.  


Como costuma dizer um blog de ciclistas que aprecio, até agora, a lista de supermercado já anotou, no capítulo da segurança: um pneu traseiro; pastilhas à frente e atrás; óleo de travões; desmontagem de rodas para verificação de jantes, desmontagem de câmeras de ar e raspagem de jantes para conter e tratar a corrosão; na manutenção mecânica: filtros e óleos; correia do variador; roletes; guias; junta de escape. A embraiagem morreu e teve também que ser substituída. Restam agora pormenores mais práticos, mas secundários, como fechos de tampas e um descanso central a precisar de ser soldado.


Entretanto a experiência na cidade com a X8 tem sido positiva. Está a provar ser suficientemente esguia para me desembaraçar das filas de trânsito, e a capacidade de carga corresponde exactamente ao que precisava. O conforto para pendura também tem convencido. Falta-me ainda experimentar com chuva séria, uma vez que não tenho a certeza de que o ecrã alto não estorve quando chove.

Este ecrã da Givi é um extra caro, e tinha acabado de ser montado quando comprei a X8. Está portanto novo e é muito útil para proteger do frio e do vento, por exemplo a velocidades de auto estrada, ou mesmo na cidade, para quem anda de fato e gravata é um extra valorizado. Até agora não me tem feito impressão à noite, uma vez que o ecrã não está riscado. Mas com o uso, e com chuva e má visibilidade que se aproximam, os reflexos e a sujidade podem ser um problema e não uma ajuda. Preciso de experimentá-lo em estrada e com chuva para perceber melhor se é mais útil como está, ou se será melhor cortá-lo abaixo do ângulo de visão.

A embraiagem nova transformou o andamento da scooter, em especial desde parada até aos sessenta, com um arranque muito mais forte e decidido. Falta-lhe ainda ser mais veloz em especial a partir dos oitenta, estou sempre a compará-la com a minha antiga Vespa Granturismo, que tinha o mesmo motor Leader, e sempre me pareceu mais rápida e veloz. 

A velocidade máxima não é um factor eliminatório para o uso que dou à scooter. Mas, conhecendo-me, sei que mais tarde ou mais cedo esta X8 estará a viajar longas horas diárias, assim surja oportunidade. E quando esse dia chegar vai saber bem ter algum conforto em velocidade de cruzeiro, e margem para ultrapassar.

Esta dúvida sobre a velocidade máxima anda a pairar no meu espírito desde que comprei a X8. Julgo que a diferença para a GT não está, nem pode estar, só na aerodinâmica, que na Vespa nem sequer é brilhante. A diferença de peso, de acordo com várias fontes na internet - mas de cuja consistência duvido -  deve rondar os vinte quilos a favor da GT, o que, pela lógica, deveria ter mais consequências no arranque e menos na velocidade de ponta. A mesma incoerência aparece na velocidade máxima atribuída à X8 200, que surge em muitas fichas técnicas não oficiais como sendo de cem quilómetros hora, menos vinte do que a GT200. Noutras, aparece um valor de cento e vinte. Estes dados, para o mesmo motor e assumindo relações de transmissão pelo menos semelhantes, representam uma diferença enorme, difícil de acreditar.

Como não consigo aceder a um manual de X8 200 - só o da X8 400 está disponível gratuitamente -, a dúvida persiste.

Se alguém tiver por aí dados fiáveis ou, melhor ainda, um manual de X8 200, é favor tocar à campaínha.



domingo, 27 de agosto de 2017

XisCarro




Primeiros mil quilómetros e um pouco mais de um mês de X8. Um mês dedicado ao carinho e atenção.

Logo ao segundo dia a válvula do pneu traseiro desapareceu em plena autoestrada perto de Leiria, o que causou algum frisson e só por sorte não teve outras consequências. Provavelmente por alguma deterioração das jantes e alguma teoria peregrina do anterior proprietário, a X8 montava câmeras de ar nos pneus tubeless, o que já foi corrigido. Atrás, também com um pneu novo inventado a um sábado à tarde - obrigado, Marrazes ! -, e à frente já em Lisboa, com o Francisco na Motocenter, retirando a câmera e recuperando e equilibrando a jante. Pastilhas novas à frente e atrás da EBC, novo óleo de travões e a scooter ficou apta a circular com segurança.

Essencial era também uma correia do variador Dayco e novos roletes Piaggio, para além de óleo e filtro, com a preciosa ajuda do Mike. Não sei como a correia que lá estava não partiu tal era o desgaste.

Começa gradualmente a comportar-se como uma 200 com alguma dignidade. 

Estou agora a reparar em alguns pormenores de desenho da X8. A ergonomia é incrível.  A distância de todos os comandos, o guiador, os espelhos, as cotas e ângulos do banco e skis são perfeitos para mim, quer em estrada, quer na cidade. 

E o design da scooter é realmente intrigante. A Piaggio quis que esta fosse uma das suas primeiras scooters executivas e foi procurar inspiração ao design automóvel. As linhas suaves, os cromados (plásticos), a óptica larga e o farolim de cobra, e um detalhe que só está presente na primeira série, que é a tampa do porta bagagens em preto. Quando comecei a olhar para o modelo via muito poucas com este pormenor e estranhei. Fui investigar e descobri numa nota de imprensa da época, que a ideia era aproximar a X8 ao conceito de uma sport wagon !

E realmente, não me lembro de nenhuma scooter na época com um porta bagagens com porta com comunicação directa ao espaço debaixo do assento. E ainda com espaço para uma roda doze atrás.

Mesmo sem chave na ignição, se o porta bagagens estiver aberto acende-se uma luz vermelha de porta bagagens no painel. Exactamente como num... automóvel.  

Estes italianos.  
  

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Piaggio X8 200 - Regresso a um Sofá





Depois de um ano e meio com a Bala (LML 200), a minha segunda LML consecutiva, o regresso a uma scooter sofá parece não ser uma ideia totalmente destituída de sentido.

Qualquer scooter de mudanças manuais para usar na cidade é uma excentricidade. Diverte quando estamos em modo tolo e irrita quando a razão nos visita o espírito. O sentido prático do devaneio é igual a zero, em especial porque hoje existem dezenas de opções competentes no mercado de scooters automáticas

Como desvantagem da LML também se podem apontar as pequenas rodas de dez polegadas que, contribuindo embora para a maneabilidade excepcional, tornam qualquer irregularidade média na cidade uma onda do Canhão da Nazaré, e qualquer buraco uma cratera. Circular a dois e com pesada bagagem escolar a bordo é aventura diária garantida. Sem dúvida divertido, mas um pouco cansativo. 

A favor a LML conta com uma brecagem de cobra, que permite que a scooter passe em qualquer buraco de agulha, muito útil em ruas estreitas ou muito condicionadas. O efeito sorriso automático (ou feel good factor) também é assegurado, ao lado da disponibilidade para as respostas às abordagens de rua ao estilo bonito restauro. Ir de Vespa é sempre um desbloqueador de conversa.

Os tempos e as conjunturas vão mudando. E com essa mudança vem também o impulso para outras e novas experiências, crónicas no meu caso de scooterite.

A conjugação do regresso a Lisboa com as necessidades de transporte diário em scooter durante as quatro estações do ano, e a vontade de ter uma scooter mais anónima e menos apetecível fez-me repensar a estratégia.

No mercado de usados pensei em várias scooters plásticas. Numa Piaggio X7 ou numa Sym Citycom 300, de roda maior e já suficientemente desvalorizadas para poder encontrar um negócio equilibrado, com uma scooter direita, não demasiado velha e gasta.

Nenhum negócio disponível apareceu - também não procurei assim tanto tempo - até que no radar surgiu uma Piaggio X8 200.

Não estava nas minhas cogitações iniciais, mas a verdade é que, ao verificar a minha check list, quase nenhum item ficou por preencher, e desses em que a X8 fica coxa, nenhum era verdadeiramente impeditivo.

Tem um motor de boa memória, pois é exactamente o mesmo da minha antiga Vespa GT 200, e apresenta uma configuração de scooter executiva. Tem muito espaço de arrumação - alberga com facilidade, por exemplo, raquetes de ténis, ou tacos de golf curtos ! - , protecção de vento e chuva com o ecrã alto, e é muito mais curta e alta de assento do que a Nave, a minha antiga e baixíssima Honda CN 250. É também bastante mais curta e leve (!) do que, por exemplo, uma Sym GTS 125, e com menor distância entre eixos. Tem rodas doze e catorze, um bom compromisso para a cidade, sem demasiadas concessões ao comportamento em estrada.

Com treze anos no activo, a X8 há muito que deixou de exigir um cheque inicial pesado, como quando era nova.

No papel, parece, pois, ser uma aposta - por uma vez ! - racional. 

Daqui por uns meses, veremos como a ZÉzinha suporta o duro teste da realidade.